MWM apresenta motor a biometano de 570 cv para a DAF

Fabricante volta a atuar no mercado de veículos comerciais pesados, agora com foco na descarbonização

Por Gustavo Queiroz

- abril 29, 2026

Cristian Malevic, diretor da Unidade de Negócios de Descarbonização, Energia Elétrica e Soluções Marítimas da MWM

Em meio à instabilidade dos preços dos combustíveis fósseis e à crescente pressão por redução das emissões de gases de efeito estufa, a MWM, subsidiária da Tupy, exibe na Agrishow 2026 – entre 27 de abril e 1º de maio em Ribeirão Preto (SP) – um motor que promete reconciliar potência bruta com sustentabilidade no transporte pesado e que chegará como produto de linha ao mercado no segundo semestre deste ano.

Se trata de um caminhão DAF XF originalmente projetado para operar com diesel, mas que agora abriga sob o capô um propulsor de 15 litros movido a biometano ou gás natural veicular (GNV). Desenvolvido em parceria com a Yuchai – uma das maiores fabricantes de motores do mundo – o propulsor entrega 570 cavalos de potência e torque de 2.600 Nm, números que, segundo a engenharia da MWM, posicionam o conjunto como equivalente termodinâmico a um motor diesel tradicional utilizado em carretas de até 11 eixos.

Nós temos uma parceria com a Yuchai na produção de motores a combustíveis renováveis, tais como biometano e etanol, por exemplo”, diz Cristian Malevic, diretor da Unidade de Negócios de Descarbonização, Energia Elétrica e Soluções Marítimas da MWM. Sobre a novidade apresentada na Agrishow, o executivo complementa que a motorização “é equivalente a um motor a diesel hoje num segmento como o do transporte de açúcar, por exemplo, onde o biometano já figura como um dos combustíveis viáveis.”

Malevic O portfólio de motores a biometano e GNV da MWM, hoje, cobre desde motores de 4 e 6 cilindros com 120 cv e 380 Nm de torque até a nova configuração de 570 cv com 2.750 Nm de torque
Malevic: O portfólio de motores a biometano e GNV da MWM, hoje, cobre desde motores de 4 e 6 cilindros com 120 cv e 380 Nm de torque até a nova configuração de 570 cv com 2.750 Nm de torque | Foto: GQ/Frota&Cia

A aplicação desse trem de força, no entanto, não se restringe ao agronegócio. Malevic detalhou que o motor a gás encontra vocação natural em operações de ciclo fechado e rotas previsíveis, nas quais a logística de abastecimento pode ser planejada com maior rigor. “Hoje é para operações em ciclo fechado como coleta de resíduo urbano, transporte público de passageiros, operações de deslocamento na indústria, como proteína animal, açúcar e etanol para o porto. Mesmo no metano com gás comprimido, é uma operação que hoje traz uma viabilidade econômica muito interessante para o cliente”, afirmou.

O executivo reconheceu, contudo, que a autonomia ainda é um ponto de atenção. “Naturalmente, o que a gente espera é que o Brasil avance na tecnologia de distribuição de gás liquefeito, o que viabilizará uma extensão da autonomia acima de 1.000 km com um tanque de GNV”, ilustra Malevic.

Os planos da MWM

A apresentação do motor a biometano na Agrishow 2026 também serve como plataforma para anunciar uma reorientação estratégica da MWM no mercado de veículos comerciais pesados. Recorde-se que, durante a transição do Proconve P7 para o P8 (equivalente ao Euro 5 para Euro 6), a fabricante optou por suspender novos desenvolvimentos para esse segmento. Agora, a companhia retoma apostas, mas sob outra ótica. “Nós temos colocado esforços e investimentos no desenvolvimento de sistemas ligados à descarbonização. Etanol, biometano e GNV têm sido o nosso principal pilar de investimento em sistemas próprios. Tipicamente, o mercado que desenvolveu tecnologias de eletrificação acabou deixando essas novas possibilidades em segundo plano. Então, o que estamos permitindo aos nossos clientes hoje, inclusive os OEM, é a viabilidade de soluções nesses segmentos”, explica Malevic. O diretor acrescentou que o portfólio completo da MWM abrange desde eletrificação pura e hibridização até etanol, biometano e gás natural, oferecendo ao mercado um leque de opções parametrizáveis conforme a rota de descarbonização desejada pelo cliente.

O motor de 15L entrega 570 cv a 2.600 Nm de torque e é resultado de uma parceria com a chinesa Yuchai
O motor de 15L entrega 570 cv a 2.600 Nm de torque e é resultado de uma parceria com a chinesa Yuchai | Foto: Divulgação

Malevic revela os movimentos recentes que indicam a ampliação do ecossistema da marca. “Anunciamos recentemente uma parceria com a Vamos na área de locação de equipamentos, principalmente voltada para a utilização de gás natural e biometano nos veículos da marca Volkswagen. Estamos trazendo soluções para o mercado urbano de transporte de passageiros por meio de uma parceria com a Mercedes-Benz, principalmente para os veículos padron, que é uma tendência dos grandes municípios: a utilização do biometano em complemento à eletrificação. Agora, estamos entrando no mercado pesado com diferentes marcas. Não temos hoje uma marca específica, mas oferecemos ao cliente final a possibilidade de utilizar o seu caminhão a diesel com combustíveis alternativos.

A viabilidade técnica de converter frotas existentes a diesel para biocombustíveis, contudo, exige uma contrapartida igualmente robusta em infraestrutura de serviço e capacitação de mão de obra. Malevic detalha que a MWM conta com mais de 600 pontos de atendimento em pés de serviço no Brasil e mais de 1.300 na América Latina.

Lançamos recentemente um grande lote de unidades para atender a prefeitura do Rio de Janeiro. Estamos entrando em São Paulo e em outros municípios brasileiros que têm interesse em migrar para um combustível com pegada de carbono menor. À medida que o crescimento vai acontecendo, a gente vai agregando serviço”, concluiu o executivo.

Estande da MWM na Agrishow 2026
Estande da MWM na Agrishow 2026
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