A eletrificação da frota como vantagem competitiva

O caso Carvalima e a aposta na inovação sustentável na logística brasileira para a logística urbana

Por Gustavo Queiroz

- fevereiro 25, 2026

Arrow One da Carvalima

A transição energética no setor de transporte deixou de ser uma projeção de futuro para se tornar um imperativo estratégico no presente. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde a matriz de transporte é majoritariamente rodoviária e fortemente dependente de combustíveis fósseis, a eletrificação de frotas apresenta desafios singulares que vão desde a infraestrutura de recarga até a adequação tecnológica às condições locais. É nesse contexto que a Carvalima Transportes, empresa com 35 anos de atuação no setor logístico e presença capilarizada no território nacional, deu um passo decisivo na direção da sustentabilidade de suas operações por meio da incorporação do Arrow ONE, van elétrica desenvolvida e fabricada em Caxias do Sul (RS) pela Arrow Mobility, à sua frota urbana.

Mais do que uma adesão simbólica à agenda ESG, a decisão da Carvalima reflete uma análise aprofundada sobre eficiência operacional, custo total de propriedade (TCO) e posicionamento de mercado. A aquisição do veículo insere a empresa em um seleto grupo de operadoras que buscam não apenas reduzir a pegada de carbono, mas também extrair ganhos tangíveis de produtividade em um dos elos mais críticos e onerosos da cadeia logística: a last mile (último quilômetro).

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Na ponta do lápis

Arrow One na frente da fachada da Carvalima
Arrow One na frente da fachada da Carvalima | Foto: Divulgação

Sob a ótica financeira, a decisão de eletrificar parte da frota exige uma reavaliação das métricas tradicionais de custeio. Enquanto o custo de aquisição ainda representa uma barreira de entrada, a análise do custo por quilômetro rodado revela um cenário de ruptura. A Carvalima estima uma economia de até 80% em relação aos veículos movidos a diesel ou gasolina. A matemática é simples e contundente e para cada R$ 1,00 gasto com combustível fóssil, o custo operacional do veículo elétrico, considerando consumo energético e manutenção, gira em torno de R$ 0,20.

Essa assimetria se deve, em grande parte, à simplicidade mecânica do trem de força elétrico, que reduz drasticamente a necessidade de trocas de óleo, filtros e sistemas de escapamento, itens de desgaste constante em operações de alta intensidade. No entanto, a tecnologia embarcada por si só não garante resultados.

Cuidado com a imagem

Apesar do otimismo com os ganhos de eficiência, o diretor-presidente da Carvalima, Otavio Fedrizze, é realista quanto aos gargalos que ainda persistem. “Sabemos que ainda existe uma limitação com relação à rede de abastecimento e ao custo da eletrificação“, afirma. Em um país onde a infraestrutura de recarga pública ainda é incipiente e concentrada, a operação de veículos elétricos exige um planejamento de rotas mais rigoroso e, frequentemente, a instalação de pontos de recarga próprios nos centros de distribuição.

A aquisição do Arrow ONE, portanto, não é vista como uma solução imediata para toda a frota, mas como um projeto-piloto estratégico. Trata-se de um aprendizado institucional sobre como integrar ativos de nova energia à malha logística existente, testando limites de autonomia, tempos de recarga e impacto na produtividade em cenários reais.

Para a Carvalima, o movimento sinaliza ao mercado e aos clientes que a empresa está preparada para as demandas da nova economia, onde a rastreabilidade da pegada de carbono da cadeia de suprimentos torna-se um critério de seleção de fornecedores tão relevante quanto o preço ou o prazo de entrega.

O veículo

Arrow One é adicionado à frota da Carvalima
Arrow One é adicionado à frota da Carvalima | Foto: Divulgação

O modelo Arrow ONE chega à frota da Carvalima com especificações técnicas desenhadas para o ambiente de grandes centros urbanos. Com autonomia de até 200 quilômetros e capacidade de carga de 2.000 quilos, o veículo equilibra a necessidade de agilidade no trânsito com a demanda por volume, especialmente impulsionada pelo comércio eletrônico.

A arquitetura do veículo foi pensada para otimizar o tempo do operador logístico. O acesso direto ao compartimento de carga a partir da cabine, somado à abertura automática da porta elétrica lateral, elimina movimentos redundantes e reduz o tempo médio de parada para entrega. Em um setor onde o tempo é a variável mais inelástica, a economia estimada de até dois minutos por entrega se traduz em um ganho de escala significativo. Em termos de produtividade, a empresa projeta que o veículo elétrico possa realizar até o dobro de entregas diárias em comparação a uma van tradicional a combustão, um diferencial que impacta diretamente a capacidade de atendimento e a densidade de entregas por rota.

 

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