Transmissões manuais ainda resistem, apesar das vantagens das automáticas

Embora oferecem menos recursos tecnológicos em comparação às versões automáticas, as caixas manuais ainda possuem forte presença nos caminhões e ônibus produzidos no país

Por Gustavo Queiroz

- junho 23, 2025

Mercedes Benz Atego equipado com transmissão ZF Ecomid manual de 7 velocidades

Ao contrário da indústria automotiva global que avança em direção à eletromobilidade, o cenário para veículos comerciais na América do Sul segue marcado por uma diversidade de tecnologias. Em entrevista exclusiva para Frota&Cia, Caio Silva, gerente sênior da Linha de Produto de Tecnologias de Driveline para Veículos Comerciais da ZF América do Sul, detalha as tendências, os desafios regionais e as inovações que devem moldar o mercado brasileiro na próxima década.

Caio Silva, gerente sênior da Linha de Produto de Tecnologias de Driveline para Veículos Comerciais da ZF América do Sul
Caio Silva, gerente sênior da Linha de Produto de Tecnologias de Driveline para Veículos Comerciais da ZF

Enquanto a China avança rapidamente na eletrificação, Europa e EUA mantêm um ritmo mais moderado, com forte presença de transmissões automáticas e híbridas”, comenta o profissional. Já na América do Sul, o cenário é mais complexo. “Aqui, além das automáticas e da eletrificação, ainda temos um mercado significativo de transmissões manuais“.

É claro que a eletrobilidade aplicada aos caminhões ônibus também alcançará o Brasil a médio e longo prazo, mas sem eliminar outras opções. “Seremos provavelmente a última região a manter veículos comerciais com transmissões manuais nos próximos 10 anos. Não por desempenho, mas por custo e infraestrutura de manutenção”, afirma categórico“.

Troca antecipada

Hoje, segundo o executivo, uma transmissão automática é mais confiável e, em alguns casos, mais eficiente no consumo de combustível do que a versão manual. “O entrave é a rede de serviços, que ainda não está totalmente preparada para essa tecnologia“, diz o executivo.

Em que pese esse atraso tecnológico, o representante da empresa lembra que o componente está em constante atualização tecnológica, com o objetivo de oferecer mais facilidades aos usuários, aliado à redução de custos um maior controle da gestão da frota.

ZF TraXon Intarder
Caixa ZF TraXon com sistema Prevision

Um bom exemplo disso é a inteligência artificial e a conectividade que já são realidade no universo das transmissões. Prova disso é o sistema Prevision, da ZF, que usa GPS para antecipar trocas de marchas ideais em aclives ou declives, reduzindo consumo. “A tecnologia pode representar uma economia significativa para o frotista“, observa Silva. “Além disso, sensores predizem a necessidade de manutenção, na forma de alertas sobre desgaste excessivo ou troca de óleo, que colaboram para otimizar a vida útil do produto“.

Para os próximos anos, a aposta da ZF está nas transmissões híbridas, além de outras inovações (ver quadro). “Em veículos pesados, como aqueles utilizados no agronegócio, faz mais sentido do que 100% elétrico, devido aos longos trajetos”, esclarece o executivo.

Ainda que bastante distante da realidade brasileira, os veículos autônomos também estão no radar da ZF. “A transmissão em si não muda, mas precisamos de dados do veículo para calibrar o software“, explica Caio Silva. Não sem motivo, a empresa participa ativamente desses desenvolvimentos, garantindo que suas transmissões sejam compatíveis com a autonomia de nível 4 ou 5, segundo a escala da SAE.  Em uma outra ponta, a ZF planeja fechar seu portfólio com motores e eixos elétricos para todas as aplicações – de ônibus urbanos a caminhões de carga. “Vamos cobrir todo o espectro, desde veículos leves até extra-pesados“, garante o gerente.

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *