O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo e Região (SETCESP) comemorou 90 anos de fundação em 2026 com uma grande festa no Centro de Convenções do Anhembi. Para marcar a data e discutir os rumos do setor, o presidente da entidade, Marcelo Rodrigues, concedeu uma entrevista exclusiva. Confira abaixo:
Frota&Cia: O SETCESP acaba de completar 90 anos. O que representa para o setor uma entidade com essa história?
Marcelo Rodrigues: É um marco histórico. Temos a honra e o orgulho de ser o segundo sindicato mais antigo do país. A relevância se comprova pela presença maciça de autoridades e personalidades em nossa festa de aniversário. Conseguimos colocar o SETCESP no seu devido lugar de respeito. A entidade nasceu da luta por uma estrada que ligasse São Paulo a Santos e foi fundamental na criação da Via Anchieta, mostrando nossa tradição de representação.
Frota&Cia: E hoje, o que o SETCESP oferece concretamente aos seus associados?
MR: Hoje, dependemos muito mais do associativismo do que do sindicalismo puro. Oferecemos orientação jurídica e técnica, serviços alinhados ao dia a dia do transportador e uma rede de contatos (network) poderosa. O associado tem acesso ao que há de melhor nas práticas do setor. Temos ainda diversas comissões e diretorias de especialidades, como a de cargas fracionadas, que discutem questões pontuais e buscam as melhores soluções para cada segmento.
Frota&Cia: Em um ano eleitoral como 2026, quais são as principais bandeiras da entidade?
MR: Como não poderia deixar de ser em ano político, nossa busca será junto a candidatos e futuros governantes por melhores condições de infraestrutura, mais segurança e menos oneração para o transporte. Tudo onera: burocracia, restrições, buracos nas estradas, pedágios. Vamos atrás de propostas que desonerem nosso segmento e reduzam essa carga tributária e burocrática. É tradição do SETCESP trazer candidatos, especialmente ao governo de São Paulo, para apresentarem suas propostas aos nossos empresários.
Frota&Cia: Como o sindicato fomenta a transformação digital e a inovação no setor?
MR: Orientamos para as melhores práticas. A tecnologia embarcada é uma realidade sem volta. O grande entrave, porém, é a modernização das pessoas. Temos um desafio gigantesco: a idade média dos nossos motoristas está muito alta comparada à dos novos entrantes, que têm mais aptidão com a tecnologia. Há um gap na estrutura de trabalhadores. Nosso papel é orientar o empresário a buscar as tecnologias disponíveis no mercado junto aos fornecedores.
Frota&Cia: E sobre a descarbonização e as práticas ESG?
MR: Nosso papel é orientar e debater. Temos uma comissão de sustentabilidade muito ativa, que deu origem ao Prêmio SETCESP de Sustentabilidade – realizamos a 11ª edição no ano passado. Sempre trazemos o assunto à tona junto aos entes públicos e empresas interessadas, colocando o tema em discussão para o transportador. Cabe a cada empresário aplicar as práticas em sua operação.
Frota&Cia: Qual a posição do SETCESP sobre o programa de renovação de frota anunciado pelo governo federal?
MR: Acredito que é um ótimo programa, muito melhor que a primeira versão. Até hoje já foram utilizados cerca de R$ 1,8 bilhão dos R$ 10 bilhões disponíveis, o que mostra a adesão rápida. O programa permite a retirada de veículos mais poluentes do mercado e oferece taxas de juros muito mais atrativas, na casa de 13% a 14%, contra 20% a 25% do mercado. É um fator importantíssimo.
Frota&Cia: É possível que um programa como esse se torne permanente?
MR: Claro que sim. Se conseguirmos institucionalizar isso, tenho certeza de que será mantido por qualquer governo futuro. É um benefício triplo: para a população (menos poluição), para o transportador (juros baixos e frota moderna) e para a indústria. Todos ganham. Não vejo motivos para não dar certo.
Frota&Cia: Para finalizar, quais as perspectivas para 2026?
MR: Será um ano de muitos desafios, com Carnaval, eleições e Copa do Mundo. Mas o ano já começou com força. Temos boas perspectivas. O SETCESP está aqui para apoiar o empresário transportador em tudo o que ele precisar.
Confira, também, a entrevista completa em vídeo:

