Caminhões elétricos avançam na China e chegam a 28% das vendas de pesados

Sinotruk liderou as vendas de caminhões pesados por fabricante, enquanto XCMG, FAW e outras marcas disputam espaço na eletrificação.

Por Victor Fagarassi

- setembro 28, 2026

Cópia de IMAGEM PARA DISCOVERY 2026 09 28T122346.620

A eletrificação dos caminhões pesados ganhou escala na China em 2025. O país vendeu aproximadamente 815 mil caminhões pesados no recorte de motorização analisado pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT). Desse total, cerca de 225 mil eram elétricos a bateria, o equivalente a 28% das vendas. A participação quase dobrou em relação aos aproximadamente 15% registrados em 2024. Em termos simples, quase três em cada dez caminhões pesados vendidos no país eram elétricos.

O diesel continuou como a principal motorização, com cerca de 374 mil unidades, ou 46% do mercado. Já os caminhões movidos a gás natural somaram aproximadamente 199 mil vendas, equivalentes a 25%. Os números mostram que a eletrificação ainda não substituiu as tecnologias convencionais, mas já se tornou uma alternativa de grande porte no maior mercado automotivo do mundo.

Sinotruk lidera entre os fabricantes de pesados

Além da mudança tecnológica, o mercado chinês é marcado pela força de grandes fabricantes locais. Dados de vendas de caminhões pesados por empresa divulgados para 2025 colocam a Sinotruk na liderança, com cerca de 304,9 mil unidades. Na sequência aparecem a FAW Jiefang, com 215,5 mil, a Shaanxi Auto, com 184 mil, a Dongfeng, com 181,5 mil, e a Foton, com 142,2 mil.

Caminhões pesados china

Esses volumes ajudam a dimensionar a escala dos grupos chineses, mas devem ser lidos com atenção: rankings empresariais podem usar escopos e critérios diferentes dos levantamentos de mercado por motorização. Por isso, os números de vendas por fabricante não devem ser somados nem comparados diretamente ao total de 815 mil caminhões pesados usado pelo ICCT para detalhar diesel, gás e elétricos. O estudo do ICCT aponta FAW, Dongfeng, Sinotruk, Foton e Shacman entre os cinco maiores fabricantes convencionais de pesados; juntos, eles concentraram 82% desse mercado em 2025.

Na categoria elétrica, a disputa é menos concentrada. Segundo o ICCT, as cinco principais fabricantes de caminhões pesados de emissão zero foram XCMG, FAW, Sinotruk, Shacman e Hunan Truck. Juntas, responderam por 59% das vendas desse tipo de veículo, proporção 9,3 pontos percentuais maior que em 2024, mas ainda bem abaixo da concentração observada entre os fabricantes convencionais. A diferença sugere um mercado elétrico em formação, com espaço para novos concorrentes e para fabricantes tradicionais que estão ampliando suas linhas a bateria.

Elétricos também avançam nos caminhões médios

A mudança aparece também nos caminhões médios. O segmento registrou aproximadamente 790 mil unidades vendidas em 2025. Cerca de 172 mil eram elétricas, o equivalente a 22% do total. Uma alta de 57,1% em relação ao ano anterior. O diesel manteve a liderança, com aproximadamente 560 mil unidades, ou 71% das vendas. A eletrificação, portanto, já representa uma parcela expressiva também entre os médios, embora fique abaixo da participação observada nos pesados.

Entre os fabricantes convencionais de caminhões médios, o ICCT lista Foton, Sinotruk, JAC, JMC e FAW como os cinco principais, com 63% do mercado combinado. No segmento de emissão zero, os nomes destacados são Geely, Foton, SAIC, JAC e Sinotruk, responsáveis juntos por 55% das vendas. A presença simultânea de marcas tradicionais e grupos com forte atuação em novas energias mostra como a eletrificação está redesenhando a concorrência entre diferentes tipos de fabricante.

Posto de recarga de elétricos na China
Posto de recarga de elétricos na China

Portos, minas e rotas previsíveis puxam a adoção

Caminhões elétricos avançam mais rapidamente em operações com rotas previsíveis e acesso à infraestrutura, como portos, mineração, transporte de curta e média distância e entregas urbanas. Nesses cenários, a recarga em instalações próprias ou a troca de baterias pode reduzir o tempo parado e facilitar o planejamento da frota. Operações intensivas, concentradas em locais específicos e com alta utilização também ajudam a diluir o investimento no veículo e na infraestrutura.

Os dados municipais do ICCT ilustram essa diferença. Xangai liderou nas vendas de caminhões-tratores elétricos pesados, com mais de 33 mil unidades em 2025; eles representaram 81% das vendas locais nessa categoria. Em caminhões basculantes pesados, a participação dos modelos de emissão zero chegou a 92,8% em Shijiazhuang e 91,9% em Zhengzhou.

A infraestrutura também evolui. As vendas de caminhões pesados compatíveis com troca de bateria alcançaram cerca de 68,3 mil unidades em 2025, alta aproximada de 131% ante 2024. A tecnologia interessa especialmente a frotas que precisam manter os veículos em operação por muitas horas: em vez de aguardar uma recarga longa, o caminhão pode substituir a bateria em uma estação preparada para esse serviço.

O que os números significam para o Brasil

Para o mercado brasileiro, o avanço chinês oferece uma pista importante: a eletrificação de pesados começa pelas aplicações em que o veículo trabalha em rotas conhecidas, roda bastante e pode contar com recarga dedicada. A pergunta não é apenas se o caminhão elétrico funciona, mas em quais operações ele já consegue competir com diesel e gás em custo, autonomia e produtividade.

A experiência chinesa pode servir de referência para avaliar projetos em portos, mineração, centros de distribuição e corredores de transporte brasileiros. Entretanto, uma comparação direta exige considerar diferenças de escala e infraestrutura. A participação de 28% nos pesados mostra que a eletrificação já tem peso comercial na China; não prova, por si só, que o mesmo ritmo possa ser reproduzido no Brasil.

O retrato de 2025 combina, portanto, duas tendências: grandes fabricantes tradicionais mantêm forte presença no mercado geral, enquanto novas empresas e grupos diversificam a concorrência nos veículos elétricos. Com cerca de 225 mil caminhões pesados a bateria e 172 mil médios elétricos vendidos no ano, a China transformou a eletrificação em uma frente central da indústria de transporte, embora diesel e gás ainda representem a maior parte das vendas.

Sinotruk lidera no segmento de caminhões convencionais na China
Sinotruk lidera no segmento de caminhões convencionais na China

*Números publicados pelo ICCT em junho de 2026; e ranking de venda de caminhões publicado pela China Vehicle

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *