São Paulo registra o pior índice de confiança do TRC no Brasil

Estado atinge menor nível histórico no Índice de Confiança do Transportador com 41,2% no geral e 28,9% nas condições atuais, aponta levantamento da CNT

Por Gustavo Queiroz

- julho 7, 2026

Imagem meramente ilustrativa de caminhões na rodovia gerada por IA

O Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas (ICT) referente ao 1º semestre de 2026, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), registrou o menor nível de confiança dos empresários do setor em São Paulo desde o início da série histórica, em 2023. O índice geral de confiança no estado recuou para 41,2%, abaixo da linha de neutralidade de 50 pontos percentuais, com queda de 4,7 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025.

Entre os cinco estados avaliados pela CNT, incluindo São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o paulista registrou o menor índice geral de confiança. Na primeira participação de Minas Gerais na sondagem, o estado alcançou 47,2%, o maior entre os avaliados.

O Índice de Condições Atuais, que mede a percepção dos empresários sobre o ambiente de negócios nos seis meses anteriores à pesquisa, despencou para 28,9% em São Paulo, o menor resultado desde o início da série histórica. O indicador caiu 5,4 pontos percentuais em relação ao semestre anterior e 8,3 pontos percentuais na comparação com o primeiro semestre de 2025, evidenciando uma deterioração significativa da percepção sobre as condições atuais da economia e dos negócios.

Carlos Panzan, presidente da FETCESP
Panzan: “A confiança do empresário é um dos principais indicadores da disposição para investir”| Foto: Divulgação

O Índice de Expectativas, que projeta a confiança para os próximos seis meses, alcançou 47,4%, permanecendo abaixo da linha de neutralidade, mas acima do indicador das condições atuais. O dado sinaliza que parte dos empresários ainda enxerga possibilidade de melhora gradual, desde que o ambiente econômico e regulatório ofereça maior estabilidade e previsibilidade.

Na avaliação da FETCESP, os números refletem um setor pressionado simultaneamente pelo aumento dos custos operacionais — com destaque para a alta do diesel e a defasagem dos valores do frete —, dificuldades de acesso ao crédito em um cenário de juros elevados, escassez de motoristas profissionais e um ambiente regulatório cada vez mais complexo, agravado pelas novas exigências implementadas em 2026 e pelas incertezas relacionadas à Reforma Tributária e a mudanças na legislação trabalhista.

O setor de transporte rodoviário de cargas é responsável por movimentar aproximadamente 65% de todas as cargas transportadas no Brasil. Para a FETCESP, a recuperação da confiança do setor é condição fundamental para estimular investimentos em renovação de frota, inovação tecnológica, ampliação da capacidade operacional e geração de empregos.

Carlos Panzan, presidente da FETCESP, afirmou que “a confiança do empresário é um dos principais indicadores da disposição para investir, renovar a frota, contratar profissionais e ampliar a capacidade operacional. Quando esse índice permanece abaixo da linha de confiança, o recado é claro: o setor enxerga um ambiente de negócios mais difícil e tende a adotar uma postura mais cautelosa. Recuperar essa confiança passa necessariamente por maior estabilidade econômica, previsibilidade regulatória e medidas que reduzam os custos de quem movimenta a economia e garante o abastecimento do país“.

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