Um estudo conduzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), liderado pelo professor associado do Departamento de Produção e Operações da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da FGV, Orlando Cattini Junior, comprova que a adoção do modelo de pooling de paletes para transporte é a opção mais racional para empresas que distribuem mercadorias.
A pesquisa analisou os setores de bebidas, composto por produtos não alcoólicos e alcóolicos sem fins medicinais ou terapêuticos; mercearia, formado por mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios essenciais, como alimentos enlatados, farináceos, massas e doces; e a movimentação de itens de limpeza, que são os produtos usados na limpeza e conservação de ambientes residenciais e comerciais.
O modelo de palete de pooling apresenta benefícios significativos em comparação com os modelos tradicionais de paletes descartáveis ou retornáveis, pois promovem um modelo de economia circular com o compartilhamento e reutilização de equipamentos. Sua operação é mais segura e eficiente.

Os paletes de pooling são mais robustos e duráveis, proporcionando maior eficiência para a operação, além de ser mais econômico do que os paletes retornáveis, pois não oferecem despesas de gestão, manutenção e reparo. “Em diversos cenários, a utilização de paletes padrão brasileiro (PBR) tem se mostrado mais dispendiosa para varejistas e distribuidores em comparação ao palete descartável. No entanto, a adoção do sistema de pooling, que rastreia a origem e destinação dos paletes, traz uma série de benefícios para as empresas e para a sociedade, como segurança das mercadorias e promoção da economia circular. Esses tópicos ajudam a mostrar porque essa seria a escolha mais racional para os distribuidores e para os varejistas. Vale ressaltar que a escolha do tipo de palete é realizada pelo embarcador/indústria ao entregar a mercadoria para o distribuidor”, explica Cattini.
A pesquisa envolveu a análise detalhada dos custos operacionais ao longo do ciclo de vida de um palete, considerando três tipos de operações: paletes retornáveis (via compra), paletes retornáveis de pooling (via aluguel como serviço) e paletes descartáveis. Os dados coletados foram completados pela percepção da utilização dos três tipos de paletes a partir de entrevistas com empresas dos setores analisados.
Para Cattini, outra vantagem do pooling é que o fabricante não precisa gastar com CAPEX (sigla em inglês para despesas de capital da empresa). “Ao invés de fazer a compra de ativos, ele pode alugar os paletes como serviço”, destaca.
O caminho que o palete descartável percorre parte do fornecedor com destino ao Centro de Distribuição ou a um armazém centralizado. De lá, já segue para descarte. Se trata de uma solução cerca de 63% mais barata quando o transporte vai do fornecedor ao distribuidor. Por outro lado, proporciona pouca segurança às mercadorias e à mão de obra, gera poluição e o mercado não costuma utilizar. O Palete PBR é o modelo de Palete Padrão Brasileiro especificado pela ABNT, que é a Associação Brasileira de Normas Técnicas, e tem como característica a aplicação universal e a intercambialidade.
O caminho que o palete retornável percorre começa no fornecedor, que manda para o CD e envia ao varejista. De lá, o palete retorna ao fornecedor ou ao CD e de lá para o fornecedor. Também é possível uma composição direta entre fornecedor e varejista, retornando o palete diretamente a sua origem. Neste caso, os custos logísticos são compartilhados entre fornecedor e varejista. O palete retornável apresenta maior segurança em relação aos paletes descartáveis e mais eficiência de gestão. A solução também tem as suas desvantagens, que incluem custos de transporte, gestão e controle assumidos por parte do varejista, do fornecedor e/ou do CD.
Agora, o caminho que o palete de pooling percorre vai do fornecedor ao CD. De lá, vai para o varejista, que após seu uso manda para a empresa de pooling, que manda ao fornecedor fechando o ciclo. Suas vantagens contemplam aumento da segurança durante o armazenamento e manuseio das mercadorias; redução dos riscos de queda; diminuição dos problemas operacionais; maior robustez e durabilidade dos paletes; custos logísticos mais baixos para os distribuidores na comparação com os paletes retornáveis nos três segmentos comerciais avaliados; redução do tempo de armazenamento dos paletes nos CDs; além da emissão de notas fiscais para o adequado controle dos paletes. Sua única desvantagem é ser mais caro somente do que o palete descartável.
Para dimensionar os benefícios financeiros do palete de pooling, ele apresenta 28,3% de ganhos para varejistas na movimentação de bebidas em entregas diretas do fornecedor para o ponto de venda, sem passar por um centro de distribuição. Quando as mercadorias necessitam passar pelos centros de distribuição, essa opção apresenta um custo em torno de 37% inferior na comparação com as outras operações.
Observa-se ainda vantagem de 25,6% na movimentação de produtos de limpeza para os varejistas na comparação com as demais operações. No caso dos produtos de mercearia, sua eficiência é 28,3% melhor do que outras operações.
Em todos os três casos é possível encurtar a jornada dos paletes quando os centros de distribuição não fizerem parte da cadeia logística da operação em questão.
