A Intra-Log Expo South America, realizada no período de 23 a 25 de setembro, no Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte, em São Paulo (SP), foi palco para discutir o presente e o futuro da movimentação e armazenagem de materiais no país. Em painéis técnicos, especialistas de diferentes vertentes concordaram que a intralogística está no centro de uma transformação radical, impulsionada pela Inteligência Artificial (IA) e pela automação. Mas, para tanto, vai exigir investimentos paralelos em governança de dados e, principalmente, no capital humano para ser sustentável. Confiram quatro opiniões a respeito do tema.
A visão macro da transição foi apresentada por Reinaldo Moura (foto), presidente do Conselho do IMAM, que traçou um panorama histórico e técnico da evolução do setor. “Em um passado recente, o picking se fazia de caixa fechada. Hoje temos o picking unitário, feito até por humanoides, manipulando peças de confecção, algo impensável tempos atrás“. Em sua exposição, o executivo definiu a intralogística como o “planeta” dentro do “universo” da cadeia de suprimentos e detalhou os pilares do que chamou de “Infralogística 5.0”. O conceito abrange armazéns automatizados, empilhadeiras autônomas, shuttles e a computação quântica aplicada à roteirização complexa. “O material andava muito mais rápido do que a informação. Hoje, é o contrário, pois a informação é no clique, e o material próximo disso. Estamos além da Logística 4.0, discutindo conceitos da 5.0, que aprofunda a hiperpersonalização”, afirma resoluto.
Multiplicadores de processos
Essa aceleração tecnológica, no entanto, esbarra em um desafio crítico: a preparação das pessoas. Alexandre Souza (foto), especialista em educação corporativa da Leroy Merlin, alertou para o risco de um abismo entre a velocidade da tecnologia e o desenvolvimento de habilidades. “A questão central é como preparamos os humanos para essa transição? Será que estamos gastando a mesma energia para garantir a inclusão das pessoas, para que elas não só consumam, mas também fomentem a transformação tecnológica?“, questiona o profissional, ao defender que a solução está no propósito e nas soft skills. “Temos que transformar nossos colaboradores em multiplicadores de propósito, não apenas de processos. O propósito não é mover um produto de A para B, mas resolver a necessidade de alguém. Isso muda o jogo. As soft skills se tornaram o novo ‘hard skill’“.
Fábricas no escuro

Desmitificando a tecnologia

Equilíbrio estratégico
A convergência das palestras aponta para um caminho claro, destacando que a intralogística brasileira avança para um patamar de alta automação e inteligência, com agentes de IA otimizando processos. No entanto, a sustentabilidade dessa jornada depende de um equilíbrio estratégico entre investir em tecnologia de ponta e desenvolver as competências humanas para liderar e dar significado a essa nova era.
