A brasileira Tria, uma recém-chegada ao mercado de empilhadeiras, que já nasce com uma trajetória de 16 anos no segmento de locação como SDO Equipamentos, está capitalizando uma aposta feita em 2008: a de que o futuro da movimentação de carga indoor seria elétrico.
“Desde a nossa origem, sempre focamos muito mais em máquinas elétricas do que a combustão. Acreditávamos que, cedo ou tarde, as empresas teriam que atender à legislação e partir para equipamentos mais ambientalmente corretos, o que de fato vem acontecendo”, comenta Humberto Mello, diretor da empresa.
O especialista recorda que há 6 anos abraçou a tecnologia de lítio. E, por essa razão, desde então não participa mais de licitações envolvendo máquinas a combustão ou com baterias de chumbo-ácido.

Vantagens da troca
Para dimensionar os benefícios da migração elétrica, Humberto Mello cita o caso concreto de um cliente de locação de longa data. A empresa substituiu 25 a 27 empilhadeiras a gás por modelos elétricos a lítio.
“O valor da locação aumentou 50% para o cliente, em função do custo do equipamento ser maior. Porém, em três anos de contrato, a economia foi de R$ 1,5 milhão em gás”, revela. Nas contas do diretor, um turno de trabalho com uma empilhadeira elétrica a lítio custa cerca de R$ 15, contra R$ 200 de gás GLP para o mesmo período.
Além da economia com combustível, a confiabilidade dos novos equipamentos gerou uma redução drástica na necessidade de manutenção. “Nós tínhamos dois técnicos residentes na operação e um terceiro de plantão nos fins de semana. Com as máquinas elétricas a lítio, não houve mais necessidade de uma equipe de plantão e os dois técnicos residentes foram reduzidos para um só”, afirma o executivo.
A grande vantagem do lítio, segundo ele, é a “carga de oportunidade”. Enquanto uma bateria de chumbo-ácido exige 8 horas de carga após um turno, o lítio carrega 50% em cerca de 1 hora. Isso permite que um mesmo equipamento opere em três turnos, eliminando a necessidade de três baterias, como era no modelo antigo.
Outro nicho de mercado explorado pela Tria é a substituição de baterias de chumbo-ácido por lítio em máquinas antigas. “Hoje nós dispomos de bateria de lítio com tecnologia para substituir a bateria de chumbo das máquinas originalmente construídas com essa configuração, sem qualquer alteração no equipamento”, disse. A aceitação é tão alta que, em casos de teste, as baterias de lítio instaladas raramente são devolvidas – os clientes optam por mantê-las definitivamente.
Não sem motivo, Humberto Mello aposta que a transição para a eletrificação é irreversível. “É um movimento só de ida e não tem volta”, comenta convicto, satisfeito com o caminho que sua empresa começou a trilhar há mais de uma década.
Duas frentes
Durante a Intralog 2025, a Tria apresentou suas principais novidades, destacando-se em duas frentes tecnológicas: eletrificação com Baterias de Lítio e máquinas autônomas. A empresa anunciou sua capacidade de fornecer empilhadeiras contrabalançadas elétricas com lítio de até 25 toneladas e máquinas para movimentação de contêineres de até 45 toneladas, todas com a mesma tecnologia. Além disso, a Tria exibiu uma transpaleteira autônoma que se move do ponto A ao B sem operador. A tecnologia utiliza sensores e marcadores adesivos fixados no teto do galpão para geolocalização e navegação. A próxima investida da empresa será em máquinas que identifiquem e movimentem o pallet autonomamente.

