Motores térmicos ganham sobrevida com e-diesel, aposta Mercedes-Benz

Enquanto o debate sobre energias alternativas ganha força, fabricantes investem em aprimorar a tecnologia diesel, como a adoção do combustível sintético adicionado gradativamente ao biodiesel

Por Gustavo Queiroz

- junho 13, 2025

e-diesel

Enquanto o mundo discute a transição para veículos elétricos e alternativas sustentáveis, a indústria automotiva ressalta que os motores a diesel continuarão sendo fundamentais, especialmente em países como o Brasil, onde a mudança deve levar décadas. A avaliação é de que, embora os motores modernos ainda tenham eficiência abaixo de 50%, perdendo energia em forma de calor e atrito, novos e futuros avanços tecnológicos podem contribuir para a melhoria de seu desempenho.

Marcos Andrade, gerente sênior de Marketing de Produto Caminhões da Mercedes Benz do Brasil
Marcos Andrade, gerente sênior de Marketing de Produto Caminhões da Mercedes Benz

Um dos principais desafios do motor a diesel é maximizar sua eficiência energética. “A pressurização elevada é uma das chaves”, explica Marcos Andrade, gerente sênior de Marketing de Produto Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil. Segundo ele, os motores atuais já operam com pressões de injeção acima de 2.500 bar, buscando uma combustão mais eficiente. Além disso, a mistura ideal entre combustível e ar, seguindo princípios da estequiometria, é essencial para melhorar o rendimento. “Porém, mesmo com os avanços, ainda há espaço para otimização e a indústria segue investindo em pesquisa e desenvolvimento desses engenhos”, ressalta o executivo.

Enquanto países europeus aceleram a migração para tecnologias limpas, acrescenta o gerente, o Brasil, que é um país dependente do agronegócio e do transporte rodoviário de cargas, terá um caminho mais longo. “É muito improvável ver um caminhão elétrico no meio de uma fazenda”, comenta. A diversidade de aplicações no setor de veículos pesados exige soluções específicas, incluindo biodiesel, gás GNV, biometano e outras alternativas.

Pegada sustentável

O e-diesel (combustível sintético), produzido a partir de fontes renováveis, surge como alternativa para reduzir emissões sem exigir mudanças nos motores existentes. “É uma molécula idêntica ao diesel fóssil, mas com pegada sustentável“, afirma Andrade. A transição ainda esbarra em custos proibitivos, mas especialistas defendem uma adoção gradual por meio de blends (misturas) com biodiesel e diesel fóssil como caminho viável. “O radicalismo é o grande problema. Se quisermos migrar imediatamente para um blend 100% sintético, o custo por litro será impagável”, admite.

Combustivel em analise
Mistura do e-diesel com o biodiesel poderá chegar a 100%, se for economicamente viável

A melhor solução para essa transição, na visão de Marcos Andrade, está em aumentar progressivamente a participação da mistura com  combustíveis renováveis. “Um exemplo seria começar com um diesel B25 (25% biodiesel), adicionando 5% de diesel sintético e mantendo 70% de diesel tradicional. Com o tempo, a proporção de combustíveis sustentáveis poderia aumentar conforme a demanda cresce e os custos de produção caem”, analisa. “Aos poucos, é possível chegar a uma composição ideal, técnica e financeiramente viável, até atingir uma mistura majoritariamente sintética ou mesmo 100% renovável”, projeta o representante da Mercedes-Benz.

Apesar dos desafios, o diesel sintético é apontado como uma tecnologia promissora devido à sua flexibilidade e potencial para reduzir as emissões de carbono no setor de transportes. A evolução econômica ditará o ritmo dessa transição.

Para Andrade, não há solução única: “Elétricos fazem sentido nas cidades, biodiesel no agronegócio, biometano no lixo”. O motor térmico, porém, seguirá insubstituível em aplicações remotas. “Em regiões sem infraestrutura, o diesel – renovável ou não – ainda é a opção viável”, conclui.

 

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *