Associadas ABEIFA têm crescimento em 2025, mas presidente faz ponderações

Por Victor Fagarassi

- janeiro 21, 2026

byd - abeifa

O ano de 2025 para as associadas da ABEIFA terminou com um saldo positivo. Segundo dados apresentados pela entidade nesta última terça-feira (20), o acumulado do ano alcançou137.973 unidades, 31,7% mais em relação ao ano anterior, quando foram emplacadas 104.729 unidades.  Só em dezembro o aumento foi de 56,8% em comparação com novembro.

Marcelo de Godoy, presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Fatos e Acessórios analisou o desempenho do setor e traçou um panorama desafiador para a economia brasileira. Apesar de números positivos, a avaliação geral é de que o país “acelera com o freio de mão puxado“, travado por juros altos, infraestrutura deficitária e instabilidade regulatória.

Godoy destacou que o crescimento de 2.6% do setor automotivo em geral, em 2024, ficou abaixo do potencial. “É um crescimento baixo. A nossa frota é a mais velha de toda a história, com idade média de 11, 12 anos. Para renová-la, precisaríamos crescer quase dois dígitos”, afirmou. O executivo apontou a taxa de juros como o principal obstáculo. “É quase impeditivo. Imagina pegar um empréstimo a 15% ao ano? Ninguém toma. Para crescer de forma sustentável, os juros nominais precisam cair para algo entre 8% e 9%.”

20260120 111613 (1)O presidente da ABEIFA usou uma analogia para criticar a política econômica atual. “O governo está fomentando gastos e o Banco Central está segurando. É como acelerar com o freio de mão puxado. O país não cresce tanto quanto deveria por causa dessa contradição.” Ele defendeu que a queda dos juros só virá com um controle fiscal mais rigoroso por parte do governo.

Instabilidade regulatória e “invasão chinesa”

Outro ponto de forte crítica foi a falta de clareza e constância nas regras para o setor. Godoy citou o caso das alíquotas de importação, que sofreram alterações recentes. “Você não pode ficar mudando. É terrível para o país. É importante ter uma economia o mais aberta possível e com regras claras. É isso que faz o país crescer sustentavelmente.” Sobre a crescente presença de fabricantes chinesas, o executivo foi direto:

“A invasão chinesa vai acontecer e está acontecendo, mas não tá nem perto do fim. Tá começando.” Ele ponderou, no entanto, que a penetração dessas marcas no Brasil ainda é baixa comparada a outros mercados e defendeu que a concorrência deve ser bem-vinda, desde que estruturada e com regras definidas.

Destaques do mercado e transição energética

Apesar do cenário macroeconômico desafiador, alguns segmentos apresentaram desempenho robusto. O mercado de veículos premium cresceu 31.7% em 2024, com marcas como Volvo tendo, segundo Godoy, “o melhor ano de sua história no país em 20 anos”. A eletrificação também avança: os carros híbridos e elétricos já representam 35% das importações das empresas associadas à ABEIFA.
“O movimento de saída dos combustíveis fósseis é forte. A conversão para o elétrico vai acontecer nos próximos dias”, projetou. Ele citou o sucesso de marcas novas como a chinesa GWM, que já vende mais de 1.000 unidades por mês, como um sinal da transformação do mercado.

Associadas da ABEIFA tem crescimento em 2025, mas presidente faz ponderações
Emplacamentos separados por marcas associadas ABEIFA

Desafios logísticos e perda de relevância do Mercosul

Godoy também alertou para os problemas crônicos de infraestrutura e competitividade. “O custo do frete marítimo para o Brasil ainda é caríssimo, e a mão de obra, cara e pouco qualificada.” Ele mencionou ainda a perda de relevância do Mercosul como origem das importações, com a Ásia, liderada pela China, ganhando cada vez mais espaço.
Para o futuro, o presidente da ABEIFA reforçou a necessidade de o país investir em seu potencial de crescimento. “O Brasil precisa crescer potencialmente mais. O que é isso? Estradas, portos, aeroportos. Se o Brasil não tiver isso, esse número do PIB  nunca vai subir de forma ordenada.”

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