Após atraso na soja, PR e SP revisam 2ª safra

Por Freelers

- novembro 25, 2014

Paraná e São Paulo seguem o diagnóstico de Mato Grosso e planejam reduzir a área plantada na segunda safra (safra de inverno). O atraso no plantio da soja no verão, resultado de uma seca entre a segunda quinzena de setembro e a primeira de outubro, vai comprometer a janela de plantio do milho, cultura que ganha os campos após a colheita da oleaginosa. A constatação é da Expedição Safra, que percorreu cerca 2 mil quilômetros na última semana pelas regiões produtoras dos Campos Gerais, Norte paranaenses, além do Sul de São Paulo.

O problema com o clima é mais grave ao Norte, onde o volume de chuvas chegou a ficar 70% abaixo do normal, conforme produtores e cooperativas visitados. “Temos áreas em excelentes condições de desenvolvimento e microrregiões que podem sofrer uma catástrofe de produtividade, pois chegaram a ficar 50 dias sem água. São as mesmas regiões que tiveram quebra no ano passado”, revela o coordenador técnico da Cocamar, Emerson Nunes. A cooperativa, que atua em 667 mil hectares no Norte do Paraná, acredita que a área semeada com milho terá uma redução de 12% em relação à previsão inicial. Com isso, o cereal deve ocupar 394 mil hectares, contra uma previsão de 448 mil hectares. Quem ganhará terreno é o trigo, estima o técnico, após fazer levantamento com as unidades da empresa. A cooperativa também revisou para baixo o potencial produtivo das lavouras, de 3.300 kg/ha (55 sacas por hectare) para 3.070 kg/ha (51 sacas por hectare).

A irregularidade das chuvas estendeu significativamente a janela de plantio de verão nos dois estados visitados pela Expedição. O atraso nos trabalhos de campo está sendo recuperado em municípios como Ponta Grossa, Castro e Tibagi, mas o déficit hídrico no solo continua alto, o que aumenta os riscos e a necessidade de chuvas daqui pra frente. “Nessa época do ano passado estava com 90% da área plantada. Hoje estou em 65%”, conta Sylnei Caldeira, de Ponta Grossa, enquanto seus funcionários operam tratores que plantam no pó.

“Na nossa propriedade choveu menos da metade do normal. O que salvou é que aqui, especificamente, tivemos chuvas a cada 15 dias. Já as lavouras dos vizinhos estão há semanas sem receber água”, conta Anderson Rufato, que toca uma propriedade de 157 hectares de soja com o pai e o tio em Maringá. Eles mantêm expectativa de produtividade média em 3.47 mil kg/ha (57 sacas por hectare). Mesmo com uma condição acima da média na região, eles vão reduzir a área dedicada ao milho na segunda safra a 40% do terreno da soja. No ano passado, o índice foi 100%.

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