A Volkswagen Caminhões e Ônibus iniciou uma nova etapa de testes com biodiesel 100% renovável no transporte rodoviário de cargas. Em parceria com a AMAGGI, empresa brasileira do agronegócio, a montadora avalia o desempenho do combustível B100 em operações reais de transporte de grãos.
O projeto terá duração de 12 meses e utilizará um caminhão Volkswagen Meteor 29.530 Highline 6×4 em rotas de alta demanda nas regiões Centro-Oeste e Norte do país. Durante o período, o veículo percorrerá estradas em trajetos que simulam a rotina logística da AMAGGI, permitindo analisar consumo, desempenho e confiabilidade do combustível renovável.
A operação utiliza composições de nove eixos, como rodotrem e bitrenzão, com rodagem média mensal entre 8 mil e 10 mil quilômetros. A principal rota de testes conecta as cidades de Sinop e Matupá, no Mato Grosso, seguindo até Miritituba, no Pará — um corredor logístico importante para o escoamento de grãos.
O objetivo da iniciativa é avaliar como o biodiesel produzido pela AMAGGI se comporta em operações de transporte pesado. Entre os pontos analisados estão desempenho do caminhão, consumo de combustível, impactos na manutenção, desgaste de componentes e estabilidade operacional.
O B100 utilizado no projeto é produzido a partir de soja e integra a estratégia de descarbonização da Volkswagen Caminhões e Ônibus, que busca ampliar o uso de combustíveis renováveis como alternativa ao diesel fóssil. Estudos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que o biodiesel pode reduzir as emissões de CO₂ em até 90% em comparação ao combustível convencional.
Segundo Rodrigo Chaves, vice-presidente de Engenharia da montadora, os testes fazem parte das iniciativas do Programa Futuro, voltado ao desenvolvimento de soluções para reduzir emissões no transporte. “O objetivo é validar uma rota de descarbonização que mantenha desempenho, eficiência e confiabilidade operacional”, afirma.
A AMAGGI também vê o biodiesel como parte da estratégia de sustentabilidade da companhia. De acordo com Claudinei Zenatti, diretor de Logística e Operações da empresa, a substituição gradual do diesel por combustíveis renováveis é um passo importante para reduzir emissões e fortalecer a autonomia energética do país.
Como funcionará o teste
O caminhão será abastecido exclusivamente com biodiesel B100 de origem vegetal, produzido a partir de soja em uma usina localizada em uma fazenda no município de Lucas do Rio Verde (MT). A utilização de uma única fonte de combustível garante padronização durante todo o período de avaliação.
O veículo receberá adaptações técnicas específicas e acompanhamento contínuo das equipes da Volkswagen Caminhões e Ônibus e da AMAGGI para monitoramento de desempenho e possíveis ajustes durante a operação. A entrega do caminhão foi realizada pelo Grupo Mônaco na nova sede da empresa em Cuiabá (MT).
Projeto paralelo já soma 100 mil km com B100
Outro projeto envolvendo a montadora também apresentou resultados relevantes. Em parceria com a concessionária EcoRodovias, a frota operacional da Ecovias Noroeste Paulista já ultrapassou 100 mil quilômetros rodados utilizando apenas biodiesel B100. O teste envolve quatro caminhões: um Volkswagen Meteor 29.530 utilizado como guincho, dois Volkswagen Delivery 11.180 também em versão de guincho e um Volkswagen Constellation 17.190 empregado como caminhão-pipa.
Nos primeiros cinco meses do projeto, os veículos registraram disponibilidade técnica superior a 95%, índice considerado elevado para operações desse tipo. Isso significa que, em média, apenas 5% do tempo os caminhões ficaram parados para manutenção. O projeto, iniciado em 2025, segue em andamento e deve completar 12 meses de operação assistida até agosto. A expectativa é que os resultados contribuam para ampliar o uso do biodiesel como alternativa para reduzir emissões no transporte rodoviário.
Segundo a diretora de sustentabilidade da EcoRodovias, Monica Jaén, os resultados demonstram que é possível reduzir emissões mantendo eficiência operacional. Para a Volkswagen Caminhões e Ônibus, os dados indicam estabilidade mecânica e desempenho consistente dos veículos com o uso do B100.

