A transição energética no transporte rodoviário de cargas pesadas no Brasil ganha um capítulo técnico expressivo com os testes operacionais conduzidos pela Green Cargo em parceria com a Transvale. A operação, em curso desde meados de 2025, utiliza um caminhão pesado movido a gás natural veicular (GNV) e biometano no transporte de açúcar a granel entre o interior paulista e o Porto de Santos, avaliando a viabilidade econômica, a eficiência operacional e o desempenho ambiental da tecnologia em substituição ao diesel em rotas de longa distância.
O veículo em teste é o JAC Q7-560, cavalo mecânico equipado com motor Weichai de 15 litros, ciclo Otto, seis cilindros e 560 cavalos de potência, com torque de 2.600 Nm. A transmissão é automatizada FAST de 16 velocidades, com relação de redução de 14,13:1 na primeira marcha e 0,83:1 na última (overdrive), além de contar com retarder FAST FHB de 4.000 Nm, cuja potência de frenagem equivale a 815 cavalos. O modelo, disponível nas configurações 6×2 e 6×4, foi homologado no Brasil com capacidade de tracionar conjuntos de até 74 toneladas — significativamente acima das 48 toneladas do modelo original comercializado na China.
Nas configurações oferecidas pela Green Cargo, representante exclusiva da JAC Motors para caminhões a gás no Brasil, o veículo pode operar com GNV ou biometano, com autonomia de até 900 quilômetros, ou com gás natural liquefeito (GNL), cuja autonomia ultrapassa 2.000 quilômetros. A Green Cargo é a responsável pela importação, comercialização, locação e suporte técnico dos veículos, além de garantir a estruturação da infraestrutura de abastecimento personalizada para cada cliente.
A operação-teste com a Transvale, empresa com mais de 50 anos de atuação e dona de uma frota de 130 veículos para o transporte de grãos, combustíveis, biomassa e alimentos, utiliza o caminhão engatado em um semirreboque basculante com capacidade líquida de 47 toneladas de açúcar a granel por viagem. As rotas percorridas conectam a Usina Cocal II, em Paraguaçu Paulista (SP), ao Porto de Santos, num percurso de aproximadamente 580 quilômetros, além de operações entre Porto Ferreira (SP) e Santos, com trajeto médio de 380 quilômetros.

Para a Transvale, o indicador mais relevante observado até o momento nos testes é a redução do custo por quilômetro rodado com biometano em comparação ao diesel, vantagem que se torna ainda mais expressiva diante da volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis no cenário mundial. “O principal benefício foi a economia no custo por quilômetro rodado com biometano em comparação ao diesel, principalmente considerando o atual cenário mundial”, afirma Eder Serraglio, gerente de frota da Transvale.
O executivo acrescenta que a iniciativa está alinhada à demanda crescente do setor por redução de emissões de CO₂ e pela busca de alternativas energéticas mais sustentáveis: “Existe hoje uma demanda crescente por redução das emissões de CO₂ e pela busca de alternativas energéticas mais sustentáveis para a operação. Com a Green Cargo, identificamos uma oportunidade que alia metas ESG à redução de custos operacionais”.
Para Leandro Gedanken, diretor de Operações da Green Cargo, os testes em curso reforçam o potencial do gás natural e do biometano como alternativas viáveis ao diesel, especialmente em operações de longa distância e alta capacidade. “Mais do que fornecer o caminhão, a Green Cargo garante o suporte técnico, a manutenção e toda a estrutura necessária para que essa transição aconteça de forma segura e eficiente”.
