Enquanto o mundo discute a transição para veículos elétricos e alternativas sustentáveis, a indústria automotiva ressalta que os motores a diesel continuarão sendo fundamentais, especialmente em países como o Brasil, onde a mudança deve levar décadas. A avaliação é de que, embora os motores modernos ainda tenham eficiência abaixo de 50%, perdendo energia em forma de calor e atrito, novos e futuros avanços tecnológicos podem contribuir para a melhoria de seu desempenho.

Um dos principais desafios do motor a diesel é maximizar sua eficiência energética. “A pressurização elevada é uma das chaves”, explica Marcos Andrade, gerente sênior de Marketing de Produto Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil. Segundo ele, os motores atuais já operam com pressões de injeção acima de 2.500 bar, buscando uma combustão mais eficiente. Além disso, a mistura ideal entre combustível e ar, seguindo princípios da estequiometria, é essencial para melhorar o rendimento. “Porém, mesmo com os avanços, ainda há espaço para otimização e a indústria segue investindo em pesquisa e desenvolvimento desses engenhos”, ressalta o executivo.
Enquanto países europeus aceleram a migração para tecnologias limpas, acrescenta o gerente, o Brasil, que é um país dependente do agronegócio e do transporte rodoviário de cargas, terá um caminho mais longo. “É muito improvável ver um caminhão elétrico no meio de uma fazenda”, comenta. A diversidade de aplicações no setor de veículos pesados exige soluções específicas, incluindo biodiesel, gás GNV, biometano e outras alternativas.
Pegada sustentável
O e-diesel (combustível sintético), produzido a partir de fontes renováveis, surge como alternativa para reduzir emissões sem exigir mudanças nos motores existentes. “É uma molécula idêntica ao diesel fóssil, mas com pegada sustentável“, afirma Andrade. A transição ainda esbarra em custos proibitivos, mas especialistas defendem uma adoção gradual por meio de blends (misturas) com biodiesel e diesel fóssil como caminho viável. “O radicalismo é o grande problema. Se quisermos migrar imediatamente para um blend 100% sintético, o custo por litro será impagável”, admite.

A melhor solução para essa transição, na visão de Marcos Andrade, está em aumentar progressivamente a participação da mistura com combustíveis renováveis. “Um exemplo seria começar com um diesel B25 (25% biodiesel), adicionando 5% de diesel sintético e mantendo 70% de diesel tradicional. Com o tempo, a proporção de combustíveis sustentáveis poderia aumentar conforme a demanda cresce e os custos de produção caem”, analisa. “Aos poucos, é possível chegar a uma composição ideal, técnica e financeiramente viável, até atingir uma mistura majoritariamente sintética ou mesmo 100% renovável”, projeta o representante da Mercedes-Benz.
Apesar dos desafios, o diesel sintético é apontado como uma tecnologia promissora devido à sua flexibilidade e potencial para reduzir as emissões de carbono no setor de transportes. A evolução econômica ditará o ritmo dessa transição.
Para Andrade, não há solução única: “Elétricos fazem sentido nas cidades, biodiesel no agronegócio, biometano no lixo”. O motor térmico, porém, seguirá insubstituível em aplicações remotas. “Em regiões sem infraestrutura, o diesel – renovável ou não – ainda é a opção viável”, conclui.
