Vem do sul, uma das maiores e mais ousadas referências de transportes no país. O grupo Farrapos se destaca não somente pela grandiosidade de sua extensão, atendendo o Sul, Sudeste e Nordeste do país por meio de 30 unidades estabelecidas nessas regiões, mas também pela forma como se consolidou pelos investimentos anuais significativos injetados no crescimento da companhia.
Somente neste ano, está planejando direcionar aportes consideráveis na ampliação de suas operações por meio de três ou quatro novas unidades nas regiões Sudeste e Nordeste. “As unidades serão voltadas aos mais variados setores que demandam nessas regiões. Há uma oportunidade exponencial de operação nesses locais”, afirma Ismael Zorzi, CEO da companhia,
Zorzi, tem acertado as suas estratégias de atendimento ao mercado de transporte demonstrando êxito fora do comum, pois a companhia tem visto os negócios crescerem a uma média de 40% ao ano, percentual que deve ser alcançado em 2023.
Ele ainda demonstra ampla consciência sobre o capital humano da empresa e se antecipou às consequências da pandemia, se preocupando em oferecer estrutura adequada ao quadro de funcionários nessa época tão crítica. “Nos 3 primeiros meses, quando todo mundo entrou em pânico, nós fizemos um trabalho adiantado e aumentamos o setor de RH fazendo contratações, quando todo mundo estava demitindo. Fizemos um recrutamento de psicólogos porque a gente já entendia toda a questão de trauma que viria com a pandemia”, revela.
Na entrevista abaixo para a Frota&Cia, ele relata como o grupo Farrapos despontou da pequena cidade de Garibaldi (RS) para estar entre os maiores do país.
Frota&Cia – Como o Grupo Farrapos consegue margens tão altas anuais de crescimento?
Ismael Zorzi – Tenho uma visão muito particular. O Brasil tem uma cultura de varejo presencial. Vínhamos de 2020 com um confinamento, de 2021 de um semiconfinamento. E isso repercutiu bastante em 2022, quando o varejo abriu de fato. Essa visitação das pessoas às lojas e a volta da questão do comércio físico impactou definitivamente. E 2022 foi uma retomada de dois anos, praticamente, desse confinamento. Então, teve o retorno do varejo…o carro-chefe foi mesmo o varejo. Muitas pessoas para comprar roupas, utensílios e itens diversos têm esse hábito de ir presencialmente, olhar, experimentar, sentir. Essa questão do presencial é muito importante por causa do consumo propriamente dito. E o mercado tem muito isso também do negócio de público do varejo. Então esse movimento predominou muito no crescimento.
Frota&Cia – O Grupo Farrapos tem tido um desempenho exemplar de crescimento nos últimos anos. Ao que se atribui essas margens sucessivas de expansões, de 40% ao ano, registradas pela companhia?
Ismael Zorzi – 2022 foi um ano atípico por causa dessa expectativa de mudança de governo. Tivemos uma série de situações, mas conseguimos um crescimento já traçado. Em 2022 planejamos atingir 43% de crescimento e chegamos a 44%. Nós somos uma empresa multifacetada, pois atendemos vários setores e obtivemos incremento em todos eles. Não teve algum específico que puxou. Ano passado, por exemplo, foi de expectativas, de eleições, e mesmo assim houve um círculo de vendas ainda continuado. Todos os setores reagiram muito bem para nós. Os cinco principais setores que atuamos com ênfase foram o calçadista, automotivo, têxtil, varejo (alimentos), autopeças e fármaco.
Frota&Cia- Qual o tamanho da frota do grupo Farrapos atualmente? Há intenções de aderir aos caminhões Euro6?
Ismael Zorzi – Nossa frota operacional é de 600 veículos. Sempre trabalhamos com planejamento de um ano antecipado. Então quase todos os veículos, já foram negociados no ano passado. Em relação ao Euro 6, ficou inviável matematicamente porque os custos subiram R$150 mil a R$200 mil, dependendo do veículo. Como negociamos os pedidos ainda no ano passado, e com negociações em cima do Euro 5, acabamos recebendo a frota de 45 caminhões nesse modelo. Para esse ano, estamos esperando a reação do mercado em relação ao Euro 6. Mas as próprias fábricas sentiram uma queda abrupta nas vendas. O custo do caminhão está muito alto. Há veículos que estão saindo por volta de R$ 1 milhão somente o cavalo. Hoje, para colocar um conjunto cavalo e carreta, precisa-se disponibilizar R$1,2, R$1,3milhão, dependendo do modelo.
Frota&Cia- Quais as expectativas de crescimento para 2023 e como vê o mercado atualmente?
Ismael Zorzi – Em torno de margem de lucro, considerando pressão inflacionária, além de custos operacionais, a expectativa é de atingirmos 38%. Mas acredito que devemos chegar a 40%, que é a nossa média anual. Em relação ao cenário, somos filhos de crises, pois o Brasil, desde que foi descoberto, passa por sucessivas crises. Mas o problema que vejo muito são essas oscilações políticas. E a gente precisaria vislumbrar um cenário de 5 a 10 anos adiante com mais equilíbrio. Só que isso acaba se tornando períodos mensais, bimensais, semestrais, pois temos uma legislação que muda, assim como as leis, frequentemente. E isso é muito conflituoso hoje em dia. Então planejamos seguidamente, mudando pontualidades, o que não é o ideal, mas é a nossa maneira de manter as metas e objetivos alinhados.
Frota&Cia – Quais as novidades para este ano?
Ismael Zorzi – Estamos com a intenção de ampliar nossas operações adicionando 3 ou 4 unidades ainda neste ano. Essas unidades devem ficar sediadas na região Sudeste e Nordeste. São oportunidades regionais que estamos visualizando dentro das nossas operações. Então vamos trabalhar mais essas operações nos vários setores que a região contempla, pois há um leque imenso a conquistar. Hoje, no Sudeste, já atuamos com nossos terminais (HUBs) e unidades espalhadas para operação com toda a cadeia logística.
Temos uma dinâmica bem diversificada no setor nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Tivemos uma atenção importante em ampliar as nossas bases, nossos CDs, e hoje contamos com 30 unidades que perfazem a operação logística da empresa.
Frota&Cia – E quais os investimentos previstos para este ano?
Ismael Zorzi – Nossos investimentos para 2023 devem ser na mesma proporção dos anos anteriores. Para se ter uma ideia, no ano passado, investimos por volta de R$20 milhões em novas unidades, frota, tecnologia, terminais, visando toda parte de ampliação e reestruturação. Tivemos muitas ampliações, tanto físicas quanto operacionais nesse aspecto. Nós também temos um comportamento de planejar ações indo na contramão do mercado em geral. Por exemplo, como já entendíamos a questão dos traumas que viriam com a pandemia em 2020, a Farrapos, ao invés de demitir contratou em torno de 97 colaboradores. Não fizemos nenhuma demissão em 2020. Pelo contrário, mantivemos todos os colaboradores.
Hoje contamos com um quadro de 600 funcionários e mais 1500 colaboradores indiretos. Fizemos um senso que chegou a uma conta interessante aqui. A Farrapos tem um viés social muito importante, pois são 2.100 pessoas que trabalham para a Farrapos. E nesse senso chegamos em torno de 5 mil pessoas que dependem da companhia. Nas famílias pesquisadas, a renda maior provém da Farrapos, com isso entendemos que o impacto direto ultrapassa em número de pessoas em mais que uma prefeitura de um município. Nosso “turnover” como companhia sempre foi muito baixo e contamos com muita gente com 25, 20, 15, 10 anos de empresa, mesmo na pandemia conseguimos manter inclusive a estabilidade e a produtividade do pessoal, mantendo um equilíbrio muito saudável dentro da empresa.
Frota & Cia – Sobre a política de RH que ganhou mais atenção durante a pandemia para atender os funcionários, seria possível ele descrever quais os principais distúrbios que acometeram os funcionários durante a pandemia?
Ismael Zorzi – Iniciamos um projeto indo contra todo cenário nacional de pandemia. Mantivemos todos os colaboradores, contratamos novos e expandimos nossos terminais, com isso, reforçamos a importância da presença de cada um dos colaboradores.
Após essa primeira fase, iniciamos levantamentos quanto ao período pós pandêmico onde diagnosticamos a necessidade de ações voltadas cada vez mais para o cuidado com a saúde mental e o acolhimento ao colaborador, afinal, o crescimento da ansiedade, depressão e fadiga emocional eram a realidade em nosso país e no mundo.
Então, atuamos através de um projeto, denominado Bem Estar, que uniu as áreas de saúde ocupacional e mental, organizando e efetuando parcerias com atendimento psicológico, academias, além de ações externas em áreas que abordassem o meio social de todos. Direcionando atendimento personalizado e individual aos colaboradores junto ao corpo de Gestão de Pessoas.
Podemos enfatizar que, apesar dos desafios do período pandêmico, estamos sempre com a visão de futuro aguçada e com planejamentos focais para melhoria na política de Gestão de Pessoas.
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