Dana mira o presente, sem perder o foco no futuro

Empresa investe em soluções para veículos  atuais mas, também, os movidos a combustíveis alternativos, incluindo a eletrificação para estar prepara quando essa demanda acontecer

Por Victor Fagarassi

- junho 20, 2025

Portfólio de componentes para veículos elétricos da Dana

Apesar do avanço da eletromobilidade em nível mundial, a indústria de eixos para veículos comerciais no Brasil não deve passar por mudanças radicais no curto e médio prazo. Mesmo que já circulem entre nós caminhões e ônibus 100% elétricos, é certo que a transição para essa nova tecnologia deve demandar muito mais tempo no caso brasileiro, por inúmeras razões.

Acreditamos que o Brasil seguirá um caminho diversificado, com eletrificação mais forte em centros urbanos e alternativas como etanol e híbridos em longas distâncias“, avalia Fábio Murta Mejias, marketing comercial de Aftermarket da Dana no Brasil (ver quadro).

Fábio Murta Mejias, marketing comercial de Aftermarket da Dana no Brasil
Fábio Murta Mejias, marketing comercial de Aftermarket da Dana no Brasil

Ao seu ver, os veículos médios e pesados devem manter a configuração tradicional com eixos cardã e diferenciais, mesmo com a substituição de motores a combustão por elétricos. “Pelo que observamos em projetos internacionais, os motores elétricos em caminhões costumam ficar no centro ou na frente do veículo, mantendo a necessidade de transmissão mecânica para distribuir a força“, explica o marqueteiro da Dana.

Contudo, em aplicações de menor porte, como veículos de última milha, soluções como eixos eletrificados, que integram o motor diretamente ao diferencial, podem ganhar relevância, ressalta o entrevistado. “Nesses casos, elimina-se o eixo cardã e a transmissão convencional, mas o eixo diferencial permanece, ainda que com adaptações“.

Cenários diferentes

Diante dessa diversidade tecnológica, a Dana adotou uma estratégia “agnóstica” para atender as diferentes demandas globais das montadoras de veículos. Nos últimos anos, a empresa adquiriu fabricantes de motores elétricos, inversores e softwares, estruturando uma unidade de negócios dedicada a tecnologias de descarbonização.

Caminhão equipado com sistemas de acionamento direto Spicer Electrified
Caminhão equipado com sistemas de acionamento direto Spicer Electrified

Apesar da confiança na tecnologia, não faltam entraves para a eletrificação em larga escala, sobretudo em países em desenvolvimento como o nosso. O primeiro é o custo elevado do componente e agregados, o que torna os veículos elétricos muito mais caros que os convencionais. Junte-se a isso, o fato da eletromobilidade não contar com incentivos financeiros atraentes, sejam governamentais ou privados, para uma compra incentivada.

Outro fator que pesa contra é a infraestrutura de recarga. Caminhões de longa distância exigiriam pontos de recarga rápidos e estratégicos, algo ainda incipiente no Brasil. Por fim, acrescente a essa lista, a baixa aceitação da novidade por parte dos transportadores. A demanda por veículos elétricos não cresceu na velocidade esperada, mesmo em mercados mais maduros, como Europa e EUA.

Seja como for, o executivo destaca que a empresa está afinada com os objetivos de descarbonização do transporte e não apenas com a eletrificação. “Uma série de mercados vão ter demandas diferentes. E não dá para apostar em um modelo de negócio único”, garante Fábio Murta.

Fábio Murta Mejias se vale da expressão “tecnologias adaptáveis”, para definir o momento atual da indústria de eixos, diante do avanço da eletrificação.  “Seja qual for o caminho das montadoras, estamos preparados. Temos soluções tanto para veículos elétricos quanto híbridos ou movidos a gás natural”. Segundo o representante da Dana, enquanto o Brasil define seu ritmo na transição energética, a indústria de eixos segue em evolução, mas sem revoluções imediatas no segmento de caminhões.

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