Produção de etanol atinge nívelrecorde, mas não ameniza crise

Por Freelers

- junho 17, 2014

Após dois anos em baixa, a fabricação de etanol no Brasil voltou a reagir e atingiu o patamar de níveis históricos alcançados entre 2008 e 2010, quando foram registradas as maiores produções.  Em 2013, foram produzidos 27,7 bilhões de litros de etanol, volume 18% maior do que o produzido em 2012 e próximo da produção de 2008 e 2010, com 27,1 bilhões e 27,9 bilhões, respectivamente. 
 
As informações são da “Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis”, publicada neste mês pela Empresa de Pesquisa Energética, do Ministério de Minas Energia.  Além da produção de etanol, o país contabilizou a terceira maior produção de açúcar:37,5 milhões de toneladas, atrás de 2012 (38,5 milhões) e 2010 (37,7 milhões).  Apesar dos níveis recordes, entidades do setor dizem estar em uma das piores crises da história, e sem boas perspectivas para o futuro.  
 
Segundo o diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Padua Rodrigues, não houve ganho significativo para o setor porque o faturamento global por tonelada de cana processada sofreu queda nos últimos anos.  Segundo Rodrigues, o faturamento por tonelada foi de R$ 116,01 na safra 2011/2012 para R$ 106,08 na safra 2012/2013. E caiu para R$ 100,07 na safra 2013/2014. Queda de 13,7%.  Para a Unica, o controle de preços da gasolina pelo governo corrói a indústria do etanol. A Petrobras tem sido obrigada pelo governo a vender gasolina a preços mais baixos que os necessários para cobrir os custos com o petróleo que importa, a preços internacionais. 
 
Com o “subsídio” ao preço da gasolina, o governo evita uma alta maior da inflação.  “Em 2007 o etanol era vendido a R$ 2,40. Hoje está em R$ 2,80, R$ 2,90. Não dá nem 20% de diferença. Como não dá para repassar os custos, as indústrias vão acumulando prejuízos”, disse Rodrigues.  
 
Para Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, o controle de preços da gasolina tem comprometido a geração de caixa da Petrobrás e o cumprimento de seu plano de investimentos.  “O efeito correlato tem sido prejuízos e o desestímulo do setor canavieiro e sucroenergético, que tem como produto principal o etanol, que compete com a gasolina subsidiada”, disse.  
 
A deterioração do setor é revelada no relatório do governo, que classificou a redução como resultado de “grandes mudanças estruturais do setor energético”.  Segundo o documento, o Brasil tinha 440 unidades em operação em 2010, número que caiu para 388 no ano passado. Segundo os especialistas, não há previsão de novas indústrias para os próximos anos.
 
FONTE: FOLHA DE S.PAULO
 
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