Northvolt quebra e abre caminho para domínio chinês em baterias

Com pedido de falência feito, fabricante não conseguiu o capital necessário para manter suas operações por motivos de gestão e instabilidade de mercado e geopolítica.

Por Gustavo Queiroz

- março 13, 2025

Fábrica da Northvolt

A fabricante sueca de baterias direcionadas para o mercado de eletromobilidade, a Northvolt fez o seu pedido de falência na Suécia em 12 de março. A empresa mantinha, entre os seus principais clientes, grandes montadoras europeias como as conterrâneas Scania e Volvo, além da Volkswagen e a Epiroc (fabricante de máquinas amarelas).

Por meio de comunicado oficial, a empresa alegou que “apesar de buscar todas as opções disponíveis para negociar e implementar uma reestruturação financeira, incluindo um processo de reestruturação do Capítulo 11 nos Estados Unidos, e apesar do suporte de liquidez de nossos credores e principais contrapartes, a empresa não conseguiu garantir as condições financeiras necessárias para continuar em sua forma atual”.

Outros fatores que influenciaram a quebra da empresa, segundo o comunicado, foram “aumento dos custos de capital, instabilidade geopolítica, interrupções subsequentes na cadeia de suprimentos e mudanças na demanda do mercado”.

Próximas estapas

A Northvolt fabricava células NMC (níquel-manganês-cobalto) de íons de lítio que combinam densidade energética com segurança e longa vida útil.
A Northvolt fabricava células NMC (níquel-manganês-cobalto) de íons de lítio que combinam densidade energética com segurança e longa vida útil. | Foto: Divulgação

A justiça sueca nomeará um administrador para a supervisão do processo de falência, que contemplará, ainda, a venda do negócio e seus ativos, assim como a liquidação de obrigações pendentes. As subsidiárias Northvolt Germany e Northvolt North America não estão incluídos, contudo o novo administrador poderá tomar decisões em conjunto com os credores do grupo.

Predominância chinesa

Vejam como a megaprodução de veículos e baterias chineses definida por um plano governamental de longo prazo impacta em negócios no Ocidente. Com certeza considerou a indecisão das montadoras tradicionais, previu a redução da velocidade de instalação de novos pontos de recarga principalmente na Europa, considerou a redução dos incentivos aos consumidores, imaginou os acalorados debates sobre o futuro da eletrificação travados pelos defensores dos tradicionais motores a combustão, apostou na ousada criação da Fórmula E fazendo parte do seu calendário desde o início, entre outras ações e reações que desestruturaram as iniciativas da eletrificação da tração no Ocidente”, analisa Luiz Roberto Imparato, consultor da indústria automobilística. “A invasão tecnológica chinesa no setor, tem lateralidades certamente imaginadas por eles no plano de dominação”, completa.

Luiz Roberto Imparato
Hoje consultor, Imparato passou por empresas como Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Ballard Power Systems e Höganäs,

Segundo o especialista, o que ocorreu com a Northvolt “foi como se ela fosse um fabricante de casquinhas de sorvete que construiu uma fábrica com capacidade baseada nas informações de mercado dos fabricantes de sorvete totalmente indecisos sobre o futuro da aceitação do produto com dúvidas baseadas na possibilidade do produto provocar gripe nos consumidores, ser caro para transportá-lo e mantê-lo nos pontos de vendas, necessitar de atendentes para servi-lo, entre outros fatores e não percebendo serem parte de uma cadeia produtiva”, compara Imparato.

Todavia, o comportamento do mercado tradicional precisa mudar para acompanhar as reais necessidades do mercado global de eletromobilidade. “Continua faltando coragem, determinação para correr riscos, visão de futuro e pulso dos executivos e CEO’s atuais, para entenderem que disrupção traz consequências mais profundas do que uma megatendência ou um modismo, como por exemplo dos SUV’s”, afirma Imparato. “Seus executivos, aqueles dos benefícios ilimitados e bônus estratosféricos, ainda não entenderam a dimensão da disrupção do setor e continuam caminhando de forma desordenada e descompassada onde a União Europeia e os governos dos países membros alimentam as indecisões e retrocessos”, complementa.

Por fim, Imparato avalia que “a atual geração de executivos das montadoras tradicionais, na minha opinião, não está preparada para acompanhar a disrupção, prova disso são as tentativas de contê-la ou como ocorreu em passado recente, de ignorá-la”, finaliza.

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