A Allison Transmission participou da Lat.Bus 2026 apresentando sua evolução de engenharia de aplicação de produto para integração veicular, com destaque para a caixa MD9 e a transmissão T3275 XFE. Celso João, diretor de Engenharia de Integração Veicular da empresa, explicou que uma transmissão automática moderna não é simplesmente aplicada ao veículo, mas precisa se integrar a um conjunto com rede neural integrada, resultando em performance otimizada em desempenho e economia de combustível. Segundo ele, essa integração deve resultar em desempenho, economia especialmente de combustível e otimização do conjunto como um todo.
No estande, a MD9 foi exposta em corte para revelar seus componentes internos. Trata-se de uma transmissão automática de classe intermediária para veículos leves e médios, composta por dois elementos de multiplicação hidráulica. O primeiro é o conversor de torque, componente centenário que funciona por meio de fluxo de fluido, composto por uma bomba conectada diretamente ao motor, um estator e uma turbina que conecta a saída do conversor ao trem de engrenagens. Esse conjunto realiza multiplicação de torque de maneira contínua, aproveitando o fluxo de vórtice do óleo, sem qualquer componente eletrônico em seu interior.

Associado a um trem planetário, o conversor de torque provoca reduções de rotação. Na MD9, quatro conjuntos planetários resultam em nove marchas à frente e uma à ré, sendo três delas overdrive, com relação menor que um, multiplicando a rotação de saída. A transmissão possui embreagens rotativas que transportam o torque do conversor ao trem planetário, e embreagens fixas que travam componentes do planetário para provocar as reduções necessárias. A parte eletrônica, incorporada via ICV, traz inovações no escalonamento de marchas, explorando as relações overdrive para manter a rotação do motor em faixas favoráveis ao consumo de combustível.
A grande tendência das transmissões automáticas, segundo Celso João, é o aumento do número de marchas para obter um escalonamento mais bem distribuído ao longo do funcionamento do veículo. A MD9 se aplica a veículos de até aproximadamente 25 toneladas, incluindo caminhões, ônibus e ônibus escolares, com limites estabelecidos para cada aplicação em termos de torque, potência de entrada e peso.
Novo ônibus

No novo chassi Agrale MT 18.0 LE, exposto na feira, a Allison apresentou a transmissão T3275 XFE, da série 3000. O sufixo XFE significa Extra Fuel Economy, característica obtida pelo escalonamento de marchas e pelo tipo de conversor de torque, que permite a entrada da embreagem lock-up muito cedo, eliminando o escorregamento do conversor sempre que possível. A transmissão conta ainda com um retardador hidrodinâmico acoplado à parte traseira, freio auxiliar especialmente importante para motores a gás natural, que não possuem freio motor.
Celso João destacou que a combinação entre transmissão automática e motor CNG é especialmente vantajosa, pois o motor de combustão interna se associa bem tanto na interface motor-transmissão quanto no ciclo operacional. A Allison dispõe de uma família de conversores curvos de absorção, calibrados para diferentes curvas de torque, garantindo resposta satisfatória independentemente das características do motor a gás. O chassi Agrale, já produzido na Argentina há bastante tempo com mais de 7.000 unidades em Buenos Aires, chega ao Brasil com o motor Weichai de 270 cavalos e 1.150 Nm, utilizando a transmissão Allison otimizada para essa aplicação.
Próximos passos
Para a Fenatran 2026, que ocorre em dois meses, a Allison ainda não definiu completamente seu portfólio, mas tradicionalmente leva aplicações cativas como caminhões de coleta de lixo e bombeiros.
Um segmento em crescente aceitação é o de caminhões de mineração de alta capacidade, com 100 a 120 toneladas, que estão adotando transmissões automáticas da série 4000. Montadoras chinesas como XCMG e Sunny estão explorando esse mercado com conjuntos de motor de alto torque, transmissão automática e eixo traseiro com cubo planetário super reduzido, permitindo respostas de desempenho e durabilidade superiores às transmissões automatizadas. A engenharia da Allison no Brasil coopera com a equipe chinesa para otimizar essas aplicações às condições específicas da mineração brasileira, já que cada localidade apresenta características distintas.







