Contrariando toda a lógica, o mercado brasileiro de veículos comerciais seminovos repetiu o desempenho de 2022, ao acusar uma excepcional valorização de preços dos caminhões e ônibus, mesmo depois de três anos de uso. Foi o que revelou o estudo promovido por Frota&Cia por meio do Frota DataBank, braço estatístico da publicação, que serviu de base para os ganhadores do Prêmio Campeão de Revenda 2023, que esse ano completou sua quarta edição.
Segundo o levantamento assinado pela economista Edna Gonsalez Teixeira com base nos valores informados pela Tabela Fipe, os quatorze veículos eleitos como Campeão de Revenda acusaram uma variação média de preço da ordem de 32,57%, pouco abaixo dos 35,37% registrados no ano anterior (ver quadro). Para tanto, o estudo comparou a média de preços do veículo 0Km comercializado no segundo trimestre de 2020 ante a média dos valores do mesmo veículo em igual período de 2023.
Em outras palavras, ao invés de mostrar uma depreciação do valor original do ativo ao longo desse espaço de tempo – o que seria natural considerando o seu desgaste no período – o que se viu no biênio 2022/2023 foi uma brutal evolução de preço dos seminovos em relação ao veículo 0 Km comercializado três anos atrás. Para efeito de comparação, basta lembrar que em 2020 os quatorze veículos que conquistaram o cobiçado título de Campeão de Revenda apontaram uma desvalorização média de 14,47%, ainda assim considerada elevada.
Fatores variados

Acrescente-se a isso, a entrada da nova motorização Euro 6 que provocou um reposicionamento geral do mercado em termos de preços por conta da nova tabela, da nova tecnologia e tudo isso a mudança provocou. “Por conta desse novo patamar de preço dos modelos Euro 6 ocorreu uma maior valorização dos veículos usados, principalmente aqueles com 2, 3 ou 4 anos de uso”, ressalta Fábio Silva, Head de Vendas Vans, da Mercedes-Benz Cars&Vans, que produz a Sprinter.
Tempestade perfeita
Na opinião de outro representante do setor, a elevada valorização dos veículos seminovos no triênio 2020/203 é resultado de uma tempestade perfeita. Como explica Jefferson Ferrarez (foto), diretor de Vendas e Marketing Caminhões, da Mercedes-Benz.

Apesar do quadro sombrio, o executivo aposta na volta de uma normalidade em um curto espaço de tempo. “Não há mais a situação de falta de componentes no nível que existia no passado e a economia e taxa de juros estão se regularizando. Então, a tendência é voltar ao patamar normal.
A opinião do especialista tem o endosso de Carlos Yano, representante da Select Trucks. “Diante da perspectiva de queda nas taxas de juros esperamos por um reflexo positivo em termos de aquecimento da demanda de caminhões, tanto novos como seminovos e a consequente queda nas taxas de inadimplência. É importante também reforçar a relevância de outras soluções de crédito, como o consórcio, que é um viabilizador estratégico de novos negócios no mercado de caminhões”.
Destaques da edição

