O preço médio do frete rodoviário no Brasil apresentou nova retração no mês de setembro, consolidando uma trajetória de baixa. É o que indica a mais recente análise do Índice de Frete Rodoviário (IFR) da Edenred Frete, baseada em dados exclusivos da plataforma Repom. O valor médio nacional por quilômetro rodado recuou de R$ 7,36 em agosto para R$ 7,25 em setembro, registrando uma queda de 1,49%.
Este movimento de baixa é atribuído a um conjunto de fatores macroeconômicos que se sobrepuseram às pressões de custo tradicionalmente enfrentadas pelo setor. De acordo com a análise, o desempenho observado em setembro reflete a combinação do menor ritmo da atividade industrial, dos efeitos do chamado “tarifaço” sobre as exportações e da manutenção da taxa básica de juros (SELIC) em 15% ao ano. A concomitante desvalorização do dólar no período também contribuiu para a redução de alguns custos operacionais.
Adicionalmente, o cenário dos combustíveis mostrou-se mais favorável em setembro. Conforme dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), o óleo diesel registrou queda de preços na comparação com o mês anterior. O diesel comum apresentou redução de 0,32%, com preço médio estabelecido em R$ 6,17, enquanto o diesel S-10 teve baixa de 0,16%, sendo comercializado, em média, a R$ 6,21. “O comportamento de setembro reflete fatores macroeconômicos mais fortes que as pressões de custo. A atividade industrial mais lenta e o recuo do diesel pesaram a favor da redução do frete“, afirmou Vinicios Fernandes, Diretor da Edenred Frete.
Para os meses que encerram o ano, a projeção do setor é de pequenas oscilações nos valores, porém com um elemento de atenção, que é o cumprimento da Tabela de Preço Mínimo de Frete. “Desde 06 de outubro, a ANTT intensificou a fiscalização para coibir negociações abaixo do piso. A medida tende a dar mais disciplina ao mercado e pode influenciar os preços no último trimestre“, concluiu Fernandes.
O Índice de Frete Rodoviário (IFR) é um termômetro do preço médio do frete no país. Sua composição é levantada com base nos dados exclusivos das aproximadamente 8 milhões de transações anuais de frete e vale-pedágio administradas pela Edenred Repom.
Controle sobre o Piso Mínimo do Frete
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deu início, em 6 de outubro, a uma nova fase de controle sobre o pagamento do Piso Mínimo do Frete. A implementação segue as diretrizes da Nota Técnica 2025.001, que estabelece validações adicionais no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). A medida reforça a obrigatoriedade de inclusão de campos específicos, transformando o documento no principal instrumento de fiscalização digital do setor.
As novas regras exigem que os transportadores informem no MDF-e o valor total do frete, a forma de pagamento, os dados bancários do transportador e o código NCM do produto predominante no transporte. A consolidação dessas informações em ambiente digital permitirá à ANTT realizar o cruzamento eletrônico de dados com precisão, assegurando o cumprimento da tabela de fretes e demais normas que regem o transporte rodoviário de cargas.
Nesta fase inicial, a obrigatoriedade aplica-se exclusivamente a operações do tipo lotação, caracterizadas pela utilização de um único conhecimento de transporte, não se estendendo às cargas fracionadas. O processo fiscalizatório, até então conduzido presencialmente por agentes da ANTT em estradas e postos de controle, avança para um patamar de automação e controle remoto. As penalidades por descumprimento variam conforme a gravidade da infração identificada. “O objetivo central desta modernização é promover o amplo cumprimento da lei e a isonomia entre todos os agentes das operações de transporte”, declarou Amaral Filho, diretor da ANTT.
A atualização do sistema também potencializa a integração com outros instrumentos de controle logístico, como o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e o sistema de vale-pedágio eletrônico. Esses elementos poderão agora ser verificados de forma cruzada com os dados do manifesto, consolidando o MDF-e como um painel digital unificado para o monitoramento das operações de carga no país.
Para Everton Kaghofer, diretor comercial da Roadcard, a mudança representa um avanço fundamental para a segurança jurídica e operacional do setor. “O MDF-e passa a ser o coração da conformidade no transporte rodoviário. O registro formal do valor do frete dentro desse documento garante transparência e segurança para todos — do embarcador ao caminhoneiro”, afirmou o executivo.
O executivo destacou que o Sistema Pamcard, plataforma de pagamento eletrônico da Roadcard, já executa automaticamente todas as validações exigidas pela nova norma da ANTT, incluindo a verificação do valor do frete, a forma de pagamento, os dados bancários e a estrita observância da tabela do piso mínimo. “Nossos clientes já operam em conformidade com essa nova fase, sem a necessidade de quaisquer ajustes ou migrações. O sistema assegura que cada pagamento de frete esteja integralmente alinhado às regras, mitigando riscos de autuação e de rejeição do MDF-e”, finalizou.