O expressivo crescimento de 100,7% nos emplacamentos de veículos pesados movidos a gás no primeiro semestre de 2025 expôs um ponto crítico para frotistas, pois a infraestrutura pública de abastecimento, projetada originalmente para automóveis, não acompanha a dinâmica logística de caminhões e ônibus. Em resposta a esse passivo operacional, a MAT está ampliando sua atuação no desenvolvimento de unidades corporativas de abastecimento, que são sistemas fechados que permitem à transportadora abastecer sua própria frota com Gás Natural Veicular (GNV) ou biometano, independentemente dos postos de rua.
A estratégia já resultou na entrega de cinco sistemas de compressão para empresas geradoras de biometano que abastecem veículos pesados, inclusive para a fornecedora da Nova RMTC, que recebeu os seus primeiros ônibus a gás para o transporte público de Goiânia.
A infraestrutura necessária para atender caminhões e ônibus a gás ou biometano envolve um sistema de compressão composto por compressor, painel de controle, estocagem com nove cilindros de alta pressão e um dispenser de alta vazão, sendo este último dimensionado para reduzir drasticamente o tempo de enchimento.
O abastecimento do próprio ponto (posto ou pit stop corporativo) é feito preferencialmente por gasoduto e, na ausência da rede dutoviária, pode-se utilizar carretas com cilindros de transporte. Diferentemente dos postos públicos, cujos compressores e dispensers foram especificados para baixa vazão, as unidades corporativas da MAT são calibradas para que o tempo de enchimento de um caminhão pesado se aproxime do abastecimento com diesel, eliminando filas e deslocamentos improdutivos.

“A frota de veículos pesados a gás é uma realidade irreversível, no Brasil, para a descarbonização, mas o abastecimento urbano se tornou um ponto crítico. Postos convencionais, projetados para veículos leves, carecem de espaço para manobras de carretas e apresentam tempos de enchimento inadequados para a dinâmica logística”, afirma Luis Fernando Assaf, presidente da MAT.
“Nosso foco é oferecer ao frotista a independência necessária para escalar o uso do gás. Ao participar do ecossistema que visa impulsionar os pontos de abastecimento corporativos, a MAT entrega a solução de infraestrutura completa que reduz o tempo de inatividade dos veículos e, consequentemente, de produtividade da empresa”, destaca o executivo.
O investimento típico para implantação de uma unidade corporativa capaz atender uma frota de, por exemplo, 50 caminhões pesados se situa em aproximadamente R$ 1 milhão (Capex), contemplando compressor, painel, estocagem e dispenser de alta vazão. Esse valor é consideravelmente inferior ao custo de instalação de um eletroposto para caminhões elétricos com autonomia diária equivalente, considerando os altos requisitos de potência e sistemas de armazenamento de baterias.
Em relação ao retorno sobre o investimento, o payback para o frotista que migra parte da frota para gás com abastecimento próprio varia conforme o tamanho da frota, rotas, turnos de operação e preço do gás ou biometano, com destaque para a isenção de ICMS sobre o biometano em alguns estados. Embora a migração total de uma frota seja pouco provável, a MAT estima que o retorno do investimento possa ocorrer em até 36 meses, dependendo fortemente da quilometragem rodada e da eficiência logística ganha.
Segurança
Do ponto de vista normativo, a instalação dessas unidades corporativas de alta pressão segue rigorosamente a NBR 12236-1 (Postos de abastecimento de GNV e estações de compressão de GNC – Projeto, construção e montagem), além de atender às exigências da NR-13 (vasos de pressão) e NR-37 (segurança em instalações de gás).
A MAT realiza teste hidrostático na linha de alta pressão, emite a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de instalação e do teste, bem como o laudo correspondente. O licenciamento perante órgãos locais – Corpo de Bombeiros, ANP e CETESB – fica a cargo do cliente, que, no caso de um industrial já operando com diesel, precisa apenas acrescentar o novo energético ao licenciamento existente.

“Nesta nova estratégia buscamos transformar o passivo logístico das empresas em vantagem competitiva, permitindo que ganhem produtividade, ao eliminar deslocamentos e filas em postos públicos, e acelerar as metas de ESG, facilitando a transição total para o biometano renovável”, diz Assaf.
A manutenção da infraestrutura é igualmente crítica. Os cilindros das estocagens devem passar por reteste obrigatório a cada cinco anos. Para estruturar esse suporte, a MAT firmou parceria estratégica com a Sinergás, empresa com mais de 30 anos de atuação em soluções completas de gás natural e biometano para operadores, postos de serviço e clientes industriais.
Pelo acordo, a MAT é responsável pela comercialização de sistemas de compressão (compressores, boosters, painéis elétricos e dispensers de baixa e alta vazões da marca italiana GRAF) e pela fabricação e fornecimento de sistemas de armazenagem, cilindros e carretas para GNC e biometano.
Já a Sinergás, por sua vez, executa as instalações eletromecânicas especializadas, os projetos executivos para sistemas de gás e a assistência técnica preventiva e corretiva, com equipe especializada. Essa estrutura de manutenção contratual garante ao frotista não apenas a disponibilidade do equipamento, mas também a conformidade com as exigências legais periódicas.
Competitividade
Enquanto o segmento de caminhões elétricos enfrenta retração de 28,7% devido aos altos custos iniciais e à falta de incentivos, o gás se consolida como a rota de descarbonização imediata para médias e longas distâncias, especialmente nos setores de agronegócio e papel e celulose.
Projeções indicam que o uso de biocombustíveis como o biodiesel, o HVO e o biometano pode dobrar sua representatividade em veículos pesados, atingindo 30% em 2040. “Nosso objetivo é ser o protagonista da infraestrutura necessária para que o biometano deixe de ser uma promessa e se torne acessível às frotas de todo o país, eliminando as barreiras logísticas que ainda limitam a transição energética no transporte pesado”, conclui o presidente

