O ano de 2025 para as associadas da ABEIFA terminou com um saldo positivo. Segundo dados apresentados pela entidade nesta última terça-feira (20), o acumulado do ano alcançou137.973 unidades, 31,7% mais em relação ao ano anterior, quando foram emplacadas 104.729 unidades. Só em dezembro o aumento foi de 56,8% em comparação com novembro.
Marcelo de Godoy, presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Fatos e Acessórios analisou o desempenho do setor e traçou um panorama desafiador para a economia brasileira. Apesar de números positivos, a avaliação geral é de que o país “acelera com o freio de mão puxado“, travado por juros altos, infraestrutura deficitária e instabilidade regulatória.
Godoy destacou que o crescimento de 2.6% do setor automotivo em geral, em 2024, ficou abaixo do potencial. “É um crescimento baixo. A nossa frota é a mais velha de toda a história, com idade média de 11, 12 anos. Para renová-la, precisaríamos crescer quase dois dígitos”, afirmou. O executivo apontou a taxa de juros como o principal obstáculo. “É quase impeditivo. Imagina pegar um empréstimo a 15% ao ano? Ninguém toma. Para crescer de forma sustentável, os juros nominais precisam cair para algo entre 8% e 9%.”

Instabilidade regulatória e “invasão chinesa”
Outro ponto de forte crítica foi a falta de clareza e constância nas regras para o setor. Godoy citou o caso das alíquotas de importação, que sofreram alterações recentes. “Você não pode ficar mudando. É terrível para o país. É importante ter uma economia o mais aberta possível e com regras claras. É isso que faz o país crescer sustentavelmente.” Sobre a crescente presença de fabricantes chinesas, o executivo foi direto:
“A invasão chinesa vai acontecer e está acontecendo, mas não tá nem perto do fim. Tá começando.” Ele ponderou, no entanto, que a penetração dessas marcas no Brasil ainda é baixa comparada a outros mercados e defendeu que a concorrência deve ser bem-vinda, desde que estruturada e com regras definidas.
Destaques do mercado e transição energética
Apesar do cenário macroeconômico desafiador, alguns segmentos apresentaram desempenho robusto. O mercado de veículos premium cresceu 31.7% em 2024, com marcas como Volvo tendo, segundo Godoy, “o melhor ano de sua história no país em 20 anos”. A eletrificação também avança: os carros híbridos e elétricos já representam 35% das importações das empresas associadas à ABEIFA.
“O movimento de saída dos combustíveis fósseis é forte. A conversão para o elétrico vai acontecer nos próximos dias”, projetou. Ele citou o sucesso de marcas novas como a chinesa GWM, que já vende mais de 1.000 unidades por mês, como um sinal da transformação do mercado.

Desafios logísticos e perda de relevância do Mercosul
Godoy também alertou para os problemas crônicos de infraestrutura e competitividade. “O custo do frete marítimo para o Brasil ainda é caríssimo, e a mão de obra, cara e pouco qualificada.” Ele mencionou ainda a perda de relevância do Mercosul como origem das importações, com a Ásia, liderada pela China, ganhando cada vez mais espaço.
Para o futuro, o presidente da ABEIFA reforçou a necessidade de o país investir em seu potencial de crescimento. “O Brasil precisa crescer potencialmente mais. O que é isso? Estradas, portos, aeroportos. Se o Brasil não tiver isso, esse número do PIB nunca vai subir de forma ordenada.”
