Ao contrário da indústria automotiva global que avança em direção à eletromobilidade, o cenário para veículos comerciais na América do Sul segue marcado por uma diversidade de tecnologias. Em entrevista exclusiva para Frota&Cia, Caio Silva, gerente sênior da Linha de Produto de Tecnologias de Driveline para Veículos Comerciais da ZF América do Sul, detalha as tendências, os desafios regionais e as inovações que devem moldar o mercado brasileiro na próxima década.

“Enquanto a China avança rapidamente na eletrificação, Europa e EUA mantêm um ritmo mais moderado, com forte presença de transmissões automáticas e híbridas”, comenta o profissional. Já na América do Sul, o cenário é mais complexo. “Aqui, além das automáticas e da eletrificação, ainda temos um mercado significativo de transmissões manuais“.
É claro que a eletrobilidade aplicada aos caminhões ônibus também alcançará o Brasil a médio e longo prazo, mas sem eliminar outras opções. “Seremos provavelmente a última região a manter veículos comerciais com transmissões manuais nos próximos 10 anos. Não por desempenho, mas por custo e infraestrutura de manutenção”, afirma categórico“.
Troca antecipada
Hoje, segundo o executivo, uma transmissão automática é mais confiável e, em alguns casos, mais eficiente no consumo de combustível do que a versão manual. “O entrave é a rede de serviços, que ainda não está totalmente preparada para essa tecnologia“, diz o executivo.
Em que pese esse atraso tecnológico, o representante da empresa lembra que o componente está em constante atualização tecnológica, com o objetivo de oferecer mais facilidades aos usuários, aliado à redução de custos um maior controle da gestão da frota.

Um bom exemplo disso é a inteligência artificial e a conectividade que já são realidade no universo das transmissões. Prova disso é o sistema Prevision, da ZF, que usa GPS para antecipar trocas de marchas ideais em aclives ou declives, reduzindo consumo. “A tecnologia pode representar uma economia significativa para o frotista“, observa Silva. “Além disso, sensores predizem a necessidade de manutenção, na forma de alertas sobre desgaste excessivo ou troca de óleo, que colaboram para otimizar a vida útil do produto“.
Para os próximos anos, a aposta da ZF está nas transmissões híbridas, além de outras inovações (ver quadro). “Em veículos pesados, como aqueles utilizados no agronegócio, faz mais sentido do que 100% elétrico, devido aos longos trajetos”, esclarece o executivo.
Ainda que bastante distante da realidade brasileira, os veículos autônomos também estão no radar da ZF. “A transmissão em si não muda, mas precisamos de dados do veículo para calibrar o software“, explica Caio Silva. Não sem motivo, a empresa participa ativamente desses desenvolvimentos, garantindo que suas transmissões sejam compatíveis com a autonomia de nível 4 ou 5, segundo a escala da SAE. Em uma outra ponta, a ZF planeja fechar seu portfólio com motores e eixos elétricos para todas as aplicações – de ônibus urbanos a caminhões de carga. “Vamos cobrir todo o espectro, desde veículos leves até extra-pesados“, garante o gerente.
