Ao completar 100 anos de operação, a Saur, empresa familiar que chega à quarta geração, reposiciona sua estratégia de mercado com foco em equipamentos conectados, telemetria, sensoriamento e automação. A informação é de Rodrigo Stefanini, diretor Comercial da companhia, que detalhou em entrevista os investimentos e as linhas de produto que devem sustentar os próximos ciclos de crescimento.
Segundo ele, o centenário é simbolizado pelo logotipo comemorativo, no qual o último zero aparece aberto, com ângulos que saem da base para representar a continuidade do legado. “O que nós estamos reforçando no nosso centenário é que a gente precisa continuar com todos os nossos valores e com todo o legado que nos trouxe até aqui. Mas, com certeza, os produtos que nós temos hoje na nossa linha não serão mais os mesmos“, afirma Stefanini. “O que nós vislumbramos para os próximos 100 anos é justamente trazer cada vez mais equipamentos conectados, com telemetria, sensoriamento e automação“, revela.
O diretor explica que a guinada tecnológica não começou no centenário, mas foi estruturada ao longo dos últimos anos. A Saur, que se posiciona não apenas como fabricante de equipamentos, mas como fornecedora de ferramentas logísticas customizadas. “Separamos a engenharia do P&D justamente para nós termos pessoas pensando em inovações e novos produtos para solucionar os problemas logísticos e a redução de pessoas no mercado“, diz Stefanini.
Segundo o executivo, a redução de mão de obra não decorre apenas de custos, mas de uma tendência estrutural de escassez de profissionais disponíveis para serviços braçais ou repetitivos. A esse movimento foi somada a criação da Saurtech, unidade do grupo responsável pelas frentes de sensoriamento e telemetria, com atuação nas áreas eletrônica, elétrica e de inteligência. “Ambos os setores já estão bem firmados dentro da nossa estrutura e eles são os precursores das próximas novidades“, destaca.
Agro
Na linha agrícola, considerada o carro-chefe da empresa, Stefanini destaca duas inovações principais. A primeira são os coletores autônomos de amostras, que dispensam operador e realizam toda a operação de forma automática, com ganhos de confiabilidade e qualidade da amostra. A segunda é uma ASTE equipada com sensor NIR, capaz de fazer medições automáticas de umidade, proteína e óleo em amostras de grãos. “Essa é a tendência no agrícola“, resume. Todas as plataformas da linha já contam com telemetria para acompanhamento de horímetro, sugestões de manutenção e posição geográfica.
Intralogística
Na área de intralogística e soluções industriais, o foco está em sensoriamento e pressão automática. Garras já equipadas com sistema de pressão automática dispensam o operador de selecionar a pressão adequada para cada produto, decisão que passa a ser tomada pelo próprio equipamento, reduzindo danos a materiais e melhorando a performance da operação. Na linha de spreaders, inclusive o modelo destinado à movimentação de celulose por arame, a telemetria já mede ciclos por hora, produtividade e necessidades de manutenção. “Estamos agregando toda essa questão da telemetria e sensoriamento nos equipamentos principais da Saur, os que têm maior volume“, afirma.
Florestal
O portfólio inclui ainda equipamentos para o setor florestal, com destaque para o Forwarder, equipamento autopropelado cuja terceira versão foi lançada este ano com telemetria de posição geográfica, produtividade por hora, consumo de combustível e manutenção integrados.
Toda a manufatura e industrialização é realizada no Brasil, com engenharia nacional, embora a empresa mantenha parcerias internacionais de longa data, como a firmada com a Calpi, da Alemanha, com quem troca tecnologias. “Mandamos os nossos lançamentos para eles e eles mandam os deles para nós, marcando um intercâmbio tecnológico“, relata Stefanini. “Sozinho hoje ninguém anda. Todo mundo precisa ter bons parceiros, porque a inovação não espera. Vem a necessidade e ela acontece muito rápido. E se a gente quiser fazer tudo sozinho, você vai demorar muito tempo“, argumenta.
Intra-Log Expo 2026

Questionado sobre as novidades apresentadas em feira, o diretor citou as garras inteligentes, os spreaders, as niveladoras de doca e o Truck Lift. No caso das docas, a empresa tem incorporado travamento de caminhão, sinalização, sensores de proximidade e telemetria para que o centro de distribuição monitore a ocupação ou vacância de cada posição.
O Truck Lift, equipamento já presente no portfólio há bastante tempo, ganha novo impulso. Se trata de um elevador de veículos de alta capacidade, para caminhões e ônibus, que elimina a necessidade de construção de valas de manutenção. “Hoje uma vala, é um problema dentro de uma operação. Alguém pode cair, quebrar a perna, tem a questão do cercamento“, observa. O sistema é composto por colunas móveis, sem fio, alimentadas por cabo ou bateria e comunicadas via wireless, conceito que, segundo ele, vem sendo adotado por concessionárias. “É uma tendência de mercado não construir mais as valas. O Truck Lift vem para resolver essa dor“, determina Stefanini.
Sobre os investimentos, o executivo informa que a empresa realiza anualmente seu plano estratégico, com análise do conselho, da diretoria e de todas as gerências, e reserva verba para novos investimentos direcionada principalmente à área de P&D, utilizada para protótipos, parcerias e compra de tecnologias. “Normalmente a gente tenta investir uma boa parte e a gente tem chegado aí nos 5%, 6% ao ano do nosso faturamento“, revela.
ESG
Por fim, o diretor destacou a agenda ESG como vetor estratégico para o desenvolvimento de produtos. “Não podemos esquecer da questão da pegada ESG, que hoje vem bem forte no mercado, essa questão de governança, meio ambiente, emissão de carbono, e isso nos mostra sim a tendência da eletrificação.” Segundo ele, a busca por equipamentos com menos óleo, menos graxa, menos resíduos e menor necessidade de manutenção está alinhada à cobrança crescente por responsabilidade dentro do ecossistema. “Qualquer produto que você vai desenvolver tem que compreender essa parte do pessoal de saúde e meio ambiente, porque as empresas estão sendo cada vez mais cobradas em ter sua responsabilidade dentro do ecossistema ao qual você vive“, finaliza.





