O mercado automotivo brasileiro encerrou o mês de outubro com um volume total de 493.348 unidades emplacadas, representando uma alta de 4,84% em relação a setembro e um crescimento de 8,96% na comparação com outubro de 2024. Os dados consolidados pela Fenabrave (Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores) apontam que, no acumulado de janeiro a outubro, o setor atingiu a marca de 4.193.560 de unidades, um avanço de 7,63% frente ao mesmo período do ano anterior. O desempenho positivo no mês, que contou com 23 dias úteis, foi influenciado por um ritmo diário de vendas superior e por um ambiente de crédito mais funcional, conforme análise da entidade.
Dentro do panorama geral, os segmentos de veículos pesados e implementos apresentaram cenários heterogêneos. O mercado de caminhões registrou o seu segundo mês consecutivo de alta em outubro, um sinal de recuperação pontual, com 10.462 unidades registradas (+9,07% sobre setembro). Contudo, no cálculo do ano, o segmento ainda acumula desempenho negativo, com 92.317 unidades de janeiro a outubro (-8,04%). De acordo com Arcelio Junior, presidente da Fenabrave, a volatilidade em setores-chave como agro, construção e indústria, que demandam intensivamente esse tipo de veículo, continua a condicionar os investimentos e a dinâmica de negócios. A expectativa é que os resultados positivos dos últimos dois meses possam amenizar, mas não reverter completamente, a projeção de queda para o fechamento de 2025.
A performance dos implementos rodoviários espelhou a de caminhões em outubro, com 6.470 unidades, também refletindo a instabilidade dos grandes setores econômicos aos quais está atrelado. O segmento, que atingiu seu pico de vendas em 2021, ainda não conseguiu retomar um patamar de desempenho considerado robusto, permanecendo em território negativo no acumulado do ano, com 60.168 unidades, uma retração de 19,94%.
Já o segmento de ônibus vem demonstrando uma desaceleração progressiva ao longo de 2025. A Fenabrave atribui essa tendência ao esgotamento dos pedidos vinculados ao Programa Caminho da Escola e a um menor volume de investimentos por parte das empresas de transporte urbano e turismo. Consequentemente, os resultados acumulados ficaram abaixo das estimativas iniciais para o período. A federação projeta, contudo, uma recuperação gradativa que poderá elevar as vendas do segmento em até 6% até o final do ano. Foram emplacadas 2.419 unidades no mês passado e 23.659 nos dez primeiros meses.
Agro
Em contraste com o cenário mais moderado dos pesados, o segmento de tratores apresentou um desempenho vigoroso. As vendas acumuladas entre janeiro e setembro de 2025 cresceram 19,6% na comparação com igual período de 2024. Especificamente em setembro, o volume comercializado foi 15,7% superior ao de agosto e 27,5% maior que o registrado em setembro do ano anterior. Arcelio Junior destacou que a maior parte das vendas é concentrada em tratores de 100hp, modelo predominantemente adquirido por produtores rurais de pequeno porte.
Em colheitadeiras, foram comercializadas 362 unidades no atacado. No acumulado de janeiro até setembro, o setor observou expansão de 13,7% e na comparação com o mesmo período de 2024. “Estamos em um ano de ótima safra, o que deveria estimular a renovação dos maquinários agrícolas como as colheitadeiras. Mas, mesmo com esse bom desempenho no atacado, as vendas no varejo ainda não alcançaram os mesmos patamares”, reflete o Presidente da Fenabrave.
Linha leve
O agrupamento de automóveis e comerciais leves superou a marca de dois milhões de unidades emplacadas no acumulado até outubro. O Presidente da Fenabrave ressaltou que o Programa Carro Sustentável tem sido um vetor crucial para o desempenho do segmento, gerando um crescimento acumulado de 26,1% nas vendas dos veículos participantes desde sua implantação, devido à redução ou isenção do IPI. Ele ponderou, no entanto, que as altas taxas de juros permanecem como um entrave significativo para um crescimento mais expressivo.
Dentro dos comerciais leves, a motorização híbrida se destacou, com 158.248 unidades emplacadas no acumulado até outubro, um salto de 82,35% em relação a 2024, consolidando-se como a tecnologia eletrificada preferida pelo mercado. Por outro lado, os veículos elétricos puros tiveram uma retração em outubro frente a setembro, atribuída em parte ao calendário de dias úteis. A Fenabrave avalia que o crescimento deste nicho é mais gradual, dependente do aprimoramento da infraestrutura de recarga para ganhar maior tração.
Para o conjunto do setor automotivo, a projeção da Fenabrave para o fechamento de 2025 é de um aumento de 7,2% nos emplacamentos totais. A entidade ressalta que, apesar do cenário de juros elevados que impacta todos os segmentos, fatores como a melhora no fluxo de crédito e políticas públicas setoriais têm sustentado a conversão da intenção de compra em vendas efetivas.