Em um mercado pouco conhecido do grande público, as empresas de transformação de veículos comerciais desempenham um papel essencial na adaptação de furgões, vans e ônibus para fins específicos. A atividade movimenta dezenas de empresas no país e uma vasta cadeia de fornecedores de acessórios e componentes. Tudo para produzir uma ampla linha de veículos, de ambulâncias a unidades móveis de saúde, além de transporte acessível e motorhomes, entre outros produtos.

“As montadoras produzem veículos padrão, como furgões, porque personalizar em linha seria caro e demorado. Quem faz essa adaptação são empresas como a nossa, que possuem CAT (Certificado de Adequação à Tecnologia), autorização que permite modificar a estrutura original do veículo”, explica Leandro Zilig, diretor da Alpha6, empresa especializada no segmento.
O profissional lembra que a transformação de veículos não é um processo simples e exige certificações rigorosas. A homologação envolve testes de segurança em laboratórios credenciados, como resistência de bancos e ancoragem de cintos. “Tudo o que é instalado no veículo precisa ter certificação. No caso de um veículo acessível, por exemplo, a plataforma elevatória, o banco e o cinto de segurança são testados para garantir a proteção do usuário“.
O diretor da Alpha6 alerta para os riscos de adaptações feitas sem os devidos cuidados. “Infelizmente, ainda existe o ‘fundo de quintal’, onde um tapeceiro faz um banco sem seguir as normas. Para uso pessoal até pode acontecer e, mesmo assim, a qualidade é duvidosa. Mas, para transporte comercial ou público, a prática é proibida. Órgãos como Artesp e ANTT exigem nota fiscal e CAT para garantir que o veículo está seguro”, ressalta Leandro.
Para tanto, explica o especialista, a Alpha6 possui certificação ISO 9001, o que permite produzir veículos em série sem necessidade de laudos individuais a cada modificação. “Isso garante padronização e qualidade“.
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Além de vans adaptadas, a empresa atua na criação de unidades móveis para diversos fins. “Já desenvolvemos unidades para exames de saúde, castração de animais, atendimento a imigrantes e até recrutamento de funcionários”, conta. Um dos projetos mais marcantes, segundo ele, é a “paraoficina móvel“, uma van que conserta cadeiras de rodas, órteses e próteses em tempo real. “Ela vai até a pessoa, evitando que ela precise se deslocar para centros especializados”, explica o diretor da empresa.
Outro projeto recente é um ônibus equipado para atendimento a mulheres, lançado em parceria com o governo de São Paulo. “Ele tem três toldos, telas de projeção, banheiro, copa e internet via Starlink. Vai percorrer o estado levando políticas públicas de proteção à mulher“.
Não sem motivo, Leandro Zilig aposta no crescimento desse mercado e na locação de unidades móveis modulares. “A pandemia acelerou a demanda por veículos adaptados. Empresas e governos estão vendo a vantagem de alugar em vez de comprar, especialmente para ações temporárias“. Para ele, o mercado de transformação de veículos está em expansão. “O Brasil é grande e cheio de necessidades específicas. Quem estiver aberto a inovar encontrará muitas oportunidades“, afirma o diretor com convicção.
