A combinação entre chuva, ressaca marítima e falta de manutenção do Porto de Santos (no litoral paulista) já gera prejuízos de R$ 2,2 bilhões a todo o setor marítimo, segundo levantamento do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar). A restrição ao peso aos navios e o novo adiamento do leilão para concessão das atividades de dragagem, ou retirada dos sedimentos do fundo do mar, cria cenário pouco favorável a quem exporta ou importa pelo porto paulista.
Essas perdas reúnem o prejuízo de armadores, que não conseguiram utilizar toda a capacidade de transporte de suas embarcações, e exportadores, que sofreram com atraso e aumento do preço do frete. Segundo o Sindamar, cerca de 600 mil contêineres sofreram atraso nos embarques – neste ano, a fila de navios para atracação já chegou há dois meses.
O Sindamar somou os prejuízos causados pela restrição à navegação e, consequentemente, às operações no Porto de Santos entre janeiro e maio. Segundo a entidade, 600 mil contêineres sofreram atrasos nos embarques, perdendo os navios para os quais estavam programados.
A entidade não fez o levantamento do impacto da restrição sobre as importações, no entanto, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, entre janeiro e abril a importação de trigo – um dos principais produtos recebidos pelo Porto de Santos – caiu 21,4%. No ano passado, outros produtos como carvão, amônia e nafta, também relevantes na importação via Porto de Santos, caíram 28,3%, 13% e 29,7%, respectivamente.
Com o último adiamento no leilão de concessão para dragagem do porto, aumenta a preocupação da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). No momento, a instituição desenha um plano para propor ao Governo Federal, em que traz a dragagem do porto de Santos para a categoria de urgência.
“A tendência é que os insumos que importamos fiquem cada vez mais caros, uma vez que o custo do navio para entregar em Santos aumenta”, sinaliza Aluisio Sobreira, diretor da AEB. “Com um navio que custa US$ 40 mil a diária, você está movimentando centenas de contêineres e toneladas a menos. O frete ficará mais caro.”
“Quando o governo fez a declaração de que aprofundaria o calado [no porto de Santos], as empresas se preparam para isso. As perdas seriam maiores se não fosse o monitoramento”, diz Querdinaldo Camargo diretor de Relações Institucionais do Ecoporto, que opera em um dos novos terminais do Porto de Santos. “Esse tipo de problema atrasa os ganhos das operadoras.”
FONTE: SETCESP
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