A falta de profissionais no transporte rodoviário de cargas tem ampliado a preocupação das empresas do setor e colocado a Geração Z no centro das estratégias de renovação da mão de obra. Em alusão ao mês do trabalho, a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) defende que investimentos em tecnologia, qualificação profissional e comunicação mais eficiente sobre a atividade são fundamentais para atrair jovens para a carreira.
Levantamento “Perfil e Preferências dos Caminhoneiros”, divulgado em 2025 pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mostra que a idade média dos motoristas profissionais no Brasil é de 45,3 anos. A maior parcela da categoria, equivalente a 32,6%, está concentrada entre 40 e 49 anos. Em contrapartida, apenas 9,5% dos profissionais têm menos de 30 anos, enquanto 12,9% possuem 60 anos ou mais, evidenciando a baixa renovação da força de trabalho no segmento.
O afastamento dos jovens da profissão também é refletido em pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT). Entre os principais fatores apontados estão o preconceito contra a categoria, citado por 70% dos entrevistados, seguido pela baixa remuneração, com 58%, e pelas condições de trabalho consideradas desfavoráveis, mencionadas por 51%.
O cenário já afeta diretamente as operações das transportadoras. Segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), 88% das empresas do setor enfrentam dificuldades para contratar motoristas e agregados. A consequência é o aumento da frota parada, limitações na expansão da capacidade logística e pressão sobre a produtividade das operações. A entidade aponta ainda que a falta de profissionais se tornou a segunda principal barreira para o crescimento do transporte rodoviário de cargas no país.
Uma nova visão
Para a FETCESP, a renovação da mão de obra exige mudanças estruturais e uma atualização da imagem do setor junto às novas gerações. A entidade destaca que muitos jovens ainda associam a atividade apenas ao modelo tradicional do caminhoneiro nas estradas, sem considerar a transformação tecnológica vivida pelo segmento nos últimos anos.
“O transporte rodoviário de cargas precisa mostrar de forma mais clara que oferece oportunidades de carreira, desenvolvimento profissional e acesso à tecnologia. Hoje, as empresas operam com processos profissionalizados, salários competitivos e benefícios estruturados, mas essa realidade ainda precisa chegar às novas gerações”, afirma Carlos Panzan, presidente da FETCESP.
A qualificação profissional também aparece como um dos pilares para enfrentar o déficit de mão de obra. O avanço da digitalização e da automação nas operações logísticas tem ampliado a demanda por profissionais preparados para operar sistemas de rastreamento, telemetria, gestão de frota e outras tecnologias embarcadas.
Nesse contexto, o SEST SENAT é apontado pela FETCESP como peça estratégica na formação e capacitação de novos profissionais para o setor. Além da qualificação técnica, a entidade atua em áreas ligadas à saúde, bem-estar e desenvolvimento humano dos trabalhadores do transporte. Segundo Carlos Panzan, que também preside o Conselho Regional do SEST SENAT, a modernização do transporte rodoviário pode aproximar a Geração Z da atividade.
“A nova geração valoriza conectividade, tecnologia e possibilidade de crescimento profissional. Hoje, caminhões contam com rastreamento em tempo real, telemetria, inteligência logística e gestão digital de frota. O desafio do setor é tornar essa transformação mais visível para os jovens”, afirma.
A FETCESP ressaltou que a renovação do transporte rodoviário de cargas passa não apenas pela formação técnica, mas também pela valorização da profissão e pela construção de uma comunicação mais próxima da realidade atual do segmento, cada vez mais tecnológico e integrado às novas soluções logísticas.