A BYD planeja fabricar caminhões na Europa para evitar tarifas

Fabricante avalia produzir veículos na Hungria, na Turquia ou em uma fábrica da Stellantis no sul da Europa

Por Victor Fagarassi

- setembro 16, 2026

A BYD planeja fabricar caminhões na Europa para evitar tarifas

A BYD planeja lançar seu primeiro caminhão pesado elétrico na Europa em 2027. O anúncio foi feito pela vice-presidente executiva da companhia, Stella Li, durante a IAA Transportation 2026, em Hannover, na Alemanha.

Segundo Li, a BYD pretende produzir localmente, no longo prazo, todos os veículos comercializados no mercado europeu. A estratégia inclui a ampliação da produção, o desenvolvimento de uma rede de recarga e a oferta de serviços integrados para operadores de frotas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O principal modelo apresentado pela BYD é o ETT 44, um caminhão trator 4×2 destinado a combinações de até 44 toneladas. O veículo utiliza uma bateria Blade de 651 kWh e arquitetura elétrica de 851 volts. A potência nominal é de 743 cv, enquanto a máxima chega a 1.000 cv. A autonomia informada é de até 600 quilômetros. A BYD não esclareceu, porém, qual ciclo de medição foi utilizado para chegar ao número.

Com carregadores CCS2, o caminhão pode recuperar a carga de 20% a 80% em aproximadamente uma hora. Já o sistema proprietário Megawatt Charging System, com potência de até 1,5 MW, reduz esse intervalo para cerca de 20 minutos e pode acrescentar até 400 quilômetros de autonomia, segundo a fabricante.

Além do ETT 44, a BYD apresentou caminhões rígidos nas configurações 4×2 e 6×2, a van comercial leve E-Vali e um trator elétrico para operações de pátio. A linha contempla veículos com capacidades entre 3,5 e 44 toneladas.

Produção local pode reduzir impacto de tarifas

A expansão da produção na Europa também está relacionada às discussões sobre possíveis tarifas aplicadas a caminhões elétricos fabricados na China. Fabricantes tradicionais, como a Traton, defendem medidas semelhantes às adotadas pela União Europeia para veículos elétricos de passeio chineses.

Stella Li classificou as tarifas como uma pressão de curto prazo e afirmou que a produção local poderá reduzir os efeitos dessas medidas. A executiva também indicou que a BYD pretende estabelecer uma operação industrial no continente antes de eventuais novas regras específicas para caminhões.

A fábrica de veículos de passeio da BYD em Szeged, na Hungria, é uma das alternativas consideradas para a produção. A unidade tem início da produção em massa previsto para 2027. Outra possibilidade é a fábrica da empresa na Turquia, cuja operação depende da definição das regras de conteúdo local do programa “Made in Europe”.

A BYD também negocia a aquisição de uma unidade da Stellantis no sul da Europa. Segundo a companhia, as conversas estão em estágio avançado.

Mercado europeu terá concorrência entre fabricantes

O mercado europeu de caminhões pesados elétricos ainda é menor que o de veículos a diesel, mas reúne fabricantes como Daimler, Volvo, Scania e MAN. Essas empresas também desenvolvem caminhões compatíveis com sistemas de carregamento de megawatts.

Com autonomia de até 600 quilômetros e recarga de 1,5 MW, o ETT 44 poderá competir com os modelos oferecidos por fabricantes europeus. O preço e as condições comerciais do caminhão ainda não foram divulgados.

A Tesla também apresentou na IAA Transportation a versão europeia do Semi. Nos Estados Unidos, o modelo é oferecido com autonomias de aproximadamente 523 km e 805 km, dependendo da configuração, e utiliza carregamento de até 1,2 MW. A recarga de 20% a 80% leva cerca de 30 minutos, segundo a fabricante.

Infraestrutura de recarga será diferencial

A BYD pretende utilizar a infraestrutura de recarga como parte da estratégia de entrada no mercado europeu. No mercado chinês, a empresa informa ter instalado 10 mil carregadores de 1.500 kW para veículos de passeio em cinco meses e planeja instalar outros 15 mil.

A capacidade de oferecer veículos e carregadores pode diferenciar a BYD em relação a fabricantes que dependem de redes desenvolvidas por empresas terceiras e consórcios. Para transportadoras, a disponibilidade dos pontos de recarga e o tempo de operação dos caminhões são fatores relevantes na decisão de compra.

Ao mesmo tempo, a integração entre veículos, baterias e infraestrutura pode gerar questionamentos sobre concentração de mercado. A União Europeia já adotou tarifas sobre veículos elétricos de passeio fabricados na China para reduzir a dependência de fornecedores chineses.

A entrada da BYD no segmento europeu de caminhões pesados deverá ocorrer, portanto, em um cenário marcado pela disputa tecnológica, pela expansão da infraestrutura de recarga e pelas discussões sobre produção local e regras comerciais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *