Para a sistemista, a descarbonização do transporte contempla um cenário eclético, que inclui desde a melhoria dos motores atuais até as soluções com outras fontes energéticas
Múltiplas soluções e caminhos diversificados. É assim que a BorgWarner aposta na transição energética no transporte pesado no Brasil. Para a sistemista, o futuro contemplará um cenário eclético, com diferentes matrizes energéticas para acolher as principais características regionais e de aplicação dos veículos comerciais em termos de macrotendências da mobilidade.

Na visão de Vagner Davanzo, diretor de Vendas e Engenharia da unidade de Turbos e Thermal da BorgWarner, os combustíveis alternativos possuem uma gama de opções de caminhos para seguir.
“No curto prazo, combustíveis como GNV/biometano ganham destaque, especialmente em regiões produtoras como o eixo Rio-São Paulo, onde já circulam caminhões movidos a gás. O etanol também surge como alternativa, com pesquisas em andamento para adaptá-lo ao ciclo diesel, aposta Davanzo.
Já o hidrogênio, embora seja apontado como uma promessa para a descarbonização, ainda encontra desafios significativos, como a alta inflamabilidade e a necessidade de controle preciso da combustão. “Vejo como uma solução viável, mas talvez em uma década”, pondera o diretor.
Como motor dessa transição, explica Vagner, as montadoras de veículos terão papel central na definição das tendências, impulsionadas por estratégias de diferenciação. “São elas que detém o maior poder e vão ditar o andamento dessa evolução”. Já as políticas governamentais, embora importantes, não devem ser o principal incentivador da inovação.
Avanço com ressalvas

Apesar do avanço global da eletrificação para uso veicular, o especialista vê inúmeras ressalvas nessa alternativa energética no curto prazo. “Além da autonomia e tempo de recarga, um dos grandes desafios para veículos elétricos pesados é a capacidade de carga útil, já que as baterias ainda são volumosas”.
Outro impedimento associado à eletrificação é a questão da segurança, por conta do superaquecimento do componente. O representante da BorgWarner ressalta que é importante trabalhar com sistemas de controle térmico, mas admite que normas específicas para incêndios em baterias ainda estão em fase de evolução.
Em que pese tais ressalvas, a BorgWarner vem investindo cada vez na oferta e desenvolvimento de componentes elétricos para aplicação veicular, no esforço de atender a essa demanda.
“Hoje, não somos mais uma empresa 100% focada em combustão. Temos um portfólio robusto para veículos elétricos”, afirma Davanzo. A sistemista iniciou sua jornada rumo à eletrificação ainda em 2019, com o projeto Charging Forward, que prevê incrementar o faturamento de veículos elétricos para aproximadamente 45% da receita total da marca até 2030. Desde então, a empresa investiu em aquisições e desenvolvimento de tecnologias para veículos híbridos e elétricos, como inversores, sistemas de resfriamento de baterias e aquecedores de alta tensão (high voltage coolant heaters), essenciais para otimizar a recarga em climas frios.
Enquanto isso, o engenheiro aposta que os motores a diesel irão dominar o mercado por um bom tempo ainda, além de contarem com muito espaço para melhorias, mesmo com o avanço da eletrificação. Ele cita os turbocompressores de última geração, com geometria variável e sistemas ball bearing, como tecnologias que elevam a eficiência energética desses engenhos.
Saiba mais em:
https://frotacia.com.br/borgwarner-apresenta-novas-tecnologias-para-o-mercado-pesado/
https://frotacia.com.br/borgwarner-apresenta-carregador-para-veiculos-eletricos/
https://frotacia.com.br/borgwarner-prepara-novidades-para-iaa-transportation-2024/
