Vendas e exportações de pneus registram queda nos primeiros dois meses do ano

Por Freelers

- março 18, 2015

Os resultados da indústria brasileira de pneus nos últimos meses são consequência do sentimento de desconfiança do consumidor, por causa dos ajustes fiscais do governo e do aumento das tarifas, e, na questão das exportações, a baixa competitividade do setor

Os dois primeiros meses do ano foram alarmantes para a indústria nacional de pneus. O baixo crescimento econômico do país, somado à contínua perda da competitividade da indústria pneumática no mercado internacional culminou na redução das vendas e exportações do setor. O desaquecimento nas vendas do setor automotivo nos últimos meses, devido à desconfiança do consumidor, restrição ao crédito e retorno do IPI, agravou as dificuldades da indústria de pneus, principalmente das que destinam sua produção principalmente às montadoras de veículos (queda de 19,4% comparada com o primeiro bimestre de 2014).

Analisando o setor nos últimos dois meses, é possível observar que houve queda nas vendas para montadoras em todas as categorias: camionetas (-23,3%), passeio (-16,3%), duas rodas (-10,7%), agrícola (-15,6%), OTR (-46,82%) e industrial (-36,7%).   Da mesma forma o setor de exportação teve perda de 17% nos dois primeiros meses do ano, passando de 2,23 milhões para 1,85 milhões de pneus, fato este decorrente da diminuição de 29,5% nas vendas à Argentina.

Como resultado dessa conjuntura econômica houve a redução em 3,4% das vendas totais dos 11 fabricantes do país, que passaram de 12,44 milhões para 12,03 milhões de unidades. “A principal queda no mercado interno ocorreu nos pneus de carga (caminhões e ônibus), com 40,9% a menos do que no ano passado, refletindo o desaquecimento da economia e as dificuldades dos caminhoneiros e transportadores em modernizar a frota”, comenta Alberto Mayer, presidente da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos). Para ele este será um ano difícil para todos os setores da indústria, face aos ajustes econômicos necessários.

“Nossa expectativa é que o governo aproveite este período para criar condições de ampliar a competitividade industrial brasileira, de modo que possamos ter um início de reação dos mercados que seja consistente e crescente para termos um 2016 mais promissor”, diz Mayer.

O desaquecimento da economia e a alta do dólar também levaram à queda de 29,6% das importações de pneus novos (exceto duas rodas) no primeiro bimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 5,38 para 3,79 milhões de unidades.  A redução se deu tanto nas importações efetuadas pelas indústrias do setor para complementar sua linha, como pelos importadores independentes, que atendem apenas ao mercado de reposição. As importações dos fabricantes associados à ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneus) apresentaram queda mais brusca, de 37,7%, passando de 1,15 milhões de unidades no primeiro bimestre de 2014 para 716 mil no primeiro bimestre de 2015.

Houve um pequeno crescimento na produção total de pneus no país (passando de 11,70 milhões de unidades em 2014 para 11,83 milhões em 2015), decorrente principalmente do esforço da indústria em não parar a produção nas fábricas. Porém este fato mascara um problema sério da indústria: as vendas não acompanharam a produção de forma proporcional, ocasionando o aumento do estoque nas fábricas.

Produção dos fabricantes no país

(Dados ANIP, em milhões de unidades – 1° bimestre de 2014 para 1° bimestre 2015)

Pneus de carga: -7,2% (1,34 para 1,25)

Pneus de camioneta: -4,7% (1,50 para 1,43)

Pneus para passeio:  +5,5% (5,81 para 6,13)

Pneus para duas rodas: -1,5% (2,556 para 2,51)

Pneus agrícolas: -12,9 % (0,152 para 0,132)

Pneus OTR: -19,5 % (0,019 para 0,015)

Pneus industriais: +16,3% (0,321 para 0,3,73)

Fonte: ANIP

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