A associação dos fabricantes de veículos, a Anfavea, aplaudiu o anúncio, na segunda-feira, 1º, do novo titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). “Avaliamos que a escolha do senador Armando Monteiro Neto integrará as relações do governo com o setor produtivo em razão do seu amplo conhecimento dos desafios da indústria e das formas de aumentar a competitividade da indústria brasileira”, afirmou em nota Luiz Moan, presidente da Anfavea.
Monteiro Neto foi indicado pela presidente Dilma Rousseff para assumir o lugar ocupado hoje por Mauro Borges, que permanece no MDIC até que sejam concluídas a transição e a formação da nova equipe. No mesmo dia em que foi anunciado para a pasta, o senador pelo PTB de Pernambuco, que já foi presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de 2002 a 2010, manifestou em seu primeiro pronunciamento oficial à imprensa, no Palácio do Planalto, preocupação com a perda de competitividade da indústria brasileira, com saldo comercial negativo e queda das exportações de manufaturados.
Monteiro adiantou que indústria e competitividade terão papel central na agenda do Ministério. “O crescimento das exportações depende crucialmente da agenda da competitividade, porque há um acirramento da competição em escala global, dada a queda do nível do comércio internacional”, salientou.
Desburocratização e simplificação do ambiente tributário, implementação de uma política de comércio exterior mais ativa e renovação do parque fabril foram citadas pelo futuro ministro como principais medidas de uma “agenda positiva de indução ao processo de desenvolvimento sustentável”. O estímulo à inovação e o aperfeiçoamento do sistema de governança também foram lembrados por Monteiro, assim como a necessidade da redução de custos sistêmicos.
“Não há como crescer mais sem que a indústria tenha dinamismo. Crescer pela indústria é sempre o melhor caminho”, afirmou o novo ministro. Ele ressaltou ainda que o avanço da produtividade é a garantia das conquistas sociais dos últimos anos, pois permitirá a “sustentabilidade do aumento dos salários” e o fortalecimento da demanda doméstica.
Sobre a política cambial, o futuro ministro admitiu que a valorização do real na última década concorreu para a perda de competitividade da indústria brasileira, mas disse que a situação será contornada. “Acredito firmemente na coordenação das políticas monetária e fiscal do próximo governo. Teremos realinhamento cambial, que se dará em condições naturais, sem nada que pareça movimento brusco ou que tenha caráter artificial.”
