Eixo elétrico oferece benefícios, mas enfrenta barreiras para vingar

Por Victor Fagarassi

- junho 26, 2025

Sistema de tração auxiliar e-Sys, da Suspensys

Sistema auxiliar de tração desenvolvido pelo Instituto Hercílio Randon oferece inúmeros vantagens associadas à eficiência e a sustentabilidade. Mas ainda enfrenta desafios de custo e infraestrutura

 

Em 2023, a Suspensys – unidade de negócios do Grupo Randoncorp – apresentou ao mercado brasileiro um solução disruptiva, para equipar implementos rodoviários: o módulo de tração e-Sys, inspirado na Fórmula-1. O componente aproveita a energia gerada durante as frenagem e descidas do veículo, para movimentar um eixo elétrico instalado nas rodas e ajudar o reboque a vencer aclives de forma mais eficiente e segura.

A solução, totalmente desenvolvida no Brasil e que hoje já equipa cerca de 20 veículos no país, representa uma alternativa para caminhões e carretas, com benefícios significativos, mas também limitações que refletem os desafios da transição energética no transporte rodoviário.

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eixo de tração auxiliar elétrico e-Sys

“Nos dias atuais, o eixo elétrico é ideal para operações híbridas. Mas, cada aplicação terá sua própria solução no futuro, seja elétrico puro para distribuição urbana ou célula a combustível para longas distâncias”, ressalta Pedro Humberto Gangara Orlando, gerente de engenharia do produto e eletromobilidade da Suspensys. Na visão do especialista, o e-Sys representa um passo importante na transição energética, mas não a solução definitiva

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda enfrenta barreiras para adoção em massa como a infraestrutura de recarga do país, ainda bastante incipiente para garantir o abastecimento das baterias em rotas em longa distância. O custo inicial, segundo Pedro, também é um obstáculo para pequenos frotistas, embora exista a projeção de redução do componente com uma maior escala de uso e produção.

Outra questão é a aplicabilidade. “Em rotas predominantemente planas, os benefícios são limitados. Existem clientes que vieram até nós, mas depois de analisar a situação e simular as variáveis, indicamos que o perfil operacional não era o ideal para aquela solução”, reconhece Pedro.

Virtudes de sobra

Restrições à parte, é inegável que o eixo elétrico auxiliar possui inúmeras virtudes. A começar da economia de combustível e a redução de emissões que o componente proporciona. Em rotas com relevo acidentado, o sistema pode reduzir o consumo em até 20%, com payback estimado entre 5 e 7 anos; ainda que acima do ideal para o setor logístico que é de 3 anos. Da mesma forma, o produto reduz em boa medida as emissões e CO2, ao contribuir para a diminuição da carga do motor diesel. Isso, aliás, foi fator decisivo para clientes globais como a Nestlé, que já adotou a solução.

Outro ponto positivo é a diminuição do tempo de viagem. Em testes em serras, as combinações com o eixo elétrico chegaram 10 minutos antes, mantendo velocidade constante nas subidas. Sem contar que a regeneração de energia nas descidas reduz o desgaste de freios em até 30%, além de diminuir a carga do conjunto powertrain.

Assim como a roda Livre, o mecanismo evita arrasto desnecessário em trechos planos, solucionando um problema identificado nos primeiros protótipos. Por fim, Pedro Humberto ainda destaca a compatibilidade universal do produto. “Pode ser instalado em carretas ou caminhões (como eixo tag axle) de qualquer marca ou ano, sem exigir adaptações”.

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Carreta equipada com eixo elétrico e-Sys

Não sem motivo, a Suspensys projeta aumentar a produção para mais de 100 unidades/ano no médio prazo, aproveitando incentivos como redução de IPVA para veículos híbridos. A aposta é que, mesmo não sendo universal, a tecnologia ocupará um nicho relevante no transporte rodoviário brasileiro, especialmente em rotas com relevo acidentado e para empresas com metas de descarbonização.

O que compõe o e-Sys?

Desenvolvido pelo Instituto Hercílio Randon, o sistema e-Sys opera a partir de conjunto eletromecânico formado por uma Unidade de Controle Eletrônico (ECU, na sigla em inglês), baterias, inversor e motor elétrico da WEG acoplado a um eixo desenvolvido exclusivamente para este fim. Seus dois motores elétricos (totalizando 200 cv de potência adicional) são impulsionados por uma bateria de 52 kWh e um sistema inteligente de gerenciamento. Outro ponto interessante é o chamado algoritmo autônomo. São sensores de inclinação que ativam automaticamente a tração nas subidas e a regeneração nas descidas, sem necessidade de integração com os sistemas do caminhão.

Saiba mais em:

https://frotacia.com.br/suspensys-investe-r-1-2-milhoes-em-uma-nova-linha-de-montagem/

https://frotacia.com.br/barion-assume-lideranca-da-suspensys-na-randoncorp/

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