Cidade tenta ser a 1ª em Minas Gerais a implantar sistema
Cidade tenta ser a 1ª em Minas Gerais a implantar sistema
A meta em Uberaba é que o BRT atraia motoristas para o sistema de transporte coletivo. Os ônibus serão maiores, mais espaçosos, com estações climatizadas e no mesmo nível de embarque. A promessa é de que os intervalos de viagens sejam entre três e cinco minutos – atualmente são, de cinco minutos a 80 minutos, no caso linhas para a zona rural. Embora terra, lama e mato ainda tomem conta das áreas dos futuros terminais, em lados opostos da Avenida Leopoldino de Oliveira, a prefeitura diz ser possível concluir a primeira fase da obra em 80 dias. O projeto foi iniciado em setembro do ano passado, na gestão do ex-prefeito Anderson Adauto (sem partido) – o atual prefeito é Paulo Piau (PMDB). Até o momento, somente as estações tubo, iniciativa idêntica à do BRT de Curitiba (PR), foram instaladas no canteiro central da avenida.
Na avaliação da prefeitura, que reconhece atrasos, as obras pendentes são simples de ser concluídas. Segundo o secretário de infraestrutura do município, José Donizete de Melo, a construção dos terminais exigiria apenas o término da montagem dos pré-moldados que darão forma à estrutura. O passo seguinte seria a instalação de faixas de separação dos BRTs na pista, eliminando pontos de conversão à esquerda,e a instalação de sensoresnos semáforos, capazes de agilizar a abertura e o fechamento para a passagem dos ônibus.
Testes – “Enfrentamos imprevistos técnicos como muita chuva, remoção de rede elétrica, um caso de desapropriação numa das alças de acesso do Terminal Leste, além da drenagem da Leopoldino de Oliveira. Alguns módulos (estações tubo) tiveram problema de liberação de recursos, mas as obras já foram retomadas e pretendemos concluir tudo num prazo de 80 dias corridos”, afirma o secretário. Ele insistiu que há tempo suficiente para sanar todas as pendências do primeiro corredor até julho. “Assim que o BRT estiver pronto e em operação, vamos sentir tudo e fazer os ajustes necessários. Com o primeiro corredor, teremos a expertise para fazer o segundo e o terceiro”, acrescenta.
Segundo Claudinei Nunes, superintendente de planejamento de trânsito e transporte de Uberaba, uma das metas do BRT é eliminar 60% dos 103 ônibus convencionais que hoje circulam no Centro da cidade. Após a conclusão das obras, Nunes afirma que será feita uma fase de testes de cerca de 10 dias, que simulará a operação das linhas. “Com o BRT, o passageiro poderá fazer até três integrações numa sequência de destinos num intervalo de até uma hora e meia”, calcula. Diante da possibilidade de aumento de custos, o superintendente descarta aumento da tarifa. “Pelo que estamos sentindo, vamos atender uma demanda reprimida, aumentando o número de passageiros. A tendência é a tarifa ficar mais barata”, prevê.
Um problema ainda sem solução é a travessia dos passageiros entre as estações de embarque e os ônibus. A reportagem do EM constatou que, com os veículos alinhados à calçada das estações, haverá um vão de no mínimo 30 centímetros. Os 14 ônibus da frota inicial não virão equipados com plataformas elevatórias para auxiliar a travessia. Uma alternativa, aponta uma das empresas operadoras, é adaptar os coletivos.
Ônibus nas garagens – As duas empresas de ônibus de Uberaba cumpriram o prazo inicial de conclusão do sistema e entregaram 14 ônibus do tipo padron – com motor traseiro e capacidade para 100 pessoas –, em dezembro do ano passado. Mas a construção do terminal oeste, de responsabilidade de ambas, continua pendente. Ainda é necessário fazer terraplanagem no local, que servirá de passagem para milhares de passageiros. No terminal leste, as primeiras estruturas pré-moldadas foram erguidas no início do ano. O fato de os ônibus estarem sem uso nas garagens não preocupa os diretores da Piracicabana Uberaba e Lider Coletivo. “O investimento foi alto e gostaríamos de que os ônibus já estivessem rodando, mas os atrasos nas obras ocorreram em decorrência de força maior. Estamos confiantes de que num curto prazo já possamos rodar”, afirma o gerente da Piracicabana, Rodrigo Oliveira.
A Piracicabana investiu cerca de R$ 500 mil em cada um dos quatro BRTs que irão compor a frota da companhia. “Enquanto o corredor não fica pronto, os BRTs não servem para outra coisa. Como só tem portas de embarque em nível elevado e lado esquerdo, não dá para aplicar nas outras linhas. Ainda assim, o projeto vai ser de Primeiro Mundo”, acredita Oliveira. Por sua vez, o diretor da Lider, André Barsan, diz estar confiante no funcionamento do sistema no segundo semestre.
Estado de Minas
