Nenhum dos 400 policiais rodoviários federais que atuam em Pernambuco fará a fiscalização das 11 BRs que cortam o Estado enquanto durar a greve da categoria, deflagrada em todo o País. As blitzes, escoltas de cargas perigosas e o atendimento a motoristas envolvidos em acidentes sem vítimas estão suspensos desde a 0h de ontem. Somente colisões com feridos e flagrantes de crimes cometidos na estrada terão a atenção dos agentes, que reivindicam aumento de 150% no efetivo e salário inicial equivalente ao da Polícia Federal.
Com a greve, a fiscalização do tráfico de drogas através das rodovias e as blitzes de prevenção de crimes de trânsito se paralisam por completo. E não são poucas as apreensões e prisões efetuadas pela PRF durante essas operações de rotina. De janeiro deste ano até ontem, a PRF apreendeu 561 quilos de maconha, 8,5 de crack e quatro de cocaína, além de prender 601 pessoas. No mesmo período de 2011, foram tirados de circulação 221 quilos de maconha e 30 de pedras de crack, com a detenção de 606 pessoas.
Outros serviços prestados na superintendência da PRF, que fica no bairro do Pina, Zona Sul do Recife, também estão parados por causa do movimento grevista. Quem deseja solicitar o seguro DPVAT, pago a vítimas de acidentes de trânsito, terá que esperar. Se a intenção é recorrer de multas, a única solução é mandar a petição pelos Correios, para não perder o prazo.
O sindicato dos servidores da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado calcula que seriam necessários no mínimo 1.000 agentes para dar conta dos 2,5 mil quilômetros de rodovias federais no território estadual. No Brasil há 9 mil policiais, porém o ideal seriam 20 mil. “Tentamos negociar com o governo federal há um ano e meio, mas não somos atendidos. A insatisfação está cada vez maior, porque as condições de trabalho estão piorando”, frisou o presidente do sindicato, Paulo Arcoverde.
O descontentamento da categoria é tanto que, na tarde de ontem, os 44 chefes das seis delegacias estaduais e dos núcleos e seções da PRF entregaram os postos de chefia, em ato simbólico na superintendência do órgão, no Recife.
“Não compensa trabalhar em condições insalubres por uma gratificação de apenas R$ 300 que tínhamos como chefes”, disse um dos que desistiram do cargo de confiança, que preferiu não se identificar.
Na próxima quinta-feira a Federação dos Sindicatos da PRF terá reunião no Ministério do Planejamento, em Brasília, para negociar a pauta da categoria. Hoje, um membro da corpora-ção começa a carreira ganhando R$ 5.800. Na Polícia Federal, são R$ 7.200.
Jornal do Commercio – PE
