Venda de veículos novos cai 23,4% em fevereiro na comparação com 2014

Por Freelers

- março 2, 2015

As vendas de veículos novos no país aprofundaram neste mês a tendência de baixa que já havia sido indicada em janeiro, consolidando um início de ano bem mais fraco do que as montadoras esperavam. Números preliminares, com base em emplacamentos registrados até quarta-feira (25), mostram que os licenciamentos caem 23,4% na comparação com fevereiro de 2014.

Em relação a janeiro, as vendas recuam 10,3%. Os volumes, que já vinha sendo deprimidos pela baixa propensão dos consumidores em trocar de carro, despencaram diante de um calendário comercial mais curto, em virtude do feriado de Carnaval.

Desde 1º de fevereiro, 161 mil veículos foram vendidos no Brasil, em dado que inclui carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. Ainda falta colocar na conta os números de ontem e hoje, mas, mesmo com a tradicional aceleração dos licenciamentos de fim de mês, são grandes as chances de fevereiro fechar abaixo da marca de 200 mil veículos, o que não acontece há seis anos.

Depois da queda de 7,1% em 2014, a indústria automobilística começou 2015 com baixa de 18,8% nos volumes de janeiro e, com o fraco desempenho de fevereiro, esse percentual negativo já está perto de 21%. A Anfavea, entidade das montadoras instaladas no Brasil, divulgou no mês passado projeções que apontam para repetição, em 2015, das vendas de 3,5 milhões de veículos do ano passado.

Mas analistas acreditam que essa previsão é otimista demais, numa percepção também manifestada em estimativas divulgadas individualmente pelas empresas. A Ford, por exemplo, trabalha com a perspectiva de queda de 5%, ao passo que a Fiat falou em “leve recuo” do mercado brasileiro ao anunciar, no fim do mês passado, seus resultados financeiros globais em 2014. A preocupação da montadora italiana é com a desaceleração econômica e a volta das alíquotas cheias do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A sueca Volvo, por sua vez, reforçou durante encontro com jornalistas na quarta-feira a expectativa de queda de 19% da demanda por caminhões pesados e semipesados. Em corretoras e consultorias especializadas, as previsões, nas contas mais pessimistas, chegam a traçar queda de até 10% dos emplacamentos no resultado final de 2015.

A razão do pessimismo está na deterioração dos índices de confiança de consumidores – com impacto na disposição das pessoas em assumir financiamentos de longo prazo -, combinada à menor facilidade na obtenção de crédito num cenário de alta de juros e seletividade bancária.

As montadoras seguem se ajustando a esse ambiente com cortes na produção. Ontem, foi a vez de a General Motors (GM) anunciar que vai afastar quase 800 trabalhadores das linhas de produção de São José dos Campos, no interior paulista. Também foram iniciadas, nesta semana, férias coletivas em fábricas da MAN, no sul do Rio de Janeiro, e da Volkswagen, em Taubaté (SP).

Além da redução tanto das vendas domésticas como das exportações, pressiona a produção o nível ainda preocupante dos estoques nos pátios de montadoras e concessionárias.

Fonte: Valor Econômico

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *