Petrobras avança em descomissionamento offshore com contrato de R$ 1,2 bi

Estatal impulsiona a cadeia produtiva local e antecipa cronogramas no Nordeste

Por Gustavo Queiroz

- agosto 12, 2025

Esferas GLP | Foto: André Motta de Souza / Agência Petrobras

A Petrobras deu um passo significativo em sua estratégia de descomissionamento offshore ao firmar um contrato de R$ 1,2 bilhão com a OOS International B.V., em parceria com a Camorim Serviços Marítimos, para afretamento de duas embarcações autoeleváveis (Liftboats). O acordo, com duração de três anos, visa otimizar as operações de desativação de plataformas nas bacias de Sergipe-Alagoas e Rio Grande do Norte-Ceará, regiões que concentram 40 unidades a serem descomissionadas.

As embarcações Jin Hua 01 e Jin Hua 02, equipadas para transporte de tripulação, manutenção e hospedagem, devem reduzir a logística de deslocamento diário de trabalhadores, aumentar a produtividade e antecipar em seis meses a campanha de remoção de plataformas no Rio Grande do Norte. A operação em profundidades de até 48 metros também viabilizará suporte à sonda de produção hidráulica (SPH), hoje em Sergipe.

O descomissionamento é um requisito legal para plataformas que encerram sua vida útil, mas a Petrobras enxerga nele uma oportunidade de negócios. Além de movimentar cadeias produtivas locais e gerar empregos, a atividade ganha relevância global diante da demanda por soluções sustentáveis. Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, destacou que: “a inovação tecnológica viabilizará projetos mais eficientes, seguros e sustentáveis, com menor impacto ambiental e maior retorno econômico. O Brasil, com sua indústria offshore robusta, ocupa posição central nesse cenário.

O anúncio coincide com o lucro líquido de R$ 26,7 bilhões (US$ 4,7 bi) no 2º trimestre de 2025, impulsionado pelo aumento de 5% na produção de óleo (2,3 milhões de barris/dia). O Capex somou R$ 25,1 bilhões (US$ 4,4 bi), sendo 49% maior que em 2024, com 70% destinado ao pré-sal. A presidenta Magda Chambriard ressaltou o crescimento de 49% nos investimentos no semestre (R$ 48,8 bilhões), sinalizando aceleração em projetos de alta atratividade.

O mercado de descomissionamento offshore deve movimentar US$ 15 bi/ano até 2030, segundo a Rystad Energy, com o Brasil como um dos principais players.

SAF e transição energética

Em paralelo, a Petrobras obteve a certificação ISCC Corsia (certificação internacional que assegura sustentabilidade e rastreabilidade de combustíveis) para produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) na Reduc, pioneira no coprocessamento no Brasil. A iniciativa alinha-se às metas de descarbonização do setor aéreo e amplia a competitividade da empresa no mercado internacional. “A certificação coloca a Petrobras no radar das companhias aéreas globais, garantindo contabilização de carbono sob padrões rigorosos“, afirma Thiago Dias, gerente de Comercialização de Combustíveis de Aviação.

Os movimentos recentes da Petrobras refletem uma estratégia dupla, que consistem em consolidar liderança em descomissionamento — mercado em ascensão — e diversificar portfólio com energias de baixo carbono. Enquanto o primeiro reforça a receita tradicional, o segundo busca posicionamento na transição energética, mitigando riscos regulatórios e de imagem. O desafio será equilibrar investimentos entre as duas frentes em um cenário de volatilidade do preço do petróleo.

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