Pela primeira vez no Brasil, um caminhão totalmente elétrico completou um percurso de mais de 250 quilômetros transportando 27 toneladas de carga entre o Porto de Santos e Paulínia, no interior de São Paulo. A operação representa um marco na redução de emissões do setor logístico, um dos que mais poluem no país.
O trajeto incluiu a subida da Serra da Anchieta, trecho reconhecido como um dos mais difíceis para caminhões. O veículo utilizado foi um modelo Electric Tractor SE 437, da Sany Irmen, em uma operação conjunta entre a Syngenta e a transportadora Gelog, parceira da empresa há duas décadas.
Embora o mercado de veículos elétricos tenha crescido 89% no primeiro semestre de 2024, conforme a Anfavea, as vendas ainda se concentram em veículos menores. O uso de um caminhão pesado em rota complexa é considerado um avanço significativo para a logística sustentável no Brasil – segmento que deve alcançar US$ 61 bilhões até 2030, segundo a Grand View Research.
“Esta experiência fortalece nosso objetivo de tornar a logística mais sustentável, integrando tecnologia, eficiência e responsabilidade ambiental”, disse Alessandra Gamero, Diretora de Logística Integrada da Syngenta.
Ronaldo Vaciloto, Gerente de Transporte da Syngenta, destacou que o teste comprovou que desempenho e redução de carbono podem andar juntos, mesmo em trechos difíceis. “O Brasil tem a vantagem adicional de contar com uma matriz elétrica predominantemente renovável, o que potencializa os benefícios ambientais dessa operação”, completou.
A iniciativa está alinhada com as metas globais de ESG da Syngenta, que pretende reduzir em 38% suas emissões de CO₂ até 2030. A Gelog, que adquiriu o veículo, enxerga o projeto como parte de uma transformação setorial. “Investir em soluções inovadoras é fundamental para acelerar a descarbonização do transporte de cargas no país”, afirmou Adriano Fajardo, diretor da empresa.
O mercado de caminhões elétricos no Brasil deve crescer 25,6% ao ano entre 2025 e 2031, de acordo com a Fenatac/Gigantes Elétricos. Especialistas avaliam que operações pioneiras como essa servem como demonstração para a adoção em grande escala da tecnologia, que pode reduzir custos operacionais em até 76,5% comparado a modelos movidos a diesel.
