A sexta-feira, 14 de agosto de 2026, amanheceu sobre a capital paulista com o céu encoberto por nuvens e a promessa de uma temperatura amena, típica de um inverno que já ensaiava seus primeiros sinais de fim. Os termômetros do CGE da Prefeitura de São Paulo marcavam 17°C no início da manhã, com a umidade relativa do ar em torno dos 94%. Era o cenário perfeito para colocar à prova a nova Ford Ranger Black, a mais recente aposta da montadora americana para o segmento de picapes médias urbanas.
Com preço de R$ 242.600, a versão Black chega ao mercado como uma opção de entrada bem equipada, mas com um apelo visual diferente e que contempla grade frontal, rodas de 18 polegadas, estribos, retrovisores e para-choques em tons escuros que justificam o nome. A frase do fundador Henry Ford, “So long as its black” (“Desde que seja preto”), estampada no banco do passageiro, é um lembrete irônico e elegante de que a era das cores, para esta picape, é apenas uma questão de detalhe.
O roteiro do test drive consistia em cruzar a cidade de São Paulo, pegar a Rodovia Castelo Branco em direção ao interior e explorar trechos de terra nas proximidades de Iperó e Boituva. A primeira etapa do trajeto, ainda dentro da selva de pedra paulistana, começou pela Avenida dos Bandeirantes, uma das vias mais movimentadas da zona sul.
A Ranger Black, com seus 5,37 metros de comprimento e 2,20 metros de largura, não é exatamente um veículo compacto, mas a direção elétrica e a transmissão automática de seis velocidades tornam a condução surpreendentemente ágil no trânsito pesado. Sob o capô, o motor Panther 2.0 turbodiesel entrega 170 cv de potência a 3.500 rpm e um torque de 41,3 kgfm a 2.000 rpm, números que se traduzem em respostas prontas aos comandos do acelerador, mesmo nas arrancadas entre os semáforos. A transição para a Marginal Pinheiros foi fluida, com a picape absorvendo as irregularidades do asfalto com a desenvoltura de quem tem suspensão dianteira independente com braços sobrepostos e molas helicoidais, e eixo rígido com feixe de molas semielípticas na traseira.
A saída de São Paulo em direção ao interior, pela Rodovia Castelo Branco (SP-280), marcou o início da verdadeira avaliação da picape em estrada. A Ranger Black, com seus pneus All Terrain 255/65 R18 e uma autonomia de até 880 km graças ao tanque de 80 litros, parece ter sido projetada para devorar quilômetros. O consumo de 11 km/l na estrada é um número respeitável para uma picape de 2.069 kg, e a cabine, com revestimentos premium e bancos parcialmente em couro ecológico, oferece um isolamento acústico que transforma a viagem em uma experiência quase luxuosa.
O sistema multimídia SYNC 4 com tela de 10 polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, manteve a conexão com o mundo enquanto a paisagem urbana dava lugar aos primeiros campos e fazendas do interior. A meteorologia colaborava e a passagem de uma frente fria pela costa de São Paulo diminuía as temperaturas, com a máxima na capital não passando dos 25°C, mas o céu ainda reservava chuvas isoladas e intermitentes.
Ao se aproximar de Boituva, o asfalto deu lugar a um trecho de estrada de terra nas proximidades de Iperó, onde a Ranger Black pôde mostrar seu lado mais aventureiro. A tração 4×2, que pode parecer uma limitação para alguns, mostrou-se mais do que suficiente para encarar o solo irregular e as pequenas elevações do terreno. A suspensão traseira, com feixe de molas, trabalhou em harmonia com o controle eletrônico de estabilidade e o assistente de partida em rampa, garantindo que a picape mantivesse a aderência mesmo nos trechos mais escorregadios. A sexta-feira terminou com o veículo estacionado em Boituva, sob um céu que ainda carregava as nuvens da frente fria, mas com a promessa de um fim de semana de descobertas.
O sábado, 15 de agosto, amanheceu com temperaturas mais amenas na região. Em Boituva, a previsão indicava uma manhã com céu parcialmente nublado, temperatura em torno de 16°C e ventos suaves de leste. Após um pequeno trecho rodoviário, a aventura continuou por vias de terra vermelha que serpenteavam pelo interior até a Cachaçaria Zé da Varge, na Estrada Municipal José Soares Coelho.
A estrada de terra, com suas curvas e ondulações, exigiu precisão na direção e confiança na suspensão. A Ranger Black respondeu com a firmeza de quem não tem medo de sujar os pneus. A cachaçaria, um tradicional ponto de turismo rural, foi o cenário perfeito para uma pausa, onde o visitante pode curtir uma música caipira ao vivo e conhecer as obras de arte dentro de cada tipo de tonel, entre outras gostosuras e itens disponíveis para compra, bem como sentir o verdadeiro clima do interior paulista.
A tarde de sábado foi dedicada a um passeio por Iperó e Boituva, alternando entre trechos de rodovia e as ruas das pequenas cidades. A temperatura subiu gradualmente, com a máxima prevista para a região atingindo os 27°C, e a umidade relativa do ar começou a cair, indicando a aproximação de um domingo mais ensolarado.
A Ranger Black, com seu visual escuro e imponente, não passou despercebida. Os detalhes em “Bolder Gray” nas rodas e na grade, combinados com os para-choques na cor da carroceria, criam uma estética que é ao mesmo tempo sofisticada e robusta. No interior, o painel de instrumentos colorido de 8 polegadas e os bancos com o emblema “Black” estampado reforçam a sensação de estar em um veículo pensado para quem valoriza o estilo sem abrir mão da funcionalidade.
O domingo, 16 de agosto, trouxe a mudança prometida pelo tempo. A frente fria se afastou do litoral, e a madrugada começou com céu nublado e termômetros em torno dos 17°C. Mas a promessa de um dia ensolarado se cumpriu e a temperatura máxima prevista para São Paulo era de 27°C, e a umidade do ar, que havia estado elevada nos dias anteriores, começou a declinar, com os menores valores ficando em torno dos 50%. A viagem de volta para a capital foi a última oportunidade de avaliar o desempenho da Ranger Black em longa distância. A picape, com sua transmissão automática de seis marchas e o motor turbo diesel, manteve uma condução estável e econômica, cumprindo a promessa de autonomia que a torna uma opção viável para viagens longas.
Ao final de três dias e quase 500 km percorridos entre as ruas de São Paulo, as estradas do interior e os trechos de terra de Iperó, a Ford Ranger Black deixou uma impressão duradoura. Com sua autonomia estimada de 880 km, completei toda a jornada com bastante combustível no tanque, o que torna qualquer picape mais interessante. O modelo foi uma companheira confiável tanto para o dia a dia urbano quanto para as escapadas de fim de semana.











