FGV comprova vantagens do palete de pooling

Pesquisa contemplou a movimentação de bebidas, produtos de limpeza e de mercearia em todas as etapas da cadeia logística dos três tipos de paletes.

Por Gustavo Queiroz

- julho 28, 2024

Imagem meramente ilustrativa gerada por IA | Frota&Cia

Um estudo conduzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), liderado pelo professor associado do Departamento de Produção e Operações da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da FGV, Orlando Cattini Junior, comprova que a adoção do modelo de pooling de paletes para transporte é a opção mais racional para empresas que distribuem mercadorias.

A pesquisa analisou os setores de bebidas, composto por produtos não alcoólicos e alcóolicos sem fins medicinais ou terapêuticos; mercearia, formado por mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios essenciais, como alimentos enlatados, farináceos, massas e doces; e a movimentação de itens de limpeza, que são os produtos usados na limpeza e conservação de ambientes residenciais e comerciais.

O modelo de palete de pooling apresenta benefícios significativos em comparação com os modelos tradicionais de paletes descartáveis ou retornáveis, pois promovem um modelo de economia circular com o compartilhamento e reutilização de equipamentos. Sua operação é mais segura e eficiente.

Orlando Cattini Junior
Orlando Cattini Junior, professor associado do Departamento de Produção e Operações da FGV.

Os paletes de pooling são mais robustos e duráveis, proporcionando maior eficiência para a operação, além de ser mais econômico do que os paletes retornáveis, pois não oferecem despesas de gestão, manutenção e reparo. “Em diversos cenários, a utilização de paletes padrão brasileiro (PBR) tem se mostrado mais dispendiosa para varejistas e distribuidores em comparação ao palete descartável. No entanto, a adoção do sistema de pooling, que rastreia a origem e destinação dos paletes, traz uma série de benefícios para as empresas e para a sociedade, como segurança das mercadorias e promoção da economia circular. Esses tópicos ajudam a mostrar porque essa seria a escolha mais racional para os distribuidores e para os varejistas. Vale ressaltar que a escolha do tipo de palete é realizada pelo embarcador/indústria ao entregar a mercadoria para o distribuidor”, explica Cattini.

A pesquisa envolveu a análise detalhada dos custos operacionais ao longo do ciclo de vida de um palete, considerando três tipos de operações: paletes retornáveis (via compra), paletes retornáveis de pooling (via aluguel como serviço) e paletes descartáveis. Os dados coletados foram completados pela percepção da utilização dos três tipos de paletes a partir de entrevistas com empresas dos setores analisados.

Para Cattini, outra vantagem do pooling é que o fabricante não precisa gastar com CAPEX (sigla em inglês para despesas de capital da empresa). “Ao invés de fazer a compra de ativos, ele pode alugar os paletes como serviço”, destaca.

O caminho que o palete descartável percorre parte do fornecedor com destino ao Centro de Distribuição ou a um armazém centralizado. De lá, já segue para descarte. Se trata de uma solução cerca de 63% mais barata quando o transporte vai do fornecedor ao distribuidor. Por outro lado, proporciona pouca segurança às mercadorias e à mão de obra, gera poluição e o mercado não costuma utilizar. O Palete PBR é o modelo de Palete Padrão Brasileiro especificado pela ABNT, que é a Associação Brasileira de Normas Técnicas, e tem como característica a aplicação universal e a intercambialidade.

O caminho que o palete retornável percorre começa no fornecedor, que manda para o CD e envia ao varejista. De lá, o palete retorna ao fornecedor ou ao CD e de lá para o fornecedor. Também é possível uma composição direta entre fornecedor e varejista, retornando o palete diretamente a sua origem. Neste caso, os custos logísticos são compartilhados entre fornecedor e varejista. O palete retornável apresenta maior segurança em relação aos paletes descartáveis e mais eficiência de gestão. A solução também tem as suas desvantagens, que incluem custos de transporte, gestão e controle assumidos por parte do varejista, do fornecedor e/ou do CD.

Agora, o caminho que o palete de pooling percorre vai do fornecedor ao CD. De lá, vai para o varejista, que após seu uso manda para a empresa de pooling, que manda ao fornecedor fechando o ciclo. Suas vantagens contemplam aumento da segurança durante o armazenamento e manuseio das mercadorias; redução dos riscos de queda; diminuição dos problemas operacionais; maior robustez e durabilidade dos paletes; custos logísticos mais baixos para os distribuidores na comparação com os paletes retornáveis nos três segmentos comerciais avaliados; redução do tempo de armazenamento dos paletes nos CDs; além da emissão de notas fiscais para o adequado controle dos paletes. Sua única desvantagem é ser mais caro somente do que o palete descartável.

Para dimensionar os benefícios financeiros do palete de pooling, ele apresenta 28,3% de ganhos para varejistas na movimentação de bebidas em entregas diretas do fornecedor para o ponto de venda, sem passar por um centro de distribuição. Quando as mercadorias necessitam passar pelos centros de distribuição, essa opção apresenta um custo em torno de 37% inferior na comparação com as outras operações.

Observa-se ainda vantagem de 25,6% na movimentação de produtos de limpeza para os varejistas na comparação com as demais operações. No caso dos produtos de mercearia, sua eficiência é 28,3% melhor do que outras operações.

Em todos os três casos é possível encurtar a jornada dos paletes quando os centros de distribuição não fizerem parte da cadeia logística da operação em questão.

Tabela comparativa de gastos

Resultado consolidado do custo de um ciclo completo de um palete por categoria, canal e tipo de palete

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