Em um esforço técnico de grande envergadura, o Consórcio BRT, responsável pela operação do sistema de BRT na capital goiana, está executando uma série de projetos integrados de infraestrutura para suportar a transição energética da frota. A iniciativa, que envolve desde a ampliação da rede de eletropostos até o desenvolvimento de um veículo a biometano com autonomia estendida, demandou um rigoroso processo de dimensionamento, homologação e construção em prazos competitivos. De acordo com Patrick Lucas, gestor de Infraestrutura e Manutenção do Consórcio BRT, o projeto elétrico foi elaborado a partir da necessidade de atender a 64 novos ônibus elétricos, sendo 12 para o eixo norte-sul e 52 para o eixo leste-oeste.
A fase inicial consistiu em um detalhado dimensionamento técnico da demanda de carga junto à concessionária Equatorial Energia, seguida da elaboração de documentação para contratação de serviços de infraestrutura, dos carregadores propriamente ditos e das ordens de serviço de segurança. “Partindo desse princípio, a gente começou a fazer todo o dimensionamento técnico de necessidade de carga com a concessionária elétrica“, explicou Lucas. O processo de obra, incluindo fiscalização e condução técnica pelo consórcio, foi concluído em um espaço de seis meses, com a fase de construção civil concentrada em quatro meses. Paralelamente, a equipe técnica realizava a locação dos chassis na fábrica da Marcopolo em Curitiba e acompanhava a montagem e a inspeção final dos veículos, assegurando a liberação técnica para seu envio a Goiânia.

A infraestrutura de recarga elétrica já está em operação na garagem da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), composta por três estações que totalizam 23 carregadores da marca Nansen, com potência de 240 kW cada. Com esse projeto concluído, o foco técnico do Consórcio BRT migrou para uma frente ainda mais inovadora, que consiste na implantação de uma frota movida a biometano. O projeto, que conta com a colaboração da Scania, passou por uma fase inicial de testes entre fevereiro e junho, que aprovou um veículo padrão. O grande desafio técnico subsequente foi desenvolver uma versão com autonomia de 400 km, requisito operacional essencial para as linhas goianas.
Conforme detalhou Patrick Lucas, esse objetivo exigiu um redesenho profundo do veículo. “O Consórcio BRT, a gestão de infraestrutura e manutenção com a Scania, fizeram um trabalho de conseguir redesenhar um veículo em menos de 70 dias“. Nesta etapa, entrou em cena a fornecedora Exagon, responsável pelos cilindros de armazenamento de gás do tipo 4, feitos em fibra de carbono e homologados pelo Inmetro. “No tempo recorde de menos de 90 dias nós conseguimos homologar tecnicamente esse veículo para ser fabricado“, completou o gestor. O primeiro veículo de cabeça de série já está pronto, com inspeção final agendada, e as sete primeiros unidades devem chegar a Goiânia em março.
A infraestrutura para o biometano está em fase de dimensionamento e especificação. O Consórcio BRT já contratou o fornecedor dos equipamentos para um posto que deverá ser híbrido, abastecendo tanto biometano quanto elétricos, ainda que em menor escala para esta última energia. As obras civis e a instalação da infraestrutura elétrica devem ter início em breve, com previsão de avanço significativo ainda no primeiro semestre. A escala do projeto é ampla e o governo estadual prevê a aquisição de 501 veículos a biometano em etapas, começando com um lote de 79 unidades (8+71).
Esta expansão para novas matrizes energéticas, que inclui também a manutenção de frotas a diesel Euro 6, demanda uma reestruturação do modelo de gestão da manutenção. Patrick Lucas destacou que a nova Regulamentação do Transporte (RNTC) trouxe uma especialização dos entes. “Quem faz a manutenção dos veículos elétricos e a biometano não serão os operadores, será o consórcio. Então isso é uma novidade. Demanda sim equipe especializada, geração de emprego e investimento“. Essa centralização da manutenção pesada e especializada no Consórcio BRT representa uma mudança de paradigma na operação do transporte público na cidade, afastando-se do modelo tradicional e exigindo novos conhecimentos e investimentos em capacitação técnica.
