Motiva lucra R$ 3,27 bi em 2025, com alta de 162,6%

Concessionária antecipa em um ano meta de eficiência operacional e investe R$ 8,7 bi, mesmo com venda de aeroportos

Por Gustavo Queiroz

- fevereiro 11, 2026

Motiva Concessionária de Infraestrutura S.A.

A Motiva Concessionária de Infraestrutura S.A. reportou um lucro líquido consolidado de R$ 3,27 bilhões no exercício de 2025, um crescimento de 162,6% ante os R$ 1,25 bilhão apurados em 2024. No quarto trimestre, o lucro atingiu R$ 605,7 milhões, uma alta de 178,1% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pela racionalização do portfólio, com a saída das operações de Barcas (RJ) e da concessionária ViaOeste (SP), pela repactuação da BR-163 (MS) e por ganhos operacionais sustentados nas plataformas de Rodovias, Trilhos e Aeroportos. Em base ajustada, que exclui efeitos não recorrentes, o lucro líquido foi de R$ 2,23 bilhões no ano, alta de 25%.

A receita líquida ajustada totalizou R$ 15,30 bilhões em 2025, incremento de 5,2% em relação a 2024, beneficiada por reajustes tarifários no segmento rodoviário e por um aumento de 21,8% nas receitas complementares, principalmente em Trilhos, com a expansão da área bruta locável em estações de São Paulo e Bahia. No quarto trimestre, a receita líquida ficou em R$ 4,05 bilhões, crescimento de 6,8%.

O Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 9,52 bilhões no acumulado do ano, com margem expandindo 5,3 pontos percentuais (p.p.) para 62,3%. No trimestre, o Lajida ajustado cresceu 25,2%, para R$ 2,53 bilhões, com margem de 62,4% (alta de 9,2 p.p.). A melhoria da rentabilidade é atribuída à performance de ativos recentes, como PRVias e Rota Sorocabana, e aos ganhos de eficiência decorrentes do plano estratégico.

Os resultados demonstram a consolidação do processo de transformação da Motiva, com foco na criação de valor sustentável através de um crescimento mais sinérgico, da aceleração da agenda de eficiência e da simplificação do portfólio. Entregamos um aumento de dois dígitos no Lajida, acima do compromisso assumido no plano Ambição 2035”, afirmou Miguel Setas, CEO da Motiva.

Um dos principais indicadores de eficiência operacional, a relação entre Opex (despesas operacionais) em Caixa e a Receita Líquida Ajustada, encerrou 2025 em 37,5% (considerando os últimos doze meses). Com isso, a companhia antecipou em um ano a meta de 38% originalmente prevista para 2026.

A despeito do volume recorde de investimentos (CAPEX) no ano, que somou R$ 8,7 bilhões (alta de 17,5%), a alavancagem líquida ajustada (dívida líquida/Lajida) manteve-se estável em 3,6 vezes no fechamento de dezembro. A estrutura de dívida foi alongada, com o volume de obrigações com vencimento a partir de 2032 subindo de 51% para 54% na comparação entre os quartos trimestres de 2024 e 2025. O prazo médio (duration) da dívida atingiu 5,9 anos.

Desempenho por segmento

Excluindo os efeitos de aquisições e desinvestimentos recentes, a demanda na plataforma de Rodovias cresceu 2,4% em 2025, para 981,9 milhões de veículos. Em Aeroportos, o fluxo de passageiros aumentou 7%, totalizando 42,5 milhões. Na plataforma de Trilhos, após a exclusão do negócio de Barcas, o número de passageiros transportados subiu 2,1%, para 754,8 milhões, com destaque para a ocupação nas linhas de São Paulo e para o VLT Carioca, beneficiado pelo Terminal Intermodal Gentileza (RJ).

Projeção para 2026

A Motiva realizou o maior programa de investimentos de sua história em 2025, com CAPEX total de R$ 8,7 bilhões. Deste montante, R$ 6,5 bilhões foram alocados em Rodovias, com foco nas obras de ampliação de capacidade na Via Dutra e no avanço acelerado da obra da Serra das Araras, prevista para conclusão em 2027, dois anos antes do prazo contratual. Em Trilhos, os investimentos somaram R$ 1,3 bilhão, direcionados principalmente às linhas 8 e 9 (SP). Em Aeroportos, os aportes foram de R$ 780 milhões, com a conclusão da Fase 1B de modernizações.

Para 2026, a projeção da companhia é investir R$ 8,3 bilhões, já desconsiderando a plataforma de Aeroportos, que está em processo de venda. Desse total, R$ 7,2 bilhões estão destinados a Rodovias e R$ 941 milhões para a expansão da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, incluindo a construção de duas novas estações.

Outros destaques

Em novembro de 2025, a Motiva firmou aditivo na concessão da SPVias, alongando o prazo contratual em 322 dias, e foi vitoriosa no leilão da Rodovia Fernão Dias. No quarto trimestre, anunciou a venda de sua plataforma de Aeroportos para a mexicana ASUR por R$ 11,5 bilhões em enterprise value (equity mais dívida assumida), o que representa um múltiplo de 8,8 vezes o EV/Ebitda. Os resultados dos aeroportos passam a ser reportados na linha “Operações Descontinuadas”.

A companhia também divulgou seu Relatório de Sustentabilidade, agora alinhado à Resolução CVM 193/23, que implementa as normas internacionais IFRS S1 e S2 no Brasil, exigindo a divulgação de riscos e oportunidades materiais ligados a questões ESG.

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