Vendas de pneus nacionais caem 13,3% enquanto importações avançam no Brasil

Importações de pneus cresceram 58,3% entre janeiro e agosto de 2026, enquanto as vendas nacionais para reposição caíram 13,3%, segundo ANIP e ComexStat.

Por Victor Fagarassi

- setembro 28, 2026

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As importações de pneus cresceram 58,3% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com igual período de 2025. No mesmo intervalo, as fabricantes instaladas no Brasil venderam 13,3% menos pneus para o mercado de reposição, segundo dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) e do ComexStat.

As importações passaram de 21,6 milhões para 34,2 milhões de unidades. As vendas nacionais para reposição recuaram de 16,9 milhões para 14,6 milhões. Com isso, os produtos importados chegaram a 70% do mercado, ante 30% das fabricantes instaladas no país. Em 2019, a indústria nacional detinha 66% desse mercado.

Pneus de carga

No segmento de pneus de carga, as importações aumentaram 116,2%, enquanto as vendas nacionais para reposição caíram 9,8%. Os produtos fabricados no Brasil responderam por 28% do mercado, ante 72% dos importados.

As vendas nacionais de pneus de carga para reposição somaram 2,75 milhões de unidades, ante 3,05 milhões nos oito primeiros meses de 2025. Considerando todos os canais, as vendas de pneus de carga nacionais recuaram 7,2%, para cerca de 4 milhões de unidades.

Pneus de passeio e comerciais leves

As vendas nacionais para reposição de pneus de passeio e comerciais leves caíram 14,1%, de 13,8 milhões para 11,9 milhões de unidades. As importações cresceram 47,8%, de 18,3 milhões para 27 milhões.

Os importados passaram a representar 69% desse mercado, enquanto os fabricantes nacionais ficaram com 31%. Em 2019, a participação era de 35% para os importados e 65% para a indústria nacional.

Produção nacional e importações da China

A cadeia brasileira de pneus reúne 19 fábricas em sete estados, emprega diretamente 35 mil pessoas e gera mais de 500 mil empregos indiretos, segundo a ANIP. O mercado de reposição representa 62% das vendas das fabricantes nacionais; o fornecimento às montadoras corresponde a 38%.

No total, as vendas da indústria instalada no Brasil caíram 8,6% nos oito primeiros meses do ano, de 25,8 milhões para 23,6 milhões de pneus. As vendas às montadoras ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,4%.

A China respondeu por 81% das importações brasileiras de pneus de passeio no período, com cerca de 21,8 milhões de unidades — alta de 49% ante 2025. Nas importações de pneus de carga provenientes do país, o volume chegou a aproximadamente 2,64 milhões, crescimento de 78%.

A ANIP informou que ajustou a estimativa de importações chinesas de pneus de carga em julho após identificar uma inconsistência no ComexStat. O sistema registrou mais de 650 milhões de unidades, número que a entidade considerou incompatível com o mercado. Com base no peso líquido importado e no peso médio dos pneus, a associação estimou o volume em 706,5 mil unidades.

Propostas da ANIP

A ANIP defende medidas para aproximar as condições de competição entre fabricantes nacionais e importadores. Entre as propostas apresentadas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estão elevar de 25% para 35% a tarifa de importação de pneus de passeio e criar um preço de referência para pneus importados.

A entidade também pede fiscalização das obrigações ambientais dos importadores, incluindo a coleta e a destinação de pneus inservíveis. Segundo dados do IBAMA citados pela associação, o passivo de pneus não recolhidos por importadores supera 500 mil toneladas nos últimos 14 anos.

A ANIP afirma que as medidas não têm como objetivo impedir importações, mas estabelecer condições equivalentes para os agentes do mercado. A associação cita como referências tarifas adotadas pelo México e medidas da União Europeia sobre pneus importados da China.

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