Vendas de caminhões pesados elétricos quase dobram na Europa em 2026

Por Victor Fagarassi

- junho 22, 2026

Caminhões elétricos Europa

O mercado europeu de caminhões elétricos manteve trajetória de crescimento no início de 2026. Dados divulgados pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) mostram que mais de 6,3 mil veículos comerciais elétricos foram registrados na Europa entre janeiro e março deste ano, um avanço de 41% em relação ao mesmo período de 2025.

O levantamento aponta que o segmento de caminhões pesados, com peso bruto superior a 12 toneladas, apresentou uma das maiores evoluções. A participação dos modelos de emissão zero passou de 1,4% para 2,3% do mercado em um ano. Segundo o ICCT, o crescimento pode estar relacionado à entrada em vigor da primeira meta de redução de CO₂ para o segmento, estabelecida em 15% a partir de julho de 2025.

Caminhões pesados na Europa
Caminhões pesados na Europa (Fonte: ICCT)

Já entre os veículos médios, com peso entre 3,5 e 12 toneladas, os modelos de emissão zero alcançaram participação de 19,7% nas vendas, indicando avanço da eletrificação também nas operações urbanas e regionais.

Caminhões pesados ampliam participação no mercado

As vendas de caminhões pesados elétricos passaram de aproximadamente 900 unidades no primeiro trimestre de 2025 para 1.600 unidades nos três primeiros meses de 2026, representando um crescimento próximo de 78%.

Entre os fabricantes, a Mercedes-Benz liderou o volume de vendas no período, com 530 caminhões comercializados e participação de 3,9% em seu mercado total. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo modelo eActros.

A MAN ocupou a segunda posição, registrando 411 unidades vendidas e participação de 3,6%, mais que triplicando o volume registrado no mesmo período do ano anterior. O crescimento foi impulsionado pelos modelos elétricos TGS e TGX.

A DAF também ampliou sua presença no segmento após iniciar a produção em série das linhas XD e XF elétricas em setembro de 2025. A fabricante comercializou quase 200 caminhões elétricos pesados no primeiro trimestre deste ano, ante apenas 12 unidades no mesmo período de 2025.

Entre os mercados nacionais, a Holanda liderou a adoção de caminhões pesados de emissão zero, com 338 unidades registradas e participação de 10,3%. Suécia e Dinamarca também apresentaram participação próxima de 10% em seus respectivos mercados.

Na França, o governo anunciou em março um programa de incentivos para aquisição de caminhões pesados elétricos, com subsídios variando entre 60 mil e 110 mil euros por veículo, válidos a partir de junho de 2026.

Comparação do número de venda dos caminhões pesados com emissão zero na Europa
Comparação do número de venda dos caminhões pesados com emissão zero na Europa

Crescimento desacelera entre veículos médios e vans

Embora o segmento de caminhões médios e vans elétricas continue em expansão, o ritmo de crescimento foi menor do que nos anos anteriores. As vendas registraram alta de 16% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado.

O avanço da eletrificação concentrou-se principalmente nas vans. Segundo o ICCT, mais de 64% das vans comercializadas no período foram modelos de emissão zero. Entre os caminhões médios, a participação foi de cerca de 7%.

Mercedes-Benz, Iveco e Ford responderam por aproximadamente 70% das vendas totais de caminhões e vans elétricos no mercado europeu.

Dinamarca, Suécia e Holanda permaneceram entre os países com maior participação de veículos de emissão zero nesse segmento, registrando índices de 57,7%, 60,7% e 68,9%, respectivamente.

De acordo com Eamonn Mulholland, especialista do ICCT, o mercado europeu precisará manter um ritmo elevado de crescimento para atender às metas de emissões previstas para o fim da década. Segundo ele, as vendas anuais de caminhões de emissão zero deverão crescer de cerca de 14 mil unidades registradas em 2025 para aproximadamente 65 mil unidades em 2030, o que representa uma taxa média de expansão de 35% ao ano.

O especialista ressalta, porém, que alterações recentes na regulamentação europeia de CO₂ ampliaram a possibilidade de obtenção de créditos pelos fabricantes, reduzindo a quantidade de caminhões elétricos necessária para o cumprimento das metas. Pelos cálculos do ICCT, antes da mudança regulatória cerca de 32% dos caminhões novos vendidos em 2030 precisariam ser de emissão zero. Após a revisão das regras, esse percentual foi reduzido para 16%.

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