A indústria de implementos rodoviários encerrou o primeiro semestre de 2026 com um desempenho que, embora ainda aquém do registrado no mesmo período do ano anterior, revelou um movimento de recuperação gradual ao longo do segundo trimestre. O mês de junho consolidou-se como o melhor do semestre para o setor, com 12.318 unidades emplacadas, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR).
O volume representa um crescimento de 4,3% sobre maio, quando foram comercializadas 11.810 unidades, e supera também os 11.767 emplacamentos de abril. Diante da alta sequencial, o resultado de junho fica ligeiramente acima das 12.211 unidades registradas em março, evidenciando uma trajetória de estabilização após um início de ano bastante aquém do desejado pelo setor.
O acumulado do primeiro semestre, contudo, ainda reflete a retração enfrentada pelo setor. De janeiro a junho de 2026, foram emplacados 66.736 implementos rodoviários, volume 7,54% inferior às 72.179 unidades comercializadas no mesmo intervalo de 2025. A análise mensal revela a dimensão do desafio, já que janeiro registrou apenas 8.760 emplacamentos, seguido por fevereiro com 9.870 unidades, patamares que indicam um início de ano particularmente frágil para a cadeia.
Foi a partir de março, com 12.211 unidades, que o mercado começou a esboçar reação, mantendo-se em patamares superiores a 11,7 mil unidades nos meses seguintes. No acumulado dos últimos 12 meses, o recuo é igualmente expressivo: entre julho de 2025 e junho de 2026 foram emplacados 143.759 implementos, contra 156.037 unidades no período de julho de 2024 a junho de 2025, o que representa uma queda de 7,9%.
Reboques e Semirreboques
O segmento de Reboques e Semirreboques, que responde por parcela significativa do mercado, totalizou 32.452 emplacamentos no primeiro semestre de 2026, um recuo de 9,42% em relação às 35.827 unidades comercializadas em igual período de 2025.
Entre as famílias de produtos, os destaques negativos ficaram por conta do segmento de Tanque Carbono, que despencou 44,12% (de 2.985 para 1.668 unidades), e do Baú Lonado, com retração de 40,80% (de 3.544 para 2.098 unidades). Por outro lado, o Baú Carga Geral apresentou crescimento de 6,35% (de 5.447 para 5.793 unidades), enquanto o Tanque Inox registrou alta de 24,88% (de 217 para 271 unidades).
Carrocerias sobre Chassis
O mercado de Carrocerias sobre Chassis apresentou retração menos intensa, com 34.284 produtos vendidos de janeiro a junho, queda de 5,69% frente às 36.352 unidades do primeiro semestre de 2025.
A família Graneleiro/Carga Seca foi a que mais sofreu, com queda de 14,88% (de 8.314 para 7.077 unidades), enquanto o Baú Lonado cresceu 11,94% (de 201 para 225 unidades) e o Basculante avançou 2,20% (de 3.996 para 4.084 unidades).
Contexto
O desempenho do setor ocorre em um contexto de expectativas em torno do programa Move Brasil, que passou a contemplar os implementos rodoviários em sua segunda fase. Lançado no início de 2026 com R$ 10 bilhões inicialmente voltados apenas para caminhões, recursos que foram totalmente consumidos em apenas dois meses, o programa foi ampliado para R$ 21,2 bilhões, incluindo agora reboques, carrocerias e implementos rodoviários em geral. As linhas de financiamento oferecem juros de 11,3% ao ano, com prazos de até 60 meses para empresas e de até 120 meses para motoristas autônomos. Contudo, a velocidade de absorção dos recursos tem sido desigual, pois enquanto cerca de 75% dos R$ 17 bilhões destinados a pessoas jurídicas já foram contratados poucos dias após a abertura da linha pelo BNDES, os R$ 2 bilhões reservados para caminhoneiros autônomos registraram adesão muito menor, com apenas R$ 300 milhões utilizados até o final de junho.
O presidente da ANFIR, José Carlos Spricigo, destacou a importância do programa como alavanca de negócios, mas continua insatisfeito e deseja medidas estruturais mais amplas. “O programa é importante como alavanca de negócios, mas ainda precisamos que sejam tomadas outras medidas que forneçam uma base sólida de crescimento na economia como um todo”, afirmou Spricigo. “É fundamental que os empresários tenham uma visão de futuro de curto e médio prazo onde haja certeza de estabilidade para que as decisões de negócios sejam tomadas com segurança”. O executivo também ressaltou que o segmento leve continua sustentando o desempenho do setor, com operações logísticas urbanas aquecidas e demandando novos equipamentos. A entidade projeta que os resultados da segunda fase do Move Brasil ainda estão em fase de realização e deverão refletir nos próximos meses.
Exportações
No front externo, as exportações de implementos rodoviários apresentaram desempenho positivo no acumulado até abril de 2026, com 1.537 unidades embarcadas, um crescimento de 20,93% em relação às 1.271 unidades exportadas no mesmo período de 2025. O dado sinaliza que, embora o mercado interno enfrente desafios, a competitividade da indústria brasileira no exterior se mantém, ainda que em patamares modestos se comparados ao volume do mercado doméstico.
