Caminhoneiros realizam nesta terça-feira (24) mais um dia de protestos com bloqueios em rodovias em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Em Goiás, a manifestação foi encerrada na noite de segunda-feira (23). Os atos são motivados, principalmente, pelo alto preço dos combustíveis e valores dos fretes.
Durante a madrugada, por volta da meia-noite, a categoria iniciou um protesto em São Paulo. Os caminhões ocuparam as faixas do sentido da capital paulista da Rodovia Presidente Dutra, na altura do km 210,5.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o bloqueio da pista durou 20 minutos. O congestionamento não chegou a 2 km e não houve incidentes. Manifestantes e representantes do Sindicato das Pequenas e Micro Empresas de Transporte e Logística de São Paulo e Regiões (Sinditrans-SP), porém, disseram que o congestionamento atingiu 8 km, até o pedágio de Arujá.
O grupo informou ainda que policiais fotografaram placas dos veículos. A multa por participar de evento em rodovia sem autorização pode chegar a R$ 1.900,00.
Fred Sartori, de 38 anos, que transporta cargas secas, foi o primeiro caminhoneiro a parar. “Na verdade, fizemos um primeiro choque para alertar. Uma vez que nossa classe está insatisfeita, queremos chamar a atenção da imprensa e dos governantes”, resumiu.
Segundo o assessor da presidência do Sinditrans-SP, Maurício Leme Nogueira, o protesto contou com a adesão de 600 caminhões. Ele informou que, após acordo com a PRF, uma das pistas foi liberada.
Nogueira disse ainda que há previsão de nova paralisação. “Podem ficar atentos. A qualquer momento iremos parar uma outra rodovia”, afirmou.
Protestos em 7 estados
O protesto dos caminhoneiros que bloquearam rodovias do país devido à alta do preço dos combustíveis e aos valores dos fretes, considerados baixos pela categoria, foi ampliado ao longo da segunda-feira (23). Sete estados registraram pontos de lentidão e congestionamentos: GO, MG, MS, MT, PR, RS e SC.
Ações na Justiça
A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou ações na Justiça Federal dos sete estados para que fosse determinada a liberação de rodovias bloqueadas.
A AGU pediu que a Justiça conceda liminar (decisão provisória) para que as estradas sejam desbloqueadas e para que seja imposta uma multa de R$ 100 mil por cada hora em que a decisão for descumprida.
Efeitos dos protestos
Os bloqueios já afetam o abastecimento em algumas regiões. No Paraná, cidades enfrentam falta de combustíveis, e o litro da gasolina chegou a ser vendido por R$ 5 em Pato Branco. Na cidade também há registro de atrasos na entrega de medicamentos.
No mesmo estado, onde a paralisação começou no dia 13 de fevereiro, a BRF, que detém as marcas Sadia e Perdigão, anunciou na segunda-feira que parou a produção em duas fábricas por falta de aves e que isso afeta “todo o ciclo de produção, desde a produção de ração animal até a distribuição de seus produtos pelo país e exterior.”
Em Santa Catarina, a distribuição do leite foi afetada por conta das manifestações e está 100% interrompida pela falta de transporte. A agroindústria Aurora Alimentos, que fica no Oeste do estado, disse que paralisaria suas atividades nesta terça devido ao bloqueio do transporte de suas matérias-primas.
Em Minas Gerais, a Fiat teve a produção de veículos afetada, pois os componentes usados na montagem de veículos não foram entregues.
Em Mato Grosso, o óleo diesel também acabou em distribuidora no Norte do estado por causa dos bloqueios nas rodovias.
Liberação para passagem de perecíveis
Na segunda-feira, caminhoneiros afirmaram ter liberado a passagem de transportadores de alimentos “perecíveis” e de “cargas vivas” (frango e boi, por exemplo) no trecho da BR-376 em Marialva, no norte do Paraná.
“Pedimos às empresas que tenham bom senso e não liberem os caminhões com cargas não perecíveis agora, para evitar confusão e colaborar com o movimento”, disse Ademir Cavalaro, que participa das manifestações.
A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que é uma das entidades que representam os caminhoneiros no país, divulgou nota dizendo que está “ciente das manifestações e bloqueios em rodovias federais e estaduais pelo país” e que “solicitou uma reunião com os ministérios para tratar das reivindicações, especialmente para tratar do aumento do combustível”.
A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) disse não concordar com a mobilização dos caminhoneiros. “Os transportadores estão contabilizando prejuízos e pedem medidas urgentes do governo federal, no entanto, não compactuam com o movimento dos caminhoneiros, pois bloquear vias não é a melhor maneira de protestar”, afirmou o presidente da federação, Sérgio Malucelli.
Fonte: G1
