Seca na hidrovia Tietê-Paraná causa prejuízo de R$ 37 milhões ao agronegócio

Por Freelers

- outubro 10, 2014

R$ 37 milhões. Este é o valor estimado que o agronegócio brasileiro viu ir por água abaixo com a interdição das atividades de transporte de carga em alguns trechos da hidrovia Tietê-Paraná na safra 2013/2014. A estiagem prolongada e o aumento da geração de energia nas usinas hidrelétricas de Ilha Solteira e Três Irmãos em detrimento da navegação são apontadas por especialistas como as principais causas da paralisação, que se arrasta desde maio. O transporte teve que ser feito majoritariamente por rodovia, cujo frete é mais alto. “Tivemos períodos de estiagem prolongada em outros anos, mas com menos intensidade”, explica Renato Pavan, Presidente do Conselho de Logística e Infraestrutura da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). 
 
A navegação foi suspensa apenas em alguns trechos do trajeto de 2,4 mil quilômetros, como entre o km 128 do reservatório de Três Irmãos e a eclusa inferior de Nova Avanhandava, em Buritama (SP). Mas foi o suficiente para fazer o volume médio anual de cargas transportadas, especialmente soja, farelo e milho cair de 2,5 milhões de toneladas para 500 mil toneladas. 
 
“Essa interrupção acabou por desarticular tudo o que já vinha sendo feito em termos de transporte hidroviário na região”, afirma Edeon Vaz Ferreira, Diretor Executivo do Movimento Pró-Logística, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT). Luiz Fernando Horta Siqueira, presidente do Sindicato dos Armadores do Estado de São Paulo concorda. Para ele, a situação afeta diretamente a credibilidade do transporte hidroviário como uma alternativa viável. “Muitos produtores e empresas, na hora de fazerem o planejamento da safra colocarão a hidrovia como uma incerteza”, diz. 
 
Ferreira explica que as cargas não deixaram de ser escoadas até o porto porque as tradings responsáveis pelo transporte acabaram por desviar o que seria levado de hidrovia para a rodovia. “Isso acabou gerando um aumento do custo de transporte da ordem de 30% para os carregadores, em um momento de baixo preço das commodities. Uma hora esse custo será repassado ao produtor”, explica.
 
FONTE: ABTC
Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *