O novo pacote de concessões de rodovias anunciado pela presidente Dilma Rousseff não serviu apenas para sinalizar à iniciativa privada que o governo continuará a apostar suas fichas em uma estratégia que tem dado resultado. A seleção das novas estradas, que têm previsão para ir à leilão ainda este ano, também conseguiu atacar as principais demandas do maior polo de produção de grãos do país.
Dos cinco trechos anunciados, três estão diretamente associados ao escoamento de grãos do Centro-Oeste: BR-163 entre Sinop (MT) e o Porto de Miritituba (PA) e dois trajetos da BR-364 – entre Rondonópolis (MT) e Goiânia e entre Jataí (GO) e o Triângulo Mineiro. A importância desses trechos para a logística da produção agrícola do país e a consequente necessidade de duplicação dessas estradas aparecem em um levantamento que acaba de ser realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Os dados, apontam que, apenas com a pavimentação e duplicação dos 976 km da BR-163 que ligam Sinop e o futuro porto de Miritituba, a economia com transporte pode chegar a R$ 2,2 bilhões anuais a partir de 2020. Com o leilão desse trajeto – que se soma a outras duas concessões realizadas no ano passado em dois trechos da BR-163 -, o governo consolida a criação de um corredor rodoviário rumo aos portos da região Norte do país, aliviando a pressão que todos os anos trava os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).
A mesma urgência de obras toma conta da BR-364. Hoje, o trajeto de 213 km que liga Rondonópolis e Alto Araguaia, no Mato Grosso, é o segundo mais congestionado de todo o Centro-Oeste, de acordo com a CNI. “O que nós elaboramos é uma concepção de fazer os grandes eixos estruturantes nacionais para escoamento de nossa safra”, disse o ministro dos Transportes, César Borges.
Além desses três trechos, o governo anunciou a concessão de um lote de 493 km, que engloba as BRs 476, 153, 282 e 480, partindo de Lapa (PR) até chegar em Chapecó (SC), na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul.
FONTE: VALOR ECONOMICO

