Yellow, gigante do transportes nos EUA, anuncia fim das operações

Empresa tinha 12 mil caminhões em operações e 99 anos de história

Após 99 de anos de funcionamento, a gigante do transportes rodoviário dos Estados Unidos, Yellow, vai declarar falência e fechar as portas. Os principais motivos são a dívida impressionante, que é apontada como cerca de US$ 1,5 bilhão, e o custo do contrato sindical com a Teamsters, que representa 22 mil trabalhadores. 

Há cerca de duas semanas atrás, o sindicato cancelou uma ameaça de greve motivada pela falta de contribuição da empresa para seus planos de pensão e seguro saúde. O sindicato concedeu à empresa mais um mês para fazer os pagamentos exigidos. Mas, no meio da semana passada, a empresa havia parado de pegar cargas de seus clientes e estava fazendo entregas apenas de cargas já em seu sistema, de acordo com o sindicato e Satish Jindel, consultor da indústria de caminhões.

Embora o sindicato tenha concordado em não entrar em greve contra o Yellow, não conseguiu chegar a um acordo sobre um novo contrato com a transportadora, de acordo com um memorando enviado aos sindicatos locais na quinta-feira (27) pelo comitê de negociação dos caminhoneiros. O sindicato informou na manhã desta segunda-feira (31) que havia sido notificado sobre a paralisação.

“As notícias de hoje são lamentáveis, mas não surpreendentes. O Yellow provou historicamente que não poderia se administrar, apesar de bilhões de dólares em concessões trabalhistas e centenas de milhões em fundos de resgate do governo federal. Este é um dia triste para os trabalhadores e para a indústria de frete americana”, disse o presidente da Teamsters, Sean O’Brien, em comunicado.

Dívida inacessível

Especialistas na área disseram que foi principalmente uma dívida inacessível, mais do que o custo do contrato sindical, que fez a Yellow chegar nesse ponto. “Os caminhoneiros fizeram uma série de concessões dolorosas que os aproximaram da paridade salarial com transportadoras não sindicalizadas”, disse Tom Nightingale, CEO da AFS Logistics, uma empresa terceirizada de logística que coloca cerca de US$ 11 bilhões em frete anualmente com diferentes empresas de transporte rodoviário.

Ele disse que a empresa começou a assumir uma quantidade significativa de dívidas há 20 anos para adquirir outras empresas de transporte rodoviário. “Agora o serviço da dívida deles é simplesmente enorme”, disse ele, apontando para US$ 1,5 bilhão em dívidas em seus livros.

A Yellow também recebeu um empréstimo de $ 700 milhões do governo federal em 2020, que resultou em contribuintes detendo 30% de suas ações em circulação. A dívida ao Departamento do Tesouro, de acordo com seu relatório trimestral mais recente, ainda consta. 

Os clientes, entre eles Walmart e Home Depot, já transferiram cargas para as rivais da Yellow na última semana, acelerando o fim da empresa.

Empresa possuía uma frota com 12 mil caminhões em todo o país

Fim de uma era nos Estados Unidos

O segmento conhecido como LTL (less than truckload), que se refere ao transporte com caminhão não cheios totalmente, era dominado, principalmente, por operadoras sindicalizadas, como a Yellow.

Eventualmente, as empresas não sindicalizadas passaram a dominar o segmento LTL também. No início deste século, muitas das transportadoras LTL sindicalizadas remanescentes, incluindo Yellow e rivais como Roadway Express, New Penn e Holland, se fundiram para sobreviver.

Yellow, Roadway e uma terceira empresa conhecida como CF ou Consolidated Freightways já foram conhecidas como as Três Grandes da indústria de caminhões. A CF fechou as portas em 2002. E com o fechamento da Yellow Corp., as duas partes finais das Três Grandes também fecharam as portas.

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