Roubo de cargas registra queda de 34,3% em São Paulo

Redução consistente dos indicadores criminais aponta eficácia no enfrentamento ao delito, embora setor logístico mantenha estado de alerta

Por Gustavo Queiroz

- julho 7, 2026

Imagem meramente ilustrativa de roubo de carga gerada por IA

O estado de São Paulo registrou significativa redução nos casos de roubo de cargas entre janeiro e maio de 2026, conforme levantamento divulgado pelo SETCESP (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região). O balanço, elaborado com base em dados fornecidos pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), aponta 1.060 ocorrências no período, contra 1.613 registradas nos mesmos cinco meses de 2025, o que corresponde a uma retração de 34,3%.

A trajetória de queda demonstra-se consistente ao longo de todo o período analisado, com reduções expressivas mês a mês. Em janeiro, os registros passaram de 350 para 251 casos, representando diminuição de 27,4%. Fevereiro apresentou recuo de 37,6%, com as ocorrências caindo de 319 para 199. Março registrou 206 ocorrências ante 302 no mesmo mês do ano anterior, queda de 31,7%. Abril manteve a tendência com redução de 36,8% — 211 casos frente a 334 em 2025. Já maio consolidou o movimento descendente ao contabilizar 193 registros, volume 37,3% inferior às 308 ocorrências verificadas no quinto mês de 2025.

Marcelo Rodrigues, presidente do Setcesp
Rodrigues: “A insegurança acaba se refletindo diretamente nos custos operacionais e no frete”| Foto: Divulgação

Para Marcelo Rodrigues, presidente do SETCESP, a evolução dos indicadores reflete avanços relevantes no combate ao crime organizado e na atuação das forças de segurança, mas não autoriza que o setor logístico reduza seus níveis de atenção. “Os indicadores mostram evolução no combate ao roubo de cargas, mas o risco segue presente na rotina do transporte. Em períodos de maior fluxo de mercadorias, como férias e datas sazonais, o nível de alerta precisa ser mantido“, afirmou o executivo.

Apesar da redução numérica das ocorrências, o impacto econômico decorrente da criminalidade no transporte rodoviário permanece como fator relevante para a composição dos custos logísticos e, por extensão, para a formação dos preços finais ao consumidor. Pesquisa conduzida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 62% das indústrias brasileiras registraram incremento nos custos finais de seus produtos em decorrência dos gastos adicionais com segurança no transporte de cargas. O mesmo levantamento aponta que 45% das empresas industriais afirmam que os investimentos gerais em proteção e monitoramento também exercem pressão ascendente sobre o preço final das mercadorias.

A insegurança acaba se refletindo diretamente nos custos operacionais e no frete. Por isso, além das ações de policiamento, é essencial investir em inteligência, tecnologia embarcada e gestão de riscos“, destacou Rodrigues, enfatizando que as medidas preventivas constituem fator decisivo para a redução de perdas e o aumento da eficiência operacional. “Planejamento de rotas, monitoramento contínuo e capacitação das equipes são práticas que fazem diferença no dia a dia“, completou.

O levantamento da CNI evidencia ainda a vulnerabilidade do modal rodoviário ao crime organizado. Conforme os dados, 20% das indústrias nacionais sofreram roubo ou furto de cargas nos últimos cinco anos, sendo as rodovias o principal palco desses episódios: 68% das ocorrências acontecem em estradas, percentual expressivamente superior ao verificado em áreas urbanas ou centros de armazenagem. No que tange à tipologia dos produtos mais visados, lideram a lista fios e cabos, mencionados em 60% das ocorrências, seguidos por ferramentas (31%) e máquinas e equipamentos industriais (23%).

Para o SETCESP, o conjunto das informações consolidadas reforça a necessidade premente de manutenção de políticas públicas consistentes na área de segurança, aliada ao estímulo a práticas operacionais mais robustas por parte das empresas do setor. A entidade defende que apenas a conjugação entre ação estatal efetiva e autorresponsabilidade do setor privado poderá assegurar a mitigação dos riscos e a preservação da competitividade da cadeia logística e automotiva como um todo.

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