Synerjet trará “avião aquático” elétrico para cargas e passageiros na América Latina

Com velocidade de 300 km/h e capacidade maior que a de um helicóptero, embarcação da REGENT promete entregas cais-a-cais em minutos, não horas

Por Gustavo Queiroz

- fevereiro 5, 2026

Synerjet Seaglider

A Synerjet firmou um acordo de encomenda para 10 unidades do veículo marítimo-elétrico “Seaglider“, desenvolvido pela empresa estadunidense REGENT Craft, com o objetivo declarado de implementar uma rede de transporte de carga de alta velocidade e zero emissões nas rotas costeiras e fluviais da América do Sul e Central. O modelo inicial, designado Viceroy, possui capacidade nominal para 12 passageiros, mas a encomenda tem como foco principal a validação e o desenvolvimento de aplicações logísticas especializadas.

Tecnicamente classificados como embarcações de efeito solo (Wing-in-Ground, ou WIG), os Seagliders operam em um regime híbrido. A embarcação inicia a operação como um barco convencional. Ao ganhar velocidade, eleva-se sobre hidrofólios e, subsequentemente, transita para o voo em efeito solo, mantendo-se a uma altura constante de poucos metros acima da superfície da água. Esta fase de “voo” é sustentada pela interação aerodinâmica entre as asas e a superfície (efeito solo), permitindo velocidades de até 300 km/h. A propulsão é totalmente elétrica, alimentada por baterias, com um alcance operacional anunciado de até 300 quilômetros por carga.

A encomenda da Synerjet direciona a tecnologia para o segmento de carga expressa e logística de alto valor. A versão atual do Viceroy tem uma capacidade de carga útil superior a 1.600 kg, volume que excede a capacidade média de helicópteros de transporte utilitário leve. O perfil de operação “cais-a-cais” elimina a necessidade de infraestrutura aeroportuária complexa, reduzindo tempos de transbordo e congestionando pontos críticos em portos convencionais.

Synerjet Seaglider
Synerjet Seaglider | Foto: Divulgação

Para a logística regional, a tecnologia promete conectar centros de distribuição costeiros e insulares em fração do tempo do transporte marítimo tradicional, competindo com o transporte aéreo em custo operacional e pegada de carbono. Rotas potenciais identificadas para análise incluem ligações entre portos principais e secundários, como Santos (SP) e Ilhabela (SP), ou Buenos Aires (Argentina) e Montevidéu (Uruguai), com tempos de viagem reduzidos de horas para meros minutos. A navegação em efeito solo oferece maior estabilidade e eficiência energética comparada ao voo convencional em baixa altitude, enquanto a certificação como embarcação simplifica os requisitos regulatórios em comparação com aeronaves.

A REGENT superou desafios históricos dos ekranoplanos — veículo similar de origem soviética como baixa tolerância a ondas e instabilidade — por meio da integração de hidrofólios ativos e um sistema de controle de voo totalmente automatizado. Este sistema gerencia automaticamente as transições entre os modos de navegação, hidrofólio e efeito solo, otimizando o desempenho e a segurança conforme as condições do mar.

O cronograma do projeto prevê o início dos voos de teste do protótipo Viceroy ainda em 2026. Paralelamente, a REGENT avança no desenvolvimento de uma plataforma maior, com capacidade para até 100 passageiros, que poderia escalar significativamente o volume de carga transportável.

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